Categoria: Romance

  • 24

    Quinhentos e oitenta e sete quilômetros. A distância entre dois sonhos atravessados pelo tempo. Uma estrada longa para o compêndio de experiências que se acumulam e se revisitam e se repetem. A percepção é outra, mas se repetem. Duas capitais. Duas cidades. E o projeto de voltar  a um passado não esquecido, postergado. As vicissitudes […]

  • 23

    A delicadeza do arranjo de frutas na mesma de café da manhã. Uma imagem inadequada para o percurso que chegou ao ponto que chegou. Cada gomo de mexerica devidamente limpo daqueles fiapos brancos. Cirurgicamente limpos. Sua disposição entremeada com uvas passas criou a ilusão de girassóis visitados por abelhas. Uma pequena cumbuca, não mito funda. […]

  • 22

    Lili. Já vai longe a memória de Lili. Um cometa. Apareceu, passou e sumiu no céu do esquecimento. Lili, a arquiteta. Lili que recebia bem. Apartamento pequeno. A decoração depois da reforma: expressão do talento arquitetônico de Lili, Lili, arquiteta do serviço público. O apartamento pequeno, aconchegante. Os talheres de prata, a baixela de porcelana, […]

  • 21

    Os ecos da colônia: passos empoeirados no lajedo – mistura de pedra sabão e pedra são Tomé – guarda de uma História que jamais vai ser contada. as palavras trocadas entre as paredes caiadas. O pranto silente que evanesce em vapor do espírito e sobe. O teto com ferro de esteira absorve, mudo, o passar […]

  • 20

    E a mesma sequência em repetição. Uma, duas, tantas incontáveis vezes. A mesma repetição. Ora para um lado, ora para outro. E o sangue de Jaime escorrendo. Abundante. E o chicote rasgando o ar, Mais um, mais dois. O castigo de cem chicotadas pelo testemunho de um crime. Não poderia haver punição para um superior. […]

  • 19

    As salas empilhadas como caixotes num depósito. Miríades de caixotes em corredores tortuosos e estreitos. Um andar acima do outro. Biblioteca empoeirada. Livros velhos, de bibliografia básica jamais retirados, há mais de quinze ano nas prateleiras. Pó. Burocracia. Caras e boca em discursos ensaboados e desgastados, sem sentido, vazios. as salas empilhadas. Muitos maçons e […]

  • 18

    Lisboa. O céu azul de Lisboa. Chegar a Lisboa é como entrar em casa, depois de uma viagem muito bem sucedida. O estar em casa que nunca se esgota, Sob um azul lilás, quase roxo, circundando o céu da cidade. Lisboa e o Tejo. O rio mar. Lugar comum que não tira o prazer de […]

  • 17

    Sábado. Noite de sábado. Sábado à noite, era mais explícito. Título de música, até. Dia de dormir à tarde. Ficar de bobeira em casa. Tomar um bom banho. fazer a barba. Sair de casa. O trabalho só volta na segunda. A faculdade ficou pra trás, na manhã do mesmo sábado. À noite, a fantasia. Os […]

  • 16

    A bandeja sobre a mesa cinza. Uma peça de prata antiga em forma de coroa. A cerâmica pintura em fundo branco a realçar a mesa. Sem saber o que estava por vir. A mesa, na sala azul, os convidados chegando. Eram quatro. Duas a duas. Com um irmão entre os dois grupos. Vivaz e falastrão. […]

  • 15

    Gordinho. Bem ao gosto da cultura lá de cima. Gordinho e com bochechas rosadas. Barriga enorme e um bigodinho safado, Tudo num rosto quase angelical de criança tímida. Como era. Observador. O funcionário o escritório quis fazer gozação com ele e se deu mal. Tudo que o funcionário queria, o gordinho já tinha providenciado. Radar, […]