Mesmerizar

Diz o dicionário Priberam acerca deste verbo:

([Franz Anton] Mesmer, antropónimo [médico alemão, 1734-1815] + -izar); verbo transitivo – utilizar o magnetismo animal e o hipnotismo na cura de doenças em; causar muito agrado ou fascínio a. = encantar, fascinar, magnetizar. Este é o verbo que vai ter o adjetivo derivado “mesmerizante”. O adjetivo, por sua vez, vai caracterizar a performance de uma trais que já não está perambulando pela face do planeta: Anne Bancroft. Sem maquiagem, numa cama de hospital, em estado terminal de câncer, ela fala com reta Garbo… Bem, não a própria, mas alguém com o mesmo physique du rôle e a voz bem parecida. A atris que faz esse papel não aparece de frente, nitidamente. Vale a sugestão. O monólogo de Bancroft é eletrizante. Ela vai morrer em seguida. Seus filho, com quem manteve relação um tanto conflituosa (alguma novidade, em se tratando de uma família judia?) se encontra com La Garbo, no Central Park e esta o reconhece para o delírio da namoradinha deslumbrada do gajo… Um filme a não deixar de ver: Garbo talks, 1984, dirigido por Sidney Lumet.

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Qual o propósito? Há sempre de haver um propósito?

Hoje faz trinta dias, exatos trinta dias, um mês, que deixei a península de Camões. As saudades, atávicas daquele lado do “grande lago” já as sinto. Amanhã é domingo e vou sentir saudades do almoço na Tasquinha da Paulita, tomando vinho de caixa, a sopinha quentinha, vendo correr o sorriso da proprietária de um lado para outro e bater papo com seu marido e com alguns dos clientes costumeiros. Depois uma caminhada na umidade fria da melancólica Coimbra. Voltar pra casa. Mais uma semana. Trinta dias… Um mês… Passou rápido, quase tão rápido quanto os seis meses que por lá vivi, com alegria.

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No final… tudo se mistura e o sentido se faz…

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Diário coimbrão 47

Subtítulo: cerimônia do adeus 2

Engraçado… Faz alguns dias tenho visto alguns filmes pela internete (a televisão está queimada desde Março) que me fazem pensar no tempo que assa, nas amzades, no fato de estar voltando… Fora as coincidências de filmes que tratam de idade que chega e o tempo que passa vi hoje um filme, mais um, que faz pensar… positivamente. Um filme que leva a balanços infindáveis da existência, sem o jogo perverso do maniqueísta perdas e danos… Isso não importa. Neste sentido, as parábolas falam mais que as imagens visualizadas, de acordo com estéticas previamente determinadas e, por isso, já tão contaminadas que se tornam espessas a qualquer volatilidade do sonho, do desejo, da alegria, da possibilidade. The giver (Parece que tradução do título em Português ficou: O doador de memórias) é o nome do filme. Meryl Streep, Jeff Bridges e o gatíssimo Brenton Thwaites fazem o “TRIÂNGULO” (quem chegar a ver o filme vai entender porque o triângulo aqui está em caixa alta, negrito, itálico e entre aspas!) que conduz a parábola sobre verdade e mentira, sentimentos, experiências, memórias, futuro e passado, etc., etc., etc. De alguma forma, em alguma medida, o filme toca em assuntos comuns a Elysium, outro filme-parábola que narra história semelhantemente baseada nas possibilidades de “solução” para impasses vividos no planeta e sua relação com a humanidade. Barbarella (mais tempo atrás) e Admirável mundo novo, filme baseado em romance homônimo, também perfazem o mesmo percurso discursivo. Por outro lado, O doador (tradução livre… possível) também pode ser “lido” como romance de formação. A personagem central, ponto de fuga da narrativa, vivido por Brenton Thwaites, é o elemento que respalda essa assertiva. É sua a formação como sujeito, na individualidade de quem quebra, ainda que inconscientemente, as regras para transforma-las em grilhões que o aprisionavam a essa falsa subjetividade. Alguém que se descobre, na medida em que vai se construindo. Alguém que se desconhece na medida em que vai experimentando. Alguém para quem a amizade é mais, muito mais, que uma ideia, uma palavra, um conceito, um sentimento. Os lacanianos podem vir a gostar dessa efeméride. De um jeito ou de outro, vale a pena ver o filme.

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O subtítulo se justifica porque hoje foi o almoço com três criaturas que conheci aqui e de quem aprendi a gostar: Aldinida e Natália (e seu filho Ricardo). O almoço de despedida, claro, não podia ser de outra forma, foi na Tasquinha da Paulita, com direito a abraços, beijos, votos trocados, olhos marejados, voz embargada e uma garrafa de vinho de presente. Nada disso tem preço. E não estou a fazer propaganda de cartão de crédito…

Aldinida, Natália e RicardoPaulita, Manoel e eu

Faltam cinco dias!

Diário coimbrão 46

No fim, tudo dá certo. Se não deu certo é porque ainda não é o fim.

Com esta frase, mais ou menos literal, a personagem de Judy Dench (esplendorosa, como sempre) termina o filme The best exotic Marigold hotel. Uma delícia de filme passado na Índia. Uma delícia! Um libelo a favor da melhor forma de aproveitar a vida depois dos 60. O homem que vai em busca do reencontro do amor de sua vida (Tom Wilkinson), que deixou no passado depois de um escândalo moral e descobre que seu amigo jamais deixou de ama-lo e que, com a mais absoluta sinceridade, contou tudo à mulher com quem se casou. Tal sinceridade leva a personagem vivida por Judy Dench a rever o sentido do casamento (depois de enviuvar) e ceder à oportunidade de um novo romance com um companheiro de viagem (Bill Nighy) que, por sua vez, vive a crise de um casamento a que se sempre foi leal e ao qual sempre tratou com amabilidade, apesar do rancor, da negatividade de sua esposa (Penelope Wilton). O jovem gerente do hotel (Dev Patel), na verdade o dono, por herança, do empreendimento, vence a resistência e enfrenta a mãe que quer se desfazer do empreendimento e obrigar o filho a viver com ela em Nova Deli e a fazer um casamento de conveniência. O solteirão desajeitado (Ronald Pickup) que ferve de desejo, mas que sempre se achou impotente e incompetente com as mulheres: no final, encontra uma companheira e com ela revive seus “momentos de alegria”. E a solteirona (Celia Imrie) por opção (“Não minha opção”, diz ela) que resolve investir em seus próprios encantos, uma vez mais. Pode-se dizer que se trata de uma comédia romântica, sem “romance”, no sentido mais estreito do termo. Essa comédia conta com uma atriz que dispensa comentários: Maggie Smith, fazendo a solteirona que trabalhou como governanta e que, depois de ensinar tudo o que era importante sobre a família a quem dedicou a maior parte de sua vida àquela que viria a ser sua ajudante, é dispensada. Amargurada, é ela que acaba por “costurar”, com sua experiência – a travessia da amargura e do rancor em direção à generosidade e à fraternidade – as micro narrativas de que se compõe a “história do filme. Uma delícia de filme, com interpretações impecáveis, o colorido luxuriante da Índia, a dose adequada de dramaticidade a envolver as personagens e a trilha sonora delicada e agradável. Uma experiência que me surpreendeu nessa tarde cinza (depois do susto do Aldo indo parar na emergência, noite passada) e molhada em Coimbra, em mais um dia desta cerimônia do adeus… Chuvas em Abril, águas mil, é como dizem por aqui, na Península.

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Faltam só sete dias! E passam dos 20000 os que já passaram os olhos por meu blogue: bem haja!

Diário coimbrão 44

Subtítulo: estertores

Não faço ideia de quanto tempo faz que comecei a gostar desta palavra: estertor. Gosto de usá-la no plural, em sentido figurado. Seu sentido dicionarizado não é dos mais simpáticos: s.m. Medicina, ronqueira da respiração dos moribundos; agonia. Ronquidão característica das pessoas que sofrem de certas moléstias do aparelho respiratório. O sentido figurado me leva a pensar em infinito, em insatisfação, mas não com a agravante patológica. Muito mais no sentido de duração, de longa duração. Vai entender…

O estertor de minha estada em Coimbra faz-se sentir. Não mais os dias friamente úmidos e ventosos, com céu acinzentado, quase branco, pálido, e os miasmas do Mondego a rondar as colinas desta cidade mais que centenária, melancólica… Tristeza ou (já) saudade? Medo, apreensão, desejo? Que será? Fugaz como o raio de sol que agora, só agora, quase na hora de ir embora, bate na janela da sala, passou o tempo. Pensei que jamais voltaria a sentir calor, mas o calor já se faz sentir, ainda que a temperatura, de repente (não mais que de repente) baixe e a sensação de frio volta, menos intensa… Seis meses… Faltam apenas 11 dias para voltar e parece que cheguei anteontem. Lugar comum… Mas já se foram o Natal e o Réveillon, com Ana Paula, família e amigos. Lá se foi a Espanha, Évora, o Porto, Matosinhos e Leça da Palmeira: a Rua fresca, a Rua dos dois amigos, Dom peixe, a Biblioteca Florbela Espanca.

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É assim, as pessoas e a coisas estão aí, espalhadas, em estado de espera do encontro. O “acaso” trata de juntá-las ou separá-las. Depende de ninguém não… Esse mesmo acaso tem outros nomes: destino, fado, sorte, circunstância, oportunidade. Vai saber…

Diário coimbrão 38

O brasileiro detido em Timor Leste vai passar por exames para despistar o resultado de doença contagiosa. O texto da notícia era quase literalmente este. O que me chamou a atenção foi o verbo “despistar”. Usamos este verbo no sentido de tirar a atenção, confundir.  iludir, atrapalhar. Aqui ele é usado no sentido de “eliminar”. Num grande círculo semântico, não faz muita diferença, mas…

Já na pensão em que me hospedei em Évora, o aviso na casa de banho (=banheiro, reservado, wc) dizia: “Não deite pensos higiénicos ou outros objectos na sanita”. “Pensos” por papel higiênico é mais que bom.

Foi nessa terra cheia de detalhes mesmerizantes, pela beleza e pela História que guardam, que experimentei dois pratos alentejanos de encher os olhos, a barriga, o coração e a alma: bochechas e cachaço de porco. Pelo nome, pode não parecer bom, mas cada um deveria passar por esta experiência para avaliar. É de comer ajoelhado e até passa mal, como quase passei… Quem mandou eu ter o olho um pouco maior que a barriga, de vezem quando, pelo menos… Uma delícia!

Pois é… Depois de muitos dias sem aparecer por aqui, não quero deixar acumular mais tempo e perder mais detalhes pela fraqueza mnemônica que me acomete, now and than… O périplo dessa vez começou na quarta-feira, assim que pus os pés em Évora. Que cidade encantadora! Conservada em suas muralhas. As que guardam a importância de sua História e a beleza de sua existência: com a comida e o vinho alentejanos incluídos, por suposto. Na sexta-feira, sem fazer nada, passeei pela cidade de Coimbra, uma vez mais, e “descobri” o Palácio de Justiça, com seus painéis de azulejos que contam um pouco da História e, uma vez mais, homenageiam Camões, sobretudo no capítulo excelso do amor proibido de Pedro e Inês. Sim, a de Castro!

As fotos são muitas, falam por si. Vou coloca-las aqui com uma legenda. Os comentários, bem… desta vez, deixo por conta da imaginação de cada um…

Então vamos lá…

A cama verdeNa porta da pensãoVista direita da janela da pensãoVista esquerda da janela da pensãoNa janela da pensão

De cima pra baixo, da esquerda para a direita: a cama verde, eu na porta da Pensão Policarpo (recomendo, apesar de a água quente acabar muito rápido), vista da cidade desde a janela do quarto e euzinho… antes de começar a caminhada do segundo dia.

Altar or da Sé de ÉvoraAs torres da SéClaustro da Sé de Évora 1Claustro da Sé de Évora 2Cúpula da SéDiante das ruínas do temploNo claustro da SéRuínas do templo de Diana à noiteRuínas do templo de DianaRuínas do templo vistas dos LoiosSé de ÉvoraTemplo visto dos LoiosVista à direita da torre da SéVista à esquerda da torre da SéVista ao fundo da torre da SéVista desde o terraço dos LoiosVista do terraço dos Loios

As torres da Sé não são iguais e são três (se se considerar a “cúpula”, que mais se parece uma torre – claro, o estilo “gótico” assim o pedia…) A vista da cidade e linda e “Loios” é o nome pelo qual é conhecida a Pousada e o Palácio que estão no mesmo espaço das ruínas do Templo de Diana (à noite, ele fica, ao mesmo tempo, lúgubre e lindo!). Na verdade, o Palácio é o dos Duques de Cadaval.

Altar mor igreja do SalvadorCâmara Municipal e Igreja do SalvadorCapela Santo CristoIgreja de  Pobre Sr. JesusIgreja de Santo AntãoIgreja dos LoiosLateral da igreja do SalvadorN.Sra. do Rosário na igreja dos LoiosTermas 1Termas 2Termas 3Sobre a igreja do Salvador

De cima pra baixo, da esquerda para a direita: o altar mor da igreja do Salvador e os balcões da Câmara Municipal (onde se encontram as ruínas das termas romanas). Destes balcões foi anunciada a primeira República Portuguesa. O espaço é o “coração” da História e da cidade. Os altares: N.Sra. do Rosário, de Pobre Sr. Jesus e Santo Antão estão cobertos de ouro… de onde mesmo?

ArcoEntrada Colégio do Espírito SantoFaisão no Jradim do ParqueFim de tarde no GiraldoInterior da capela dos ossosPátio do Colégio do Espírito SantoPórtico da capela dos ossosPorto da RaimundoRuínas  Parque da cidadeSobre a capela dos ossosUma viela com ruínas de ÉvoraZé Dias e eu Detalhe do pórtico da capela dos ossos

Há ruínas por todo lado, como o arco bem ao lado da porta do Raimundo, uma das muitas que são parte da muralha da cidade e a do Parque da Cidade, onde vi um faisão, assim… bem à vontade… Do mesmo modo, à vontade, me senti caminhando pelas vielas antiquíssimas da cidade, mesmo quando entrei no majestoso Colégio do Espírito Santo (dos jesuítas) que hoje abriga alguns cursos da Universidade de Évora. “Nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos”, é o que se lê no pórtico da capela dos ossos, que faz parte da Igreja de São Francisco (majestosa, em reforma). Colunas e teto recobertos de ossos para mostrar a quem entra a fugacidade da vida e o destino de toda a humanidade: o pó. Bem haja, São Francisco e sua humildade absoluta! Por fim, uma experiência que todo mundo deve fazer, comer no “Quarta feira”, restaurante de comida regional típica do Alentejo, sob a batuta do José Dias (não é o do Machado de Assis… nem de longe!). Uma revelação por preço mais que módico. O restaurante não tem ementa (=cardápio). O cozinheiro/dono, José Dias, é quem decide o que o cliente vai comer. Isso depende, única e exclusivamente do humor dele. Uma delícia! Divertidíssimo! Vou colocar mais comentários no TripAdvisor.

Cantiga sob um painelInscrição painel 1Inscrição painel 3Jardim interno Palácio de JustiçaPainel 1Painel 2Painel 3Painel camonianoPainel do Palácio de Justiça 1Painel Rainha SantaVitral Palácio de Justiça

Por fim, sem seguir ordem alguma, os instantâneos do Palácio da Justiça de Coimbra (Domus iusticiae). Uma construção portentosa, quase esquecida no trecho final da Rua da Sofia, que está entre as construções que constituem o portfólio da cidade, candidata ao título de patrimônio da Humanidade. Penso que merece. A austeridade arquitetônica propicia a plena realização de sua similar jurídica, enfeitada que é pelos painéis de azulejos com cenas Históricas, curiosidades da cidade, o capítulo  de Inês de Castro (como já referi) e cantigas medievais. Vale a visita, e muito!

E assim se foi mais uma semana. Agora faltam apenas 38 dias! E Sevilha vem aí!

Diário coimbrão 37

Era pra ter sido na sexta-feira. Será que foi porque foi 13? Sexta-feira 13? Dizem que é dia de má sorte. Que não se deve passar embaixo de escada. Trocar de caminho se cruzar com um gato preto. Essas coisas de crendice popular… Vai saber… A minha sexta-feira treze foi muito boa, reveladora, um encanto. Viagem de retorno no tempo. Andei num piso submerso por mais de três séculos e que há quase cinco foi construído… Ui! Antes do tour começar, descendo pela Coimbra medieval, ou “cidade monumental” como chamam aqui, parei para visitar a torre de Almedina. A única sobrevivente dos mais de 700 anos de idade da cidade. O prédio foi restaurado e conta com uma maquete que vai se iluminando ao sabor da narrativa dos fatos da História da cidade. Não fiz nenhuma foto desta porta, porque basta estar on line para acessar o Google e pronto, já está!

Coimbra vista da torreComo era CoimbraDentro da torreVista da torre de Almedina 1Vista da torre de Almedina 2No alto da torre

Pois foi assim… Depois de ter tentado comer o bacalhau com natas n’O casarão, saí a andar pela cidade, aproveitando o dia luminoso, a temperatura mais que agradável e o céu azul, de um azul que eu ainda não vi igual… O Sr. Carlos, dono do restaurante se negou a fazer o tal bacalhau e ofereceu-me outro: Bacalhau a Brás (é feito com ovo e batas fritas. É gostoso, mas fiquei com gosto de quero mais na boca e na alma! Fui ao mosteiro de Santa Clara, conhecido como Santa Clara-nova. Isso porque a história começa no outro mosteiro que ainda está aqui, também chamado Santa Clara, mas desta feita, Santa Clara-velha. Uma coisa mais que esplendorosa. Dona Mor, uma dama da corte em priscas eras, mandou construir Santa Clara-velha, pois ficara viúva e recolhera-se à vida religiosa. Mais tarde, por conta das constantes inundações, já entre os séculos 15 e 17, manda construir Santa Clara-nova. O antigo mosteiro fica então submerso por mais ou menos três séculos, período após o qual é (re)descoberto por escavações já no/do século 20. Hoje o sítio arqueológico é conservado, explorado e cuidado pela Câmara Municipal de Coimbra e uma espécie de ong que leva o nome do Mosteiro. Paga-se uma ninharia (penso que deveria ser mais!) para entrar e usufruir dos espaços: museu, sala de projeção com um documentário sobre a História do sítio, visita às ruínas e um café mais que charmoso em que trabalha a Imê, uma brasileira de Belo Horizonte, já com acentuado sotaque lusitano…. Uma aula de cultura que os atuais “turistas” nem sonham em fazer… Não sabem eles o que perdem, gastando seu dinheiro nos centros de compras ou quejandos… A Rainha Santa fez um milagre destacado: transformou pães em rosas e foi uma mulher de notável caridade e senso comunitário. Diz a “lenda” que ela acordava suas aias no meio da noite e as mandava iluminar o caminho de entrada no palácio para que o rei, seu marido, voltando das “noitadas” (inclusive com outras mulheres), não se perdesse… Vai vendo… Uma santa!

Atar de Santa Clara-novaCaminho para as ruínas de Santa Clara-velhaClaustro Santa Clara-nova 1Claustro Santa Clara-nova 2Fundo a IgrejaIgreja Santa Clara-velhaMaraviçhado com o tempoMuseu de Santa Clara-velhaO caustroRainha Santa IsabelSanta Clara-velha

Em tempo: li hoje no banheiro da Tasquinha da Paulita: “Não jogue papéis ou outros objectos na sanita (leia-se vaso sanitário, privada). Use os devidos recipientes para o efeito (?). Carregue o autoclismo (dê a descarga)”. Delícia!

Diário coimbrão 28

Subtítulo: tertúlias dominicais

Mais uma semana… Mais um domingo… sem pé de cachimbo… Os eflúvios do álcool passam, lentamente, sem deixar rastros… A torporformização da melancolia de mais um dia cinzento e molhado vai tomando conta do ambiente que ainda insiste em se alimentar das risadas, das palavras, dos pensamentos e do afeto partilhado entre quatro, entre seis, entre inumeráveis, ao redor de uma mesa, planeta afora. Não foi um dia de prélios culturais ou fotográficos, mas de comer junto, rir junto e passar horas encantadoramente doces e divertidas. Coisa pouca para muitos… Tesouro para poucos, escolhidos, porque sabem a espessura de cada sorriso no fundo da alma, que persiste mesmo com a depauperação física, implacável fado que a natureza impões à experiência do existir… A voz de Jorge Vercilo cantando “Ela une todas as coisas” ecoa os mesmos sentimentos que a doce canção de Vander Lee, “Esperando aviões” . Ambas ajudam a compor o clima desse final de tarde. O eco é forte, retumba fundo e largo, tanto que vale reproduzir a letra da canção por inteiro:

Esperando Aviões

Vander Lee

Meus olhos te viram triste
Olhando pro infinito
Tentando ouvir o som do próprio grito

E o louco que ainda me resta
Só quis te levar pra festa
Você me amou de um jeito tão aflito

Que eu queria poder te dizer sem palavras
Eu queria poder te cantar sem canções
Eu queria viver morrendo em sua teia
Seu sangue correndo em minha veia
Seu cheiro morando em meus pulmões

Cada dia que passo sem sua presença
Sou um presidiário cumprindo sentença
Sou um velho diário perdido na areia
Esperando que você me leia
Sou pista vazia esperando aviões

Sou o lamento no canto da sereia
Esperando o naufrágio das embarcações

Pra completar, alguns instantâneos da alegre e divertida tertúlia de hoje, com as queridas Natália e Regina, acompanhadas do filho da Natália, o Ricardo! Bem haja!

A trinca 1A trinca 2Ao pé da Magnólia 1Ao pé da Magnólia 2Natália e euNatália e ReginaNatália, Ricardo, Regina e euRegina e euUm, dois e...