Infância (de verdade!)

Ando pensando em coisas que, aparentemente já não têm importância. Coisas que aprendi. Coisas que me mostraram. Coisas que faziam parte da vida de qualquer menino ou menina (Sim, só esses dois, menino e menina! O resto é invenção de gente descerebrada que não tem o que fazer a não ser encher o saco dos outros com suas boçalidades!). Pois é… Coisas. Nessa onda de memórias afetivas e afinidades eletivas, recebi por e-mail o texto que segue. Desconheço a autoria, como também disse o emissor da mensagem que recebi. Compartilho por causa das… coisas!
“Naquela época, tirava notas azuis e morria de medo de notas vermelhas no meu boletim: tinha que ser acima de 7. Naquela época, não tínhamos bolsa família, tínhamos uniformes. O material escolar era comprado pelos nossos pais, com muito suor! Calçado era Vulcabrás, Conga, Ki Chute, Bamba… alpargatas. Não tínhamos celular… As pesquisas de escola eram feitas em bibliotecas públicas e nas enciclopédias… O trabalho era escrito à mão e em folha de papel almaço. A capa era feita com papel sulfite. Tinha dever de casa pra fazer. A Educação Física era de verdade… Tínhamos carteirinha pra dizer presente, ausente e atrasado. Ainda cantávamos o Hino Nacional no pátio, antes de ir para a sala de aula. Teve uma época em que tínhamos aulas de Religião, Educação para o lar, Educação Moral e Cívica! Os dentistas iam à escola para aplicar flúor e ensinar os cuidados com a higiene bucal. As professoras olhavam nossas cabeças e mandavam recados para as mães de quem tinha piolhos. Na escola tinha o Gordo, a Magrela, a Branca Azeda, o Quatro Olhos, a Baixinha, a Olívia Palito, o Palitão, o Cabelo Bombril, o Negão, o Periquito, o Narigudo, a Girafa e por aí vai… Todo mundo era zoado; às vezes, até brigávamos, mas logo estava tudo resolvido e seguia a amizade… Era brincadeira e ninguém se queixava de bullying. Existia o valentão, mas também existia quem nos defendesse. Trauma? Nunca ouvimos essa palavra. O lanche era levado na lancheira ou dentro de um saco de pão. Época em que ser gordinho(a) era sinal de saúde e, se fôssemos magros, tínhamos que tomar o Biotônico Fontoura. A frase “peraí mãe” era para ficar mais tempo na rua e não no computador ou no celular… Colecionávamos figurinhas, bolinha de gude, papéis de carta, selos! As brincadeiras eram saudáveis. Brincávamos de bater em figurinhas, e não nos colegas e professores. Adorava quando a professora usava mimeógrafo e aquele cheiro do álcool tomava conta da sala. Na rua era jogar bola, queimada, pular corda, subir em árvores, pular elástico, pique-esconde, polícia e ladrão, andar de bicicleta ou carrinho de rolimã; soltar “papagaio” (ou arraia ou pipa) e ficar na rua até tarde. Muitas vezes, com a mãe tomando conta, sentada no portão, ou com as vizinhas (grandes amigas), conversando alegres… Comia na casa dos colegas e ao chegar em casa, tomava bronca por isso (“Não tem comida em casa?”). Não importava se meu amigo era negro, branco, pardo, rico, pobre, menino, menina: todo mundo brincava junto. E como era bom! Bom não… era maravilhoso! Assistia ao Pica-Pau, Tom e Jerry, Pantera Cor de Rosa, Papa Léguas, Sítio do Pica-Pau Amarelo, Corrida Maluca, He-man, o Gordo e o Magro e vários outros… Que saudades desse tempo em que a chuva tinha cheiro de terra molhada! Época em que nossa única dor era quando passava Merthiolate nos machucados… Felizes, em comparação com esse mundo de hoje, onde tudo se torna bullying. Nossos pais eram presentes, mesmo trabalhando fora o dia todo. Educação era em casa, até porque, ai da gente se a mãe tivesse que ir à escola por aprontarmos. 
Nada de chegar em casa com algo que não era nosso, desrespeitar alguém mais velho ou se meter em alguma conversa. Xiiii… Era um tapa logo, ou só aquele olhar de “quando chegar em casa conversamos”… Tínhamos que levantar para os mais velhos sentarem, pedíamos a benção. Fico me perguntando: quando foi que tudo mudou e os valores se perderam e se inverteram dessa forma? Se você também é dessa época, copie e cole no seu mural, mude o que for necessário. Copiei e colei, não tive muito o que mudar pois foi exatamente assim que vivi minha infância. Claro que tive um sorriso no rosto, enquanto lia esse texto e relembrei de vários bons momentos… Quanta saudade, quantos valores, que para esta geração não valem nada! Grato por tudo que vivi e aprendi. Fui muito FELIZ e sobrevivi!!! Um tributo a todos que vivenciaram tudo isso nos anos 40/50/60/70/80 do século passado!

2 respostas para “Infância (de verdade!)”.

  1. Tinha uma brincadeira de que gostávamos muito. O despertar da sexualidade: pera, uva ou maçã, lembra? Ótimos belos dias!

    1. Uma delícia… inesquecível!

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