Memória

Faltou ver Bibi Ferreira interpretando Piaf, mas ainda assim, inesquecível a Fernanda Montenegro em Lágrimas amargas de Petra von Kant e soberba em Dona doida. Lágrimas sentidas ao ver o desenrolar do physique du rôle de Antônio Fagundes numa peça em que ele interpreta um professor que vai envelhecendo em constante digladio com o próprio filho, salpicado de “encontros” com sua falecida esposa; e mais que sedutor em Fragmentos de um discurso amoroso, sozinho no palco e, por instantes, trajando apenas cueca. Como esquecer Beatriz Segall flutuando entre palco e plateia na pele de Emily Dickinson? Da mesma forma que não dá pra apagar da memória a impecável atuação de Marília Pera em Brincando em cima daquilo. Rir a bandeiras despregadas com Marco Nanini e Ney Latorraca em O mistério de Irma Vap e repetir a dose com Rosi Campos e outra atriz (o nome escapa agora…) em Sereias da zona sul, apesar da autoria do texto. Cláudia, recentemente defenestrada em um programinha “de quinta”, mas inesquecível nos solos de Evita. Ficar em suspenso com Henriette Morineau subindo numa árvore estilizada, em cena aberta, em Cerimônia de despedida. As desejadas pernas de Marilena Ansaldi e Tales Pan Chacon em Escuta Zé. A vivacidade provocadora de Ruth Escobar em Torre de Babel. O inevitável deslumbramento com a montagem de Macunaíma, quatro horas de cena, com Giulia Gam e elenco numeroso. Natália do Vale à frente do elenco de A partilha, de novo, apesar da autoria do texto. Regina Duarte, magicamente imensa em La vida es sueño. Entre tantas outras, a montagem instigante de Vestido de noiva, sob a batuta do mineiro Wagner Assunção. E mais que a memória não deixa lembrar. A… o teatro, que saudade.

4 respostas para “Memória”.

  1. Acho difícil achar outra turma com tamanho talento nos dias de hoje, meu caro amigo! Infelizmente não pude presenciar as atuações no teatro, mas já assisti em outras mídias. Pagaria um bom preço para assistir Bibi Ferreira cantando “Non, Je Ne Regrette Rien” ao vivo… oh se pagaria. Abraços

  2. Nem fale! Que falta nos faz o teatro “de verdade”. Não vi toas as peças citadas. Já algumas me deletaram, mesmo as que me fizeram chorar. Vivo no tempo da saudade…

    1. Lembrei de mais uma: “La nonna”, com Cleyde Yabonis.

    2. Pois é, meu caro! Lembrei-me de outra pealarem vista: “La nona”, com Cleyde Yaconis. Um portento. Faz tempo que não vou ao teatro. A última vez foi em 2018 ou 2019, em São Paulo, para ver a última apresentação de “Casa de bonecas2”, texto de um dramaturgo norte-americano, subvertendo a ordem no/com/do texto original. Elenco encabeçado por Marília Gabriela. Um deslumbramento! Abraço e bom final de semana!

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