Assistência autorizada

Então é assim. Você compra fones de ouvido de uma marca famosa e já “assentada” no mercado. Quando você vai usá-los, você só escuta do lado esquerdo. O que você faz? Você procura por uma assistência técnica “autorizada”. Então você agenda o encontro – afinal, em tempos de pandemia há que lavar as mãos a cada cinco minutos, usar máscara até pra tomar banho e, se possível, acorrentar-se ao pé da cama, em casa, para não sair (viver é colocar os outros e a si mesmo em risco…). Você leva os fones de ouvido até a assistência técnica e os deixa lá. Volta pra casa com uma OS (Ordem de Serviço – a preguiça assola o continente) e aguarda a mensagem eletrônica dizendo que você pode ir apanhar os fones de ouvido. No dia aprazado, você vai e recebe os fones de ouvido. testa-os na própria assistência autorizada e… milagre! Eles funcionam. Você volta pra casa satisfeito. Usa os fones de ouvido por um bom tempo. Daí, um dia, sem mais nem menos, os fones de ouvidos não mais se conectam: nem ao seu MacBook Pro, nem ao seu iPhone 11 XSMax, nem ao seu Ipad 10,5”. Nada. Você faz novo agendamento e, no dia marcado, você volta à assistência técnica autorizada. Sem se esquecer de todas as medidas protocolares de segurança sanitária. Relata o que aconteceu. O rapazinho que atende você (são todos rapazinhos, com cara de espertos, olhando pra você como se você fosse o conde drácula pelado na frente deles, com a língua de fora, falando em aramaico antigo… com sotaque!), se enche de todo o desdém que é capaz de reunir, arregala bem os olhos e diz que vai testar o aparelho. E;e o faz e… nada. Você levou seu MacBoojk Pro e seu iPhone 11 XSMax e seu iPad 10,5”. Testa em todos eles e nada. Então, decepcionado, o rapazinho é obrigado a fazer outra OS e dispensar você. Para alívio dele mesmo. No dia aprazado, você volta para apanhar os fones de ouvido. Testa em seu iPhone 11 XSMax e… nada! Não funciona. Testa no iPad 10,5” e… nada. Não funciona também. Porra nenhuma funciona! Você se esqueceu de levar o MacBook Pro. Fazer o quê, né?! A menina que atendeu você, no balcão pergunta se está tudo bem. Ela ouviu os impropérios que você balbuciou enquanto tentava fazer o trubisco funcionar como deveria. Pede pra você aguardar que ela vai chamar um técnico. O gerente da assistência autorizada aparece e faz de conta que está preocupado. O mesmo atendente da última vai atender de novo e já faz cara de susto. Mais testes. Nada. Mais testes ainda, Os fones de ouvido funcionam com o celular do atendente. Depois funcionam com o iPhone 11 XSMax e com o iPad 10,5”. Você vota pra cada desconfiado (Não dá pra acreditar na providência divina numa hora dessas). Chega em casa, os fones de ouvido funcionam até o dia seguinte. Depois… bem, é a mesma história. Então você apela para o “suporte” na página da marca famosa e bem estabelecida no mercado. Um contato é mercado para o dia seguinte. Bidu. O telefonema acontece. Você conta toda a novela de novo. O rapazinho, com sotaque carregadíssimo, (o número de telefone é de Houston, Texas, EUA, mas a voz é de alguém que deve ter nascido em Pindamonhagaba ou em Piraju), muito educado e solícito atende você pede “um minutinho, por favor”! Você espera. Ele volta a atender e diz que consultou seu “superior” e que este vai atender você, mas como o “sistema” dele caiu, o “superior” vai “resetar” (Será que o rapaz com sotaque carregado não sabe que existe um termo na Língua de Camões que diz a mesma coisa: reiniciar???). Você aguarda os “minutinhos” pedidos e três horas se passam sem você receber de volta o telefonema do “superior”. Então você resolve fazer todo o caminho de novo, no “suporte” da marca famosa e bem estabelecida. O “sistema” leva você diretamente a um contato telefônico e outro rapaz, igualmente educado e solícito atende até que passa a ligação para o “suporte avançado”. A mocinha com sotaque igualmente carregado (Desta feita, é alguém que nasceu na Mooca ou no Pari) atende você e pede um dia para ela fazer contato com a assistência autorizada, com o seu gerente e retornar a falar com você. Um dia antes do prazo determinado pela mocinha com sotaque igualmente carregado marcou, ela mesma liga. Explica que a assistência técnica afiançou que não há NADA de errado com os fones de ouvido que você comprou e pergunta se seus dispositivos estão atualizados. Imagina só a reação! Daí ela pergunta se você pode “acessar” o Macbook Pro. Claro! Cumpre as etapas que você cumpriu incontáveis vezes desde a última vez que os fones de ouvido se conectaram. Imagina o que acontece. Os ditos cujos se conectam e funcionam. Não vou dizer qual foi o desfecho da história. Mas de tudo fica uma lição: não adiante quão famosa, tradicional, bem estabelecida e “confiável” a marca seja: a responsabilidade pelo bom funcionamento ou não do produto é sua. “Não podemos fazer mais nada”!

2 respostas para “Assistência autorizada”.

  1. Nem vou lhe contar o que aconteceu entre o técnico especializado da Motorola e eu…

    1. A gente conta e reconta pra ver se desopila o fígado. E não adianta. Não adiantava e vai continuar não adiantando.

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