Realidade e ficção: tênue limite

A mulher cumpriu vinte anos de prisão por assassinato. Sua irmã, mais nova, criada por ela – a mãe morreu e o pai suicidou-se – foi adotada por uma família. Durante os anos de cadeia, a mulher escreveu inúmeras cartas para a irmão, através do serviço social. Jamais recebeu uma resposta. Os pais adotivos da menina guardaram todas as cartas, mas jamais mencionaram nada acerca da irmã presa. A irmã mais nova foi criada sem saber se a irmã está viva ou morta. Saindo da prisão, a mulher, tenta fazer contato com a família. A resistência é grande. A atitude dos pais adotivos está correta? A mulher, depois de solta, tem direito de procurar a irmã? A “justiça” pode impedir o reencontro das irmãs? Os pais poderiam ter feito o que fizeram com as cartas da mulher para sua irmã mais nova? O drama está armado. Todas as outras nuances possíveis parecem fenecer diante do impasse que se cria. A subjetividade de pais adotivos, de advogado e de mulher assassina são componentes fortes num drama que ultrapassa a mera ficção sentimental. A simples consideração de um fato, recortando as circunstâncias à luz da perspectiva de apenas um dos lados da questão não parece ser a melhor solução. Justificar o assassinato que premeditou too o resto é impossível, por óbvio. Aceitar, sem mais, que as irmãs têm o direito a se reencontrarem pode parecer uma solução demasiado redutora. Deixa que a acriança adotada jamais saiba de seu passado também não parece ser razoável. Como desfazer o nó? acrescente-se a isso a vingança desejada dos filhos da vítima da mulher assassina, inconformados com o fato dela estar livre com apenas 20 anos de cárcere.  Isso também aumenta o nível de pressão que os aparentes paradoxos engendram. a narrativa não é simples. O enredo, um tanto mais complexo que o cotidiano de cada um dos envolvidos – um defensor da nova linguagem “inclusive” vai me boicotar aqui por conta deste plural correto, gramaticalmente –, parece aproximar-se de m dramalhão. Não necessariamente acontece assim. Em algum lugar, aqui por perto, foguetes espocam no ar por conta de um jogo de futebol. O maxilar inferior, do lado direito, dói um pouco depois de um implante a meio caminho de sua conclusão. Amanhã é quinta-feira. O Natal se aproxima e, com ele, a mesma sensação de festa desfeita, ou estereotipada, falsa, uma casquinha de papel celofane a envolver um iceberg em chamas. Paradoxo. Há quem chame a isto poesia. Há outros nomes possíveis, mas a preguiça…

2 respostas para “Realidade e ficção: tênue limite”

  1. Pode ser ficção – ou pura verdade sobre o assassinato. Fato é que a história poderia ter sido terminada, por instigante que é – haja vista as inúmeras perguntas feitas ao longo da narrativa. Tudo pode acontecer, por mais inverossímil que pareça. Senti falta da história completa. Por que não fazer uma continuação? Fiquei curiosa! Essa assassina me instiga!

    • A continuação não existe. Não pode existir… aqui! Trata-se de resenha de um filme. Vi o filme. Gostei imenso. Resolvi fazer a resenha assim, meio sinopse, meio ficção. Pra incomodar quem ler (Se é que alguém, para além de você, vai fazê-lo!). Parece que consegui. Trata-se do “último”(?) filme estrelado pela macérrima (Cada vez mais… ô dó!) Sandra Bullock. Vale muito a pena ver. Está no Netflix.

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