Óbvio

Lá do outro lado, um oceano e um mar depois, vive-se num país interessante. Por volta das dez e meia da noite, todos os dias, menos aos domingos ouve-se na rua a chegada de um caminhão. Em seguida, um barulho rouco, fundo, seguido de um guinchado e depois, de novo, o mesmo barulho rouco, fundo. Todos os dias, mais ou menos à mesma hora, com exceção dos domingos. É a colheita do lixo, orgânico em sua maioria. Isso porque papel plástico e vidro têm recipientes em quase todas as esquinas dos bairros, próprios e específicos para recolher estes materiais.

Também do ouro lado, menos um mar, vive-se em outo país também interessante. Ao perceber a necessidade de recapeamento das pistas de uma avenida movimentada em um bairro eminentemente residencial, afastado do centro da cidade, o administrador público precede à obra. Primeiro uma das duas pistas de um lado, em toda a sua extensão. Quando as máquinas começam a se aproximar do fim deste trecho, atrás delas vêm outras máquinas a fazer o mesmo preparo na segunda pista do mesmo lado. Assim que a segunda pista está por ser concluída, outras máquinas entram em ação a pintar a sinalização de piso. Quando esta pintura se aproxima do final do trecho, começa tudo de novo. Agora, do outro lado da avenida, mas na mesma ordem, com o mesmo ritmo, seguindo as mesmas diretrizes. Em pouco tempo o serviço está completo. Eu chamaria a isto de racionalidade na execução de um serviço público. Ou não.

Ao andar pelas ruas de Roma (notadamente, as que serpenteiam as partes mais antigas da cidade, aquelas em que se misturam miríades e miríades de “turistas”), nota-se que os postes de luz, como por aqui, quase não existem. de tantos em tantos metros, vê para galerias que remontam ao Império. Por elas correm as fiações de energia elétrica, telefone e internete. E com sucesso.

Essas considerações me ocorrem quando escuto os pedreiros que trabalham na casa ao lado (Não é a residência do tédio… Quem leu minha postagem de ontem vai entender!). Depois das paredes levantadas e rebocadas, os pedreiros começam a quebrar as mesmas paredes nos trechos em que serão instaladas as tubulações de água e energia elétrica. Não é uma burrice? Será que engenheiros e arquitetos (Atenção para os chatos de plantão! OS plurais aqui englobam homens e mulheres viu!!!) que se gabam tanto de estarem “conectados” ainda não se deram conta de que já pode ser possível determinar onde essas tubulações irão passar e, nos projetos de execução, tais localizações já estrão indicadas, fazendo com que os pedreiros não precisem desfazer o que fizeram, por não terem feitos, antes, com a previsão possível? Ficou difícil de entender? É só parar de pensar em modernidades e pensar um pouquinho!

Isso e outras coisas me fazem pensar que, apesar de todo o “desenvolvimento”, o ser humano anda pra trás, sobretudo quando se trata de se oferecer para gerenciar a prestação de serviços públicos, para criar leis, para a manter a segurança pública, para escolarizar a população que deseja estudar, para isso… para aquilo…

Uma resposta para “Óbvio”.

  1. Tenho pensado muito no tal plano de saúde que está prestes a “mudar” ou acabar. A saúde da população não é DEVER DO ESTADO, segundo a Constituição? Triste país o nosso, que não quer cuidar dos aposentados, gente que contribuiu para o crescimento desse mesmo ESTADO…

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