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Gordinho. Bem ao gosto da cultura lá de cima. Gordinho e com bochechas rosadas. Barriga enorme e um bigodinho safado, Tudo num rosto quase angelical de criança tímida. Como era. Observador. O funcionário o escritório quis fazer gozação com ele e se deu mal. Tudo que o funcionário queria, o gordinho já tinha providenciado. Radar, seu apelido. Porque atento, sagaz e observador. O gosto pelo código penal. O comentário sobre o desejo de estudar e se tornar um homem da lei. O funcionário observando surpreso. No salão de jogos eletrônicos, o primeiro diálogo. A continuação da conversa sobre ser policial, agente de espionagem ou segurança. Algo melhor para melhor acomodar a mãe. Igualmente gordinha. Quituteira. Afável e ingênua. Apaixonada pelo galã que apresentava o programa da tarde. Suspiros. Meu filho vai ser alguém. A mãe o filho. Gordinhos. Ambos cuidando um do outro. O sonho de uma vida melhor para a mãe dirigindo os planos do filho. O pedido de demissão. O acordo feito com o funcionário. Universidade. Segurança do campus. O dormitório. Burburinho. Estudantes andando, gritando, correndo. O burburinho no apartamento. Música. Risadas. O burburinho. Com educação, o bater na porta. A observação. bebida alcoólica. Maconha. O burburinho dentro e fora. A proibição. A ameaça. O comunicado. A segurança acima de tudo. A necessidade de manter a ordem. A educação da juventude. O reitor chama. Reclama, observa. Vitupera que não pode ser. Parar carros. Vasculhar em busca de bebida alcoólica e maconha. Na estrada não pode. A demissão. O corretivo. De novo, o sonho e os suspiros maternais. Novo emprego. Segurança. Ano olímpico. Cidade cheia, movimentada. Eventos pra todo lado. A turma de adolescentes bebendo. A conversa com os policiais. A educação delicada levando refrigerantes para os seguranças. O agente federal e a jornalista. O trabalho e a busca de novidades. Furos de reportagem. O tédio. A ingenuidade. A população jeca ao som de música jeca. Os eventos. Ano olímpico. A atenção num suspeito. A mochila no chão. Cerveja. Os amigos. A ajuda ao pessoal da produção. O mal estar. Quase falta. Insiste. O gordinho sonha em ser agente federal, advogado, espião. Algo ligado à segurança, ao código penal. Os suspiros da mãe. O trabalho. mais um espetáculo. A mochila deixada embaixo de um banco. O alerta. A desconfiança. O palpite. O grupo de adolescentes bêbados. O alerta. O bullying. Um gordinho mandando nos jovens. Pode isso? Mais bullying. Outro alerta. Os policiais. A correria. Adolescente tem medo de distintivo. A mochila debaixo do banco. O alerta. O descrédito dos policiais. O telefonema anônimo. “A que horas você sai do trabalho?”. Mais um idiota. O evento. Multidão. Olhos atentos. Jornalista seduzindo o agente trabalhando. Tédio. Ingenuidade. Gente comum numa noite incomum. O show. O evento. Multidão. Outro telefonema. “Há uma bomba. Vocês têm trinta minutos”. Trinta minutos. O alerta. A desconfiança. Há que seguir o protocolo. É isso o que ensinam no treinamento de segurança. Há que examinar. Melhor tentar, errando, que não fazer ada. O alerta. O agente. A comoção. A insistência. A mochila debaixo do banco. O gordinho corre, corre. Avisa ao pessoal da produção. O agente antibombas chega. A mochila examinada. O gordinho faz cara de que sabia de tudo. Orgulhoso por ter avisado. A bomba. O alerta. O afastamento da multidão. Gritaria. Correria. Bum! A gritaria. Sangue e gritaria. O agente ferido. O gordinho no chão. O susto. Gritaria. Sirenes. Luzes. O agente no chão ferido. A mulher morta empapada em sangue. O pandemônio. A noite que não se esperava. O gordinho ciente de tudo na expressão tranquila de ajuda. A confusão e a tontura no meio da confusão. E era para ter pedido dispensa pelo mal estar. O oportunista. Você é um herói. A entrevista. O tímido gordinho entrevistado como herói de uma noite trágica. O funcionário do escritório vendo tudo. “Good for you, Radar!”. Há alguém que quer conversar com você. Diretor de editora famosa e conhecida. Vamos tomar um café. Imagina só. Um monte de perguntas. Querem publicar um livro com a história. Disseram que fazem as perguntas. A resposta e o contrato. A fama e o sucesso. Imagina só! Ainda pagam para não escrever nada. Só contar a história. E a mãe preocupada com a comida. deve estar com fome. Imagina. Meu filho é um herói. Imagina só.  Basta contar a história, responder os questionários. Pagam pra isso! O dossiê na mesa do agente federal. A investigação superior. O tédio. A obrigação de estar onde não se quer. A observação. O dossiê. Há um suspeito. O reitor diz que não quer acusar ninguém. Há um suspeito.

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