Lusitanidades

Acabei de ler os dois últimos livros escritos por um simpático e jovem escritor português, o João Tordo, a quem tive o prazer de conhecer em Zagreb, entre 2008 e 2010, quando lá vivi. São eles: Ensina-me a voar sobre os telhados e A mulher que correu atrás do vento, respectivamente. Dele já tinha lido […]

Machado, de novo

Acabei de reler Dom Casmurro e estou terminando a leitura das obras de Santa Tereza d’Ávila, cheguei à “Quinta morada” hoje. Creio não ser possível, assim, de cara, sem mais nada, estabelecer qualquer relação entre os dois textos. Um é cético, a outra, fervorosa in extremis. Nem vou tentar. Peguei agora essa mania de ler […]

Dois poemas

Saudade Vilegiatura luminatrix suavíssima, ela ficava sentada bem encurvada a fazer palavras cruzadas. E o tempo passou. Com sorriso franco, semblante marcado pela experiência acumulada, ela vingava todas as predições em contrário e seguia a fazer bolo, biscoito e carne, a contar casos, a chorar de saudade e jamais reclamar, a não ser na excruciante […]

Achados e perdidos

Entre uma e outra aula, às vezes, a gente deixa a cabeça voar pelos infinitos campos do pensamento e o espírito plana no planeta palavra. Os astros são poucos, mas os corpos celestes inúmeros, como elas, as palavras. Surpreendentes coisas/entes de utilidade múltipla, de malícia aliciante, cuja abrangência não tem limites, não e pode medir. […]

Tédio

Houve um tempo em que os estudantes usavam uniforme. Todos iguais nas filas formadas para entrar em sala de aula. Filas imensas, organizadas por altura, começando dos mais baixos. Em colégios confessionais, como o Salesiano, por exemplo, antes de entrar para as salas de aula, um padra fazia uma pequena prédica – geralmente versava sobra […]

Reler Machado II

Na releitura que estou fazendo dos livros de Machado de Assis, algumas coisas se confirmam. Outras passam desapercebidas, como é de se esperar. Há, porém, ideias (para mim) novas. Definir “novo” é de uma dificuldade imensurável, quase impossível. A cada instante, o conceito se renova e se alarga. Pois bem. A primeira ideia que me […]

Reler Machado I

Na tentativa de completar a releitura dos romances de Machado de Assis (na segunda etapa, se conseguir vencer a preguiça, é reler a contística toda), deparei-me com uma ideia que, imagino, está longe de ser original. Nos quatro primeiros volumes Ressurreição (1872), A mão e a luva (1874), Helena (1876) e Iaiá Garcia (1878). Lívia, Guiomar, Helena e Iaiá são as protagonistas incontestes. […]