Acaso

Acabei de ver um filme interessantíssimo. Seu nome? Berlim, eu te amo (2021, dirigido por Dianna Agron, Massy Tadjedin e Stephanie Martin). No Amazon Prime. A classificação é romance/drama. Não sei se cabe. Também não sei até que ponto essas classificações são, realmente, eficazes. Tenho sérias dúvidas. Tudo muito subjetivo. O que mais me assustou no filme foi ver Mickey Rourke. Levei uns quinze minutos para reconhecê-lo. Quase um monstro. Quem se lembra dele em Nove semanas e meia de amor ou em Coração satânico, não vai acreditar. Vai até se assustar. No entanto, isso é apenas um detalhe, absolutamente dispensável. Ele protagoniza um dos episódios do filme que trata do reencontro (às escuras?) de pai e filha, separados há anos por conta do afastamento dele. Sem saber que é sua filha, o homem leva a moca, sedutora e sexy, para o quarto de hotel em que se hospeda. A moça se oferece a ele, mas imediatamente se arrepende. Vai embora e deixa mensagem no espelho do banheiro: “I forgive you, dad”. Isso. O corriqueiro, o banal, o inesperado, o comum, o repetitivo, o entediante, o revelador, o triste, o trágico, o suspeito, o rancoroso. Todos são sentimentos, experiências, sensações percepções de real que alimentam a narrativa plurifacetada deste filme, muitíssimo interessante. Interessantíssimo. No fundo, como anuncia o título a protagonista é a cidade de Berlim que, ao fim e ao cabo, não “aparece” tanto assim. Alguns relances. Uns tantos recantos em nada e por nada turísticos. O que importa é o que acontece na cidade. de novo, nada de extraordinário. A narrativa do filme é composta por episódios que se cruzam circunstancialmente e apenas assim. As personagens de cada um dos episódios não se relacionam a não ser com seus pares contextualizados no mesmo episódio. A fórmula pode ser batida, mas o resultado é leve, sedutor, comovente. Helen Mirren comparece logo no primeiro episódio. Faz a mão de uma menina que vem de Londres para construir sua “própria” vida e trabalha com menores refugiados. Vejam o filme para ver o que acontece. Há a mocinha que encontra seu grande amor por acaso. A outra que vai tocar violão na praça em que está um anjo (estátua viva). A prostituta que protege um assassino árabe. O suicida que se apaixona pela pessoa mais improvável. O tocante episódio do adolescente, no dia de seu aniversário. Ele pede um beijo enquanto espera o pai que não aparece. O beijo é dado por travesti saído de uma noitada de fim de semana inteiro, depois de brigar com seu namorado. Tudo muito casual, blasé, mas intenso, vertical, incisivo. quase cirúrgico. Não conheço boa parte do elenco. No fundo, o que “acontece” não interessa. “Como” acontece é, me parece, a chave mestra para abrir esta caixa de Pandora do bem. Do bem porque se refere, sempre, à existência humana e suas nuances. A humanidade em suas multifaces coloridas ou nem tanto. As circunstâncias independentes de uma cidade que evoca tanta coisa e não consegue abarcar tudo o que nela se passa. Não é um conto de fadas. Também não é uma cínica declaração de amor a um grande centro metropolitano tão rico, tão controverso, tão complexo. No entanto, a sinceridade com que o roteiro aponta para o fluir dos acontecimentos conta com a competência dos diretores e do desempenho muito consistente dos atores. Todos eles.  Jamais ouvi falar dos diretores. Bem… não sou cinéfilo. Só sei que vi o título na ementa do Amazon prime. Pensei num filme similar de Woody Allen e de outro que vi há muitos anos com Gena Rowlands, já não me lembro o título do filme. Segui o impulso. Vi o filme. Gostei. Vale a pena!

Uma resposta para “Acaso”.

  1. É uma série? Não gosto de séries, mas deu vontade de ver. Sua análise é instigante. Vou agendar. Obrigada. Beijinho.

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