14

No meio da escadaria. No meio daquela gente toda. A academia em polvorosa. Agitada, elétrica, crente me seu esplendor e glória na bajulação dos ícones de areia que perambulavam pontificais no meio da patuleia letrada. Um triunfo. De repente, do nada, Zildah Kurve atravessa o povo e pergunta se estava tudo bem. Tudo, tudo bem sim. Tem certeza, insistiu ela. Claro, não estou doente nem nada. Não me refiro a isso, replicou a dona. Se eu fosse você passava na secretaria. Uns dias se passaram. A dúvida. Cisma. Elucubrações das mais inusitadas antes do aperto. A secretária na parede,. Comadre, adora um fuxico. Não foi difícil arrancar oque se passava. Antes disso porém, a presença pesada e nefasta daquele com cara de pug. Horroroso. Esquisito. Ele não passou pela seleção. estava um grau abaixo, quase a terminar e agora estava ali. No grau superior. Esquisito. As bolsas não saíam. De repente a constatação, o de cara de pug tinha bolsa. Era última. A secretária, fofoqueira, ainda que competente confirmou. Como assim? Sem passar pela seleção. Isso mesmo. De cara limpa. Cara de pug, mas cara limpa na expressão da falsa ingenuidade e da pose de gênio. Era ir à caça da explicação. Aperta daqui, aperta dali, a secretária entregou o jogo. Confidente. Solidária. Lúcia Shoupanna comunica a seu amante, o coordenador. Conluio. As férias de meio de ano próximas. O congresso e a patuleia azeda e elétrica. O clima perfeito para o golpe. O de cara de pug, brilhante. Ele. O pivô do crime. O coordenado, amante da Maria, acede e convoca. Quatro dias depois de iniciadas as férias de meio de ano. Providencial. Primeira chamada. Nada. O eco se repete na segunda chamada. O regimento. A brecha. A oportunidade. Três presentes, terceira chamada. Regimental. Blsa aprovada para o cara de pug. Zildah Kurve e Lúcia Shoupanna, amigas e cúmplices. O amante chancela. A bolsa. Você sabia? Na terça-feira. Um grupo do grau superior. Você sabia? Na quarta-feira, outro grupo. Por fim, na quinta-feira, o terceiro grupo do grau superior. Você sabia? O circo armado. Suspiros e sussurros. Não era nome de filme. Alguma coisa no ar. Mal estar. Olhos virados. Suspiros e sussurros. O coordenador chama. O de cara de pug é tímido, está deprimido. O diz que diz é grande. Ninguém sabe direito. Há que conversar. Explicações. Desculpas. Acobertamento do golpe. Não há conversa. Que importa a melancolia do de cara de pug. Está deprimido? Vá se tratar. O direito de um não pode ser o regozijo de outro. Indevidamente. Então a escada e a pergunta fazem sentido. O burburinho da patuleia na escada. Zildah não podia ter sido mais esperta. A pergunta no ar. A dúvida. A insinuação. Bem o seu feitio. E pensar que aquilo já foi motivo de orgulho. Estar com aquilo num jantar. Sentar num boteco e beber a noite toda. Uma glória. Conviver com aquilo. Era escol, na imaginação. Lixo. Esgoto. Sujeira. A escada e o burburinho foram o golpe de mestre. Em três semanas o que era de um teve seu destino certo. “Não há bem que sempre dure, nem mal que nunca se acabe…”. O adagiário, uma vez mais, correto. O tempo passa. Não mais burburinho. Não mais patuleia. Não mais protegido com cara de pug. Outro nível. O pico. O cume. O ápice. A vingança. Zildah e Lúcia se juntam, de novo, para o retorno. O vômito do reconhecimento da falta de vergonha. A contraprova. Não mais burburinho. Não mais patuleia. Agora era o golpe fatal. O impedimento. A destruição de uma carreira toda. Bala que sai pela culatra. Mas contou com o auxílio de outros dois. “Negligência cabal no que se refere ao estudo de textos literários (…), em sua relação com as cartas, embora tenha anunciado repetidamente este propósito”. A falácia.  A tentativa de desmerecimento. Ato falho. A pequenez do ser humano em uma de suas manifestações mais hediondamente cabais. Definitivas. O tiro pela culatra. O ex-professor na corriola. Será que leram mesmo? O tiro pela culatra. Bola fora. O recomeço. Reabertura do processo. A exigência demandada e cumprida. Nova comissão. Novos olhares. Resquícios do golpe na sombra dos nomes. O retorno. O triunfo a aprovação. Os dois títeres a consignar a infâmia que sopita do pântano. As duas vociferaram por escrito e falharam. As duas. De novo o adagiário: o feitiço que se volta contra o feiticeiro. Ficou na lembrança. Obscura. O burburinho da escada. A patuleia esbaforia. O olhar esgazeado de veneno de Zildah. Nada. Um passado de décadas. O retorno que se faz justo a cada lembrança. A cada rememoração. O que era lixo virou livro. Duas letras. Sete séculos de reconhecimento. Trezentas e poucas páginas de aprovação. Nada de burburinho em escada. Nada de patuleia convencida, Não mais. Nunca mais!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: