O fim

Hoje é o primeiro dia do início do fim do ano. Mais um. Tudo igual. A mesma cantilena. É a época do ano de que menos gosto, mas fazer o quê? Amanhã, já vou providenciar o bacalhau para a noite do dia 24, como é costume aqui em casa. Aproveito para comprar umas jujubas de que tanto gosto. Com parcimônia, porque o diabetes é um demônio que ronda a gente com vigilância mais que canina… Assim, resolvi fazer a postagem de hoje com um texto que já deve ser conhecido de tão “rodado” na rede. Fazer o quê? É só pra matar o tempo mesmo e tentar não deixar pesar o “clima”… O texto não é meu e desconheço a autoria, por isso está entre aspas. Aí vai:

“Estou indo embora. Não há mais lugar para mim. Eu sou o trema. Você pode nunca ter reparado em mim, mas eu estava sempre ali, na Anhangüera, nos aqüíferos, nas lingüiças e seus trocadilhos por mais de quatrocentos e cinqüentas anos. Mas os tempos mudaram. Inventaram uma tal de reforma ortográfica e eu simplesmente tô fora. Fui expulso pra sempre do dicionário. Seus ingratos! Isso é uma delinqüência de lingüistas grandiloqüentes!… O resto dos pontos e o alfabeto não me deram o menor apoio… A letra U se disse aliviada porque vou finalmente sair de cima dela. Os dois pontos disseram que sou um preguiçoso que trabalha deitado enquanto ele fica em pé. Até o cedilha foi a favor da minha expulsão, aquele C medroso que fica se passando por S e nunca tem coragem de iniciar uma palavra. E também tem aquele obeso do O e o anoréxico do I. Desesperado, tentei chamar o ponto final pra trabalharmos juntos, fazendo um bico de reticências, mas ele negou, sempre encerrando logo todas as discussões. Será que se deixar um topete moicano posso me passar por aspas?… A verdade é que estou fora de moda. Quem está na moda são os estrangeiros, é o K e o W, “Kkk” pra cá, “www” pra lá. Até o jogo da velha, que ninguém nunca ligou, virou celebridade nesse tal de Twitter, que aliás, deveria se chamar TÜITER. Chega de argüição, mas estejam certos, seus moderninhos: haverá conseqüências! Chega de piadinhas dizendo que estou “tremendo de medo”. Tudo bem, vou-me embora da Língua Portuguesa. Foi bom enquanto durou. Vou para o Alemão, lá eles adoram os tremas. E um dia vocês sentirão saudades. E não vão agüentar!… Nós nos veremos nos livros antigos. Saio da língua para entrar na História.

Adeus,
Trema.

Uma resposta para “O fim”.

  1. Delícia de texto. Não rodou tanto assim, eu não conhecia, ora pois! Já sinto saudade do trema há algum tempo… Nostalgia própria dos derradeiros anos de vida.

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