A regra do jogo

É assim: não se pode ficar fazendo muitas comparações. O negócio é líquido e certo. Porque é, mesmo, um negócio. Ao fim e ao cabo, quase uma transação comercial. O interesse é mútuo e o caminho já vem descrito. Não é preciso carta de recomendação. A própria História da formação do grupo que avalia já é prova inconteste de que já se sabe o resultado de antemão. Há, no entanto, que manter as aparências. Quem é mesmo que disse… bem. Deixa pra lá. O ditado é que não se pode apenas ser honesto, há que parecer honesto, tem que parecer honesto Literalmente, não é assim. Mas o sentido é este mesmo. Então não há muito com que se preocupar. As veredas jurídicas são por natureza intrincadas. Uma vez traçado o caminho, quem já por lá passeou não vai ter dificuldade alguma de conduzir quem quer que seja pelo mesmo percurso. Delicadeza, acuidade e pose: três ingredientes irrecorríveis. É indispensável manter a calma. Então, a primeira avaliação é razoável, apenas razoável. Vai servir de parâmetro para as demais. E, principalmente, para os cálculos e simulações burocráticas a cumprir para que o resultado seja o esperado sem que para isso haja necessidade de comprovação. Certo é que sempre há um “ferrinho de dentista”. Mas é aquela coisa. Uma vez marcado, sempre marcado. quem abre a janela fecha todas as portas subsequentes. A “república” é mesmo uma aldeia. Todos se conhecem e o esprit de corps é como eminência parda: governo, enquanto a lei reina. Então. Com a primeira avaliação razoável, fica mais fácil pontuar pra cima e, assim, conseguir colocar em seu ugar aquele que para isso veio. O barema não tem jeito. É como luva: cabe ou não cabe. Isso é uma preocupação a menos. Juntar os pontinhos, fazer as contas e construir a primeira classificação. Nada difícil. É possível, por exemplo, arrogar a falácia do tangenciamento. Sempre funciona. De tão vago, o conceito não admita réplica. Quando muito, tentativa de mimimi. Isso passa. Arde na hora, mas passa. De leve. Outra possibilidade é, chamando o critério da soberania de quem juga, é possível também impor um critério a mais. O edital é claro: a soberania, irrecorrível. Pronto. Porteiras abertas para o gado do arranjo, do conluio e do desvio. É possível, por exemplo, dizer que foi necessário estabelecer um critério a mais: a contribuição futura. Ouro conceito “largo” e ensaboado na medida certa para impedir qualquer tentativa de recurso, por mais bem argumentado que se apresente. Uma variante desta possibilidade é criar o artifício da classificação individualizada. Cada um estabelece a sua lista tríplice. Na comparação entre os cinco, a recorrência determina a classificação final. Também muito simples e eficaz. Uma vez mais, a possibilidade de recurso se esvai, mesmo argumentada, por conta daquele medo antes referido. No fim, as continhas. aritmética simples. Mas é necessário atenção, muita atenção. Um centésimo ode alterar todo o quadro e trabalheira de confeccionar o enredo de modo tão delicado se esvai. Muita atenção. Sempre. Boa sorte!

2 respostas para “A regra do jogo”.

  1. Não consegui descobrir sobre o que você está falando. Apenas suponho. Melhor não revelar tais suposições, pode gerar incompreensão. De todo modo, o texto é bem construído. As usual.

    1. Use o método tentativa e erro. Suponha e eu digo se acertou ou não. ainda que eu acredite que você saiba exatamente do que se trata…

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