Dúvidas

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De repente, a notícia se espalha como fumaça. Rapidamente, a opinião pública, alarmada, ouve, vê fotos, assiste vídeos e escuta comentários e análises de “especialistas” sempre de plantão para dar a explicação cabal de tudo. O que se vê, de fato, é a falta de qualquer coisa de fundamental. De alguma coisa que deveria estar no começo de um processo, algo que inicia este processo e dá consistência a seu desenvolvimento. Pode ser que a palavra EDUCAÇÃO reúna as condições semânticas e discursivas necessárias para identificar a tal coisa que falta. Não sei… A complexidade que marca este processo é por demais multifacetada e me põe em dúvida se seria mesmo possível reunir todas as idiossincrasias de tal processo numa única palavra. De um jeito ou de outro, é lastimável ver magotes e magotes de pessoas comuns – nada de mascarados, pedintes, criminosos ou marginais – pessoas comuns saqueando lojas a esmo, pelo aparente prazer histérico, perverso e doentio de saquear. Isso mesmo, saqueando. Se eu escrevesse roubando, alguém poderia me acusar de sectário. Poderia dizer que sou um coxinha desinformado. Como disse alguém que conheci e que destruiu trinta anos de amizade comigo por nada, eu seria um Clodovil da academia. Não comento mãos sobre isso porque não me interessa agora, aqui. Pois bem. Os saques que aconteceram, mereceram da mídia o relato quase patético de um sujeito que se diz arrependido e que devolveu à loja o que roubou. Será mesmo? Terá mesmo devolvido TUDO o que roubou? Qual o motivo do arrependimento? Ou seria medo de ter sido flagrado por câmeras jornalísticas e, com isso, correr o risco de ser identificado e indiciado por furto. Ou seria roubo? Não sei, agora, a diferença jurídica entre um e outro termo. O fato permanece. Muita gente fez isso. Não sei se os policiais militares têm raão. Não sei se as “autoridades” têm razão. Não sei se existe razão. O que penso é que tem muita coisa errada. Penso que o Brasil está vivendo momentos muito, mas muito esquisitos. Penso que o que está acontecendo no Espírito Santo ou, pelo menos, em parte deste Estado, pode vir acontecer em outras paragens deste continente chamado país. Ainda não me sinto apavorado como muita gente lá pela região dos capixabas. Quem me garante que igual situação já não aconteceu ou está acontecendo – agora mesmo, enquanto escrevo – em outros cantos do rincão nacional…? Vai saber. Mas uma coisa é inegável> se fôssemos uma sociedade EDUCADA isso não estaria acontecendo…

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Gêmeos

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Terminou ontem a série “Dois irmãos”, construída “a partir” de obra homônima de Milton Hatoum. Faz um tempo que li o livro, mas ficou na memória que eu tendia a acreditar que o pai de Nael, o principal narrador do romance, é Yakub. Na televisão, o diretor resolveu deixar no ar a possibilidade – aparentemente mais concreta, por força das imagens televisivas – que o pai seria Omar. Nada de maniqueísmos. Apesar do contraste abissal e da impossibilidade de identificar qualquer similaridade plausível enre os dois irmãos – personagens-chave do romance – não há a menor possibilidade de aproximar o drama romanesco ao episódio bíblico de Caim e Abel, ainda que, ao final, os gêmeos façam referência explícita a uma possível “cena bíblica”. Bem… esta é a minha opinião, outro(s) leitor(es) pode(m) dizer exatamente o oposto. Adiante. A produção foi requintada, ainda que a minha chatice não se convença a abandonar a ideia de que houve certos exageros decorativos e comportamentais. Isso não tira o mérito e a impecabilidade de certas atuações: Eliane Giardini, na cena da morte de Halim, por exemplo… Já o exagerado conjunto de esgares e a babação de Cauã Reymond, pra mim que sou um chato, foi um tanto over. O ator que fez Nael adulto e, mesmo, o menino que fez a mesma personagem quando criança, merecem mais que os parabéns. Antônio Fagundes, bem, este é hors concour. O rapaz que faz os gêmeos quando adolescentes, em alguns momentos, não conseguiu diferenciar Yakub de Omar. No entanto, como “revelação”, merece cumprimentos protocolares. Ai como eu sou chato… Ao fim e ao cabo, fica a impressão de que a série não alcançou o nível de tensão narrativa que o romance alcança. Claro, como se trata de ficção “a partir de”, a circunscrição da série à trama romanesca fica fora de questão. Para não fugir do lugar comum, o livro, pra mim, em termos de narrativa, é infinitamente superior. Tal axioma não é regra irrecorrível… O romance conta a história de uma família de imigrantes libaneses na Amazônia, na primeira metade do século XX. A trama gira em torno das “memórias” de Nael, filho de Domingas a empregada da casa. Nada se diz sobre o pai desta criança. Talvez seja possível especular sobre traços autobiográficos a compor o narrador, dado que faz reiteradas afirmações sobre o ato de escrever, como algo que constrói a memória que o tempo destrói por influências diversas, enclisive de pecados “a cometer”. Halim, o pai dos gêmeos funciona, em certas passagens como segundo narrador, a trazer para Nael suas recordações de quando da chegada a Manaus e de seu estabelecimehto como comerciante. A perspectiva é sempre de Nael e o drama dos gêmeso transcorre sem que o narrador tome partido o que faz da narrativa um sucessão de sutilezas que só a Literatura consegie consolidar. Não há tecnologia televisiva igual ou suficientemente competente para isso. É “natural” na/da Literatura. Numa leitra subliminar, cdesenvolve-se exteso discurso acerca da amizade que une Nael e Halim. Talvez seja o motivo inconsciente para eu escrever hoje, aqui. Tenho pensado nos meus amigos. Naqueles que já se foram. Naqueles que eu não procuro. Naqueles que sentem falta de mim. Para todos eles, o meu afeto sempre, sincero e constante. Não digo eterno, porque eu não sou eterno. Os meus amigos me conhecem e sabem que, por vezes, fico alheio a quase tudo, menos a eles. Fica sempre o silêncio eloquente do afeto…

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Pateticamente triste

Tomo carona num texto que – dada minha proverbial afecção da síndrome de Macunaíma -, a meu ver, sintetiza bem o que penso sobre o assunto. Faltam apenas três dias para assistir a custo altíssimo – em todos os campos da atividade humana -a um show que poderia ter sido e que não foi… Ai que saudades de Manuel Bandeira…

 

Enviado por Osvaldo Colarusso, 02/08/16 10:18:09 AM

Abertura da Olimpíada: no país de Villa-Lobos quem aparece é Wesley Safadão

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Cerimônias de abertura de Olimpíadas são frequentemente verdadeiros “shows de horror”, e o que está planejado para a abertura da Olimpíada do Rio de Janeiro na próxima sexta-feira parece mais uma vez confirmar isso. Existem poucas exceções, que, neste momento, valem a pena serem lembradas. Uma delas aconteceu em 2014 na abertura das Olimpíadas de inverno na cidade russa de Sochi. O mundo ficou encantado com um espetáculo que soube valorizar a arte e a cultura do país anfitrião de forma extremamente sábia. Foram lembrados os mais importantes criadores artísticos do país: escritores, compositores, cineastas, pintores, etc. Em “quadros vivos” lá estava o patrimônio cultural do povo russo: Dostoiévski, Nabokov, Kandinsky, Chagal, Eisenstein, Borodin, Tchaikovsky, etc. Se bem que havia uma propaganda sub-reptícia das “maravilhas” do governo de Vladimir Putin não houve a menor dúvida de que o que apareceu na abertura da Olimpíada de Sochi foi o riquíssimo patrimônio cultural russo. Na Olimpíada brasileira, porém, estamos longe disso: ao ver o que se está preparando para o show de abertura do evento no Rio de Janeiro percebo que o pensamento local é muito mais comercial e limitado, que alia uma gritante falta de bom gosto a uma ausência de visão do que se está perdendo: uma oportunidade única para se divulgar a nível mundial o que de mais rico existe em nossa cultura.

Oportunidade perdida

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Os bilhões de pessoas que assistirão o show deixarão de saber que o Brasil é a pátria de grandes expressões artísticas como Villa-Lobos, Portinari, Machado de Assis, e tantos outros. Essas pessoas, por culpa de uma organização tacanha, deixarão de saber que um dos mais importantes pianistas da atualidade é o brasileiro Nelson Freire. Talvez apareça algo do genial Tom Jobim, mas me pergunto: a MPB é a única coisa digna a se apresentar ao mundo e que seja valiosa em nosso patrimônio artístico? Se o Brasil fosse consciente do que ele realmente tem de precioso, e contasse nos “quadros pensantes” de nosso desmoralizado governo alguém mais preparado, mostraria numa certa altura do espetáculo o Coro e Orquestra do Theatro Municipal do Rio de Janeiro executando o final do Choros Nº 10 de Villa-Lobos, Nelson Freire tocando “A Folia de um bloco infantil” do Momoprecoce ou o grande Paulo Szot (estrela da Broadway e do Metropolitan Opera) cantando “Aquarela do Brasil” de Ary Barroso. E que beleza se a “Neojibá” (aquela notável orquestra jovem da Bahia) mostrasse na apresentação que nossas crianças não são apenas os decantados “trombadinhas” que aparecem diariamente na mídia, mas também podem ser exímios instrumentistas. Mas o que teremos no lugar disso? Com raras exceções (Caetano Veloso, Gilberto Gil) um lixo comercial caríssimo que ao mesmo tempo denigre o nível do evento e falseia para o mundo quem somos nós em termos culturais. A triste conclusão é mesmo que no país de Villa-Lobos quem aparece, num evento planetário, é Wesley Safadão. Lamentável.

Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/blogs/falando-de-musica/abertura-da-olimpiada-no-pais-de-villa-lobos-quem-aparece-e-wesley-safadao/

Instantes

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Eu ainda não tinha ouvido falar dele, ainda que seu nome não fosse totalmente desconhecido. Pelos inúmeros passeios entre as veredas da Literatura Brasileira, palmilhadas nas páginas de muitas de suas “Histórias”, seu nome ocorreu aqui e ali, na minha desatenta aventura de leitor. Um dia, assim, do nada, veio um convite de uma amiga de Niterói, a oferecer a oportunidade de participar de uma seleção para escrever uma recensão sobre um livro de poesia recentemente publicado no Brasil, a sair numa revista “de peso” da terra da António Nobre e Alberto de Oliveira, a Revistas Colóquio Letras – prestigiada publicação a cargo da Fundação Calouste Gulbenkian, cuja sede majestosa, em Lisboa, já tive o prazer de conhecer. Pois bem… Passados alguns dias, a mesma amiga de Niterói me informa que eu tinha sido O escolhido, dado que, no prazo estipulado, ninguém mais havia apresentado candidatura para o desempenho da tarefa. Segui as instruções: esperei o envio do volume de poemas, que seria feito pela prestigiada Fundação. Nada… mais alguns dias e o próprio poeta enviou-me o exemplar. Carlos Nejar é seu nome. O livro leva por título Odysseus, o velho. Foi uma surpresa mais que agradável. Um passeio delicioso pelos versos deste escritor gaúcho que até então não conhecia. O poema, longo e intrincado, vai “narrando” o retorno de Ulisses. Na maturidade, o herói revê suas posições e experiências, destila certa amargura, mas aconselha na mesma medida. Um texto rico, austero, soberbo. Fui “trocando figurinha” com ele, enquanto escrevia. Julguei terminado o trabalho e enviei para a pessoa indicada em Portugal. Mais alguns dias e ela devolveu-me o texto dizendo que eu deveria fazer uma “profunda e séria” revisão, dado que meu “estilo” era por demais “pessoal” e que as ideias circulavam o mesmo eixo de elogio e expressão opinativa de cunho subjetivo, o que deixava muito longe o horizonte de expectativas de uma “recensão”. Reescrevi, com preguiça, devo dizer. Submeti o texto a uma amiga para tornar o dito cujo mais o objetivo possível. Reenviei. Mais algum tempo e me veio uma carta dizendo que o texto não iria ser publicado porque não atendia ao que a revista esperava de um texto de tal natureza. Em outras palavras: não queriam o meu texto. Em mais outras palavras: diziam que meu texto não era acadêmico o suficiente… Já ouvi isso alhures…

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Foi assim que conheci Carlos Nejar. Mantenho, ainda que de maneira intermitente, certo contato com ele. Li dele um livro de ficção Carta aos loucos, que me deixou extasiado. No entanto, ainda não consegui vencer a preguiça e escrever a resenha desta narrativa deslumbrante, para além de poética, marca de todos os escritos do amigo gaúcho. Sim, ele é gaúcho. É pai de outro poeta muito conhecido nos dias que correm, Fabrício Carpinejar. Descobri que o pai, Carlos, escreveu um volume alentado História da Literatura Brasileira. Outra descoberta extasiante. Nejar escreve a “sua” História da Literatura Brasileira. Prosa leve, deliciosa, poética, delicada e incisiva. Nada parecida com o tom enfadonho que a tradição desse tipo de “História” costuma apresentar. Ele escreve a partir da própria experiência com e a partir da Literatura Brasileira. Ele leu os autores que comenta, por isso mesmo, sua opinião é tão incisiva, sem o ranço das “verdades secretas” que os outros livros de igual natureza costumam apresentar. Vai ver é por isso mesmo que sempre que cito o livro, sinto resistência, percebo narizes torcidos e esgares de desaprovação. Eu gosto do livro. É o que basta… pelo menos, para mim.

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Uma carta

Acabo de ler a carta que segue, enviada como mensagem por um amigo de quem gosto imenso, o Paulo Meyer. Não acrescento sequer um comentário. Com isso, não quero dizer que somente ele está certo e todo o resto da população brasileira, errado. O desabafo do médico, autor da carta, é mais que legítimo e tem sua razão de ser… Uma pena que tenhamos que ler coisas semelhantes a esta carta…

Guardadas as devidas proporções, trocando “médico” por “professor”, a situação parece muito similar… e não terá sido mera coincidência…

Leiam a carta (cuja autoria desconheço):

“Excelentíssima Sra. Presidente da República Dilma Rousseff

Permita-me a apresentação: na minha opinião eu sou um médico; na sua um “trabalhador da saúde”. Na minha opinião,medicina é cuidar de pessoas doentes; na sua é fazer “transformação social”. Eu penso em salvar vidas; a senhora em ganhar votos. Como podemos ver, a senhora e eu eu, não temos muito em comum à primeira vista mas existem na minha vida alguns fatos que a senhora desconhece.

Assim como a senhora,eu já fui marxista – e dos fanáticos! Brigava com colegas da faculdade no final dos 80 e inicio dos anos 90 para ver seu projeto de poder realizado. Caminhei ao lado daquele seu amigo que gosta de uma cachacinha e costuma ser fotografado com livros de cabeça para baixo..Conversei pessoalmente com o “poeta do sêmen derramado” que agora governa o Rio Grande do Sul..

Não tinha ideia correta daquilo que havia acontecido no Brasil entre 1964 e 1985. Imaginava, como a senhora quer fazer parecer até hoje, que tudo estava indo bem até que militares malvados que não tinham nada para fazer decidiram, com ajuda dos americanos, derrubar o governo brasileiro.

Eu só me dei conta, presidente, de quem Lula, a senhora e seu Partido-religião representavam quando comecei a trabalhar com a gente de vocês aqui em Porto Alegre a partir de 98. Duvido que eu estivesse mal-preparado, sabe? Eu já tinha feito 6 anos de faculdade, um ano de residência em Pediatria, um de Medicina Interna e dois de Cardiologia. Gostaria que a senhora visse em que lugar seus “cumpanheros” aqui dos pampas me colocaram para trabalhar…Imagino a senhora doente naquelas condições de segurança, higiene, espaço e administração que a ralé do PT do Rio Grande do Sul nos ofereceu.

A senhora tem ideia de como deve se sentir um médico ao ter seu estágio probatório avaliado por técnicos de enfermagem? A senhora sabe o que é receber, depois de tudo que se estudou na vida, ordens de enfermeiras, presidente? Em nome de que? Em nome de um delírio chamado “democratização da gestão”? Em nome de um absurdo chamado “controle social”??

A senhora tem alguma noção de quantas pessoas eu vi morrerem depois que esse seu partido de assassinos e mensaleiros terminaram com o resto da rede hospitalar brasileira “aparelhando” a gestão dela com uma legião de analfabetos, recalcados, alcoólatras e incompetentes que por oferecer uma parte de seu salário ao PT passaram a dar ordens a homens e mulheres com capacidade de salvar vidas ???

Mas por favor, não fique ofendida comigo presidente, de certa forma essa carta é um agradecimento, sabe? Formado há quase 20 anos, eu nunca havia visto os médicos brasileiros tão unidos quanto agora. É mais um mérito seu e desse seu partido a promover a maior humilhação que os médicos de um país sofreram até hoje! A senhora não tem vergonha de apelar para uma ditadura bananeira, para um país que mata, tortura, prende e vigia seus próprios cidadãos para fornecer médicos para o SEU povo? A senhora é brasileira, ou não, presidente Dilma??

Se não tem vergonha da medicina do seu país, tenha pelo menos do seu povo! A senhora nasceu aqui e a primeira pessoa que lhe viu foi provavelmente um médico do Brasil. Provavelmente vai ser algum colega, intensivista como eu sou hoje, quem vai estar ao seu lado no último momento e mesmo assim a senhora quer chamar médicos cubanos para enganar nossa gente pobre e doente a ponto de garantir sua reeleição?

Quem lhe deu esse conselho, presidente Dilma? Identifique por favor, um por um, os médicos que lhe cercam e sugeriram semelhante ideia! A senhora e eu já conhecemos alguns, né? Vamos apresentar os demais ao Conselho Federal de Medicina, ou não?

Presidente Dilma, até bandidos e prostitutas se ofendem quando tem seu território e ganha pão ameaçados. Nós somos médicos, nós salvamos vidas e não vamos permitir que uma profissão cuja origem se perde no tempo seja levada ao fundo do poço por um partido como o da senhora com o argumento de que estamos sendo corporativistas e o Brasil está sem médicos.

Deus lhe proteja na batalha que vai enfrentar conosco, presidente. Se a senhora for ferida vai precisar ser atendida por um médico – e eu duvido muito que ele fale português..

Porto Alegre, 2 de julho de 2013.”

 

 

Delírio

Era pra ser anedota, mas não consegui rir. Reproduzo literalmente aqui o que recebi no corpo de uma mensagem eletrônica. Não sei quem é o autor.

ASSALTO

– Alô? Quem tá falando?
– Aqui é o ladrão.
– Desculpe, a telefonista deve ter se enganado, eu não queria falar com o dono do banco. Tem algum funcionário aí?
– Não, os funcionário tá tudo refém.
– Há, eu entendo. Afinal, eles trabalham quatorze horas por dia, ganham um salário ridículo, vivem levando esporro, mas não pedem demissão porque não encontram outro emprego, né? Vida difícil… Mas será que eu não poderia dar uma palavrinha com um deles?
– Impossível. Eles tá tudo amordaçado.
– Foi o que pensei. Gestão moderna, né? Se fizerem qualquer crítica, vão pro olho da rua. Não haverá, então, algum chefe por aí?
– Claro que não mermão. Quanta inguinorânça! O chefe tá na cadeia, que é o lugar mais seguro pra se comandar assalto!
– Bom… Sabe o que é? Eu tenho uma conta…
– Tamo levando tudo, ô bacana. O saldo da tua conta é zero!
– Não, isso eu já sabia. Eu sou professor! O que eu queria mesmo era uma informação sobre juro.
– Companheiro, eu sou um ladrão pé-de-chinelo. Meu negócio é pequeno. Assalto a banco, vez ou outra um sequestro.. Pra saber de juro é melhor tu ligá pra Brasília.
– Sei, sei. O senhor tá na informalidade, né? Também, com o preço que tão cobrando por um voto hoje em dia… Mas , será que não podia fazer um favor pra mim? É que eu atrasei o pagamento do cartão e queria saber quanto vou pagar de taxa.
– Tu tá pensando que eu tô brincando? Isso é um assalto!
– Longe de mim pensar que o senhor está de brincadeira! Que é um assalto eu sei perfeitamente; ninguém no mundo cobra os juros que cobram no Brasil. Mas queria saber o número preciso: seis por cento, sete por cento?
– Eu acho que tu não tá entendendo, ô mané. Sou assaltante. Trabalho na base da intimidação e da chantagem, saca?
-Ah, já tava esperando. Você vai querer vender um seguro de vida ou um título de capitalização, né?
– Não… Já falei… Eu sou… Peraí bacana… Hoje eu tô bonzinho e vou quebrar o teu galho.
(…um minuto depois)
– Alô? O sujeito aqui tá dizendo que é oito por cento ao mês.
– Puxa, que incrível!
– Incrive por quê? Tu achava que era menos?
– Não, achava que era mais ou menos isso mesmo. Tô impressionado é que, pela primeira vez na vida, eu consegui obter uma informação de uma empresa prestadora de serviço pelo telefone em menos de meia hora e sem ouvir ‘Pour Elise’.
– Quer saber? Fui com a tua cara. Acabei de dar umas bordoadas no gerente e ele falou que vai te dar um desconto. Só vai te cobrar quatro por cento, tá ligado?
– Não acredito! E eu não vou ter que comprar nenhum produto do banco?
– Nadica de nada, já tá tudo acertado!
– Muito obrigado, meu senhor. Nunca fui tratado dessa…
(de repente, ouvem-se tiros e gritos)
– Ih, sujou! Puliça!
– Polícia? Que polícia? Alô? Alô?
(sinal de ocupado…)
– Droga! Maldito Estado: quando o negócio começa a funcionar, entra o Governo e estraga tudo!

Caos

 

Li com a referência de que a fonte é a coluna do José Simão, na Folha de São Paulo. É triste e engraçado ao mesmo tempo. E o pior é quem bem pode ser assim mesmo… Ai que vergonha!

 

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Previsões de Pai J osé Simão (Colunista Folha de São Paulo), para as Olímpíadas no Rio – 2016.

De 2010 a 2015
1. ONGs vão pipocar dizendo que apóiam o esporte, tiram crianças das ruas e as afastam das drogas. Após as olimpíadas estas ONGs desaparecerão e serão investigadas por desvio de dinheiro público. Ninguém será preso ou indiciado.
2. Um grupo de funk vai fazer sucesso com uma música que diz: vou pegar na tua tocha e você põe na minha pira.
3. Uma escola de samba vai homenagear os jogos, rimando “barão de coubertin” com “sol da manhã”. Gilberto Gil virá no último carro alegórico vestido de lamê dourado representando o “espírito olímpico do carioca visitando a corte do Olimpo num dia de sol ao raiar do fogo da vitoria”.
4. Haverá um concurso para nomear a mascote dos jogos que será um desenho misturando um índio, o sol do Rio, o Pão de Açúcar e o carnaval, criado por Hans Donner. Os finalistas terão nomes como: “Zé do Olimpo”, “Chico Tochinha” e “Kaíque Maratoninha”.
5. Luciano Huck vai eleger a Musa dos jogos, concurso que durará um ano e elegerá uma modelo chamada Kathy Mileine Suellen da Silva.

Abertura dos jogos
1. A tocha olímpica será roubada ao passar pela baixada fluminense. O COB vai encomendar outra com urgência para um carnavalesco da Beija flor.
2. Zeca Pagodinho, Dudu Nobre e a bateria da Mangueira farão um show na praia de Copacabana para comemorar a chegada do fogo olímpico ao Rio. Por motivo de segurança, Zeca Pagodinho será impedido de ficar a menos de 500 metros da tocha.
3. Durante o percurso da tocha, os brasileiros vão invadir a rua e correr ao lado dela carregando cartolinas cor de rosa onde se lê “GALVÃO FILMA NÓIS”, “100% FAVELA DO RATO MOLHADO”.
4. Pelé vai errar o nome do presidente do COI, discursar em um inglês de merda elogiando o povo carioca e, ao final, vai tropeçar no carpete que foi colado 15 minutos antes do início da cerimônia.
5. Claudia Leite e Ivete Sangalo vão cantar o “Hino das Olimpíadas” composto por Latino e MC Medalha. As duas vão duelar durante a música para aparecer mais na TV.
6. O Hino Nacional Brasileiro será entoado a capella por uma arrependida Vanuza, que jura que “não bota uma gota de álcool na boca desde a última copa”. A platéia vai errar a letra, em homenagem a ela, chorar como se entendesse o que está cantando, e aplaudir no final como se fosse um gol.
7. Uma brasileira vai ser filmada varias vezes com um top amarelo, um shortinho verde e a bandeira dos jogos pintada na cara. Ela posará para a Playboy sem o top e sem o shortinho e com a bandeira pintada na bunda.
8. Por falta de gás na última hora, já que a cerimônia só foi ensaiada durante a madrugada, a pira não vai funcionar. Zeca Pagodinho será o substituto temporário já que a Brahma é um dos patrocinadores. Em entrevista ao Fantástico ele dirá que não se lembra direito do fato.
9. Setenta e quatro passistas de fio-dental vão iniciar a cerimônia mostrando o legado cultural do Rio ao mundo: a bala perdida, o trafico, o funk, o sequestro-relâmpago e a favela.
10. Durante os jogos de tênis a platéia brasileira vai vaiar os jogadores argentinos obrigando o árbitro a pedir silencio 774 vezes. Como ele pedirá em inglês ninguém vai entender e vão continuar vaiando. Galvão Bueno vai dizer que vaiar é bom, mas vaiar os argentinos é melhor ainda. Oscar concordará e depois pedirá desculpas chorando no programa do Gugu.
11. Um simpático cachorro vira-lata furará o esquema de segurança invadindo o desfile da delegação jamaicana. Será carregado por um dos atletas e permanecerá no gramado do Maracanã durante toda a cerimônia. Será motivo de 200 reportagens, apelidado de Marley, e será adotado por uma modelo emergente que ficará com dó do pobre animalzinho e dirá que ele é gente como a gente.
12. Adriane Galisteu posará para a capa de CARAS ao lado do grande amor da sua vida, um executivo do COB.
13. Os pombos soltos durante a cerimônia serão alvejados por tiros disparados por uma favela próxima e vendidos assados na saída do maracanã por “dois real”.

Durante os jogos
1. Caetano Veloso dará entrevista dizendo que o Rio é lindo, a cerimônia de abertura foi linda e que aquele negão da camiseta 74 da seleção americana de basquete é mais lindo ainda.
2. Uma modelo-manequim-piranha-atriz-exBBB vai engravidar de um jogador de hóquei americano. Sua mãe vai dar entrevista na Luciana Gimenez dizendo que sua filha era virgem até ontem, apesar de ter namorado 74 homens nos últimos seis meses, e que o atleta americano a seduziu com falsas promessas de vida nos EUA. Após o nascimento do bebê ela posará nua e terá um programa de fofocas numa rede de TV.
3. No primeiro dia os EUA, a China e o Canadá já somarão 74 medalhas de ouro, 82 de prata e 4 de bronze. Os jornalistas brasileiros vão dizer a cada segundo que o Brasil é esperança de medalha em 200 modalidades e certeza de medalha em outras 64.
4. Faltando 3 dias para o fim dos jogos, o Brasil terá 3 medalhas de bronze e 1 de ouro, esta ganha por atletas desconhecidos no esporte “caiaque em dupla”. Eles vão ser idolatrados por 15 minutos (somando todas as emissoras abertas e a cabo) como exemplos de força e determinação. A Hebe vai dizer que eles são “uma gracinha” ao posarem mordendo a medalha, e nunca mais se ouvirá deles.
5. A seleção brasileira de futebol comandada por Ronaldo Fenômeno vai chegar como favorita. Passará fácil pela primeira fase e entrará de salto alto na fase final, perdendo para a seleção de Sumatra.
6. A seleção americana de vôlei visitará uma escola patrocinada pelo Criança Esperança. Três meninos vão ganhar uma bola e um uniforme completo dos jogadores, sendo roubados e deixados pelados no dia seguinte.
7. Os traficantes da Rocinha vão roubar aquele pó branco que os ginastas passam na mão. Um atleta cubano será encontrado morto numa boate do Baixo Leblon depois de cheirá-lo. O COB, a fim de não atrasar as competições de ginástica, vai substituir o tal pó pelo cimento estocado nos fundos do ginásio inacabado.
8. Um atleta brasileiro nunca visto antes terminará em 57º lugar na sua modalidade e roubará a cena ao levantar a camiseta mostrando outra onde se lê: JARDIM MATILDE NA VEIA.
9. Vários atletas brasileiros apontados como promessa de medalha serão eliminados logo no inicio da competição. Suas provas serão reprisadas em ‘slow motion’ e 400 horas de programas de debate esportivo vão analisar os motivos das suas falhas.

Após os jogos
1. Um boxeador brasileiro negro de 1,85m estrelará um filme pornô para pagar as despesas que teve para estar nos jogos e por não obter patrocínio.
2. Faustão entrevistará os atletas brasileiros que não ganharam medalhas. Não os deixará pronunciar uma palavra sequer, mas dirá que esses caras são exemplos no profissional tanto quanto no pessoal, amigos dos amigos, e outras besteiras.
3. No início do ano seguinte, vários bebês de olhos azuis virão ao mundo e as filas para embarque nos voos para a Itália, Portugal e Alemanha serão intermináveis, com mães “ofendidas”, segurando seus rebentos…

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