Vergonha

Então é assim. Você consegue um emprego e começa a contribuir para a seguridade social. Boa parte de seu salário é corroída por esta contribuição, sustentada pela promessa de um “ressarcimento justo” com a aposentadoria. Daí, a partir de certa idade, o sujeito que contribui a vida toda é OBRIGADO por lei a se apresentar anualmente na agência bancária em que recebe o “benefício” – a sordidez é tanta que ainda se mantém essa aberração lexicográfica e semântica a sustentar discurso canalha. A obrigatoriedade é pretensamente justificada sob a alegação que o “sistema” tem que verificar a efetiva existência do sujeito “beneficiado”. É a famigerada “prova de vida”. Ontem foi noticiada a morte de um senhor de 90 anos, debilitado e acamado por conta de uma epidemia, que teve que ser levado ao banco nos braços do filho para fazer a tal “prova”. A alegação é a de que o “gerente” do banco disse que poderia sair da agência para fazer a “prova”. Pois é. Depois que o homem morreu, o banco disse que isso não pode ter acontecido porque ninguém pode sair da agência para tal fim. O inss tenta tirar o dele da reta dizendo que disponibiliza funcionário para fazer a maldita prova em domicílio, sob requisição do usuário. O banco se negou a depositar a aposentadoria do homem que morreu porque ele não fez a prova de vida e… e… e… A minha indignação é tamanha que nem sei. Não sei como é que funciona isso em outras plagas. Aqui em pindorama é essa iniquidade, essa vergonha, essa indecência. Enquanto isso, um bando de descerebrados correm atrás de uma bola – ganhando milhões pra fazer isso – em nome de representa a nação brasileira. Outra catrefa de igualmente descerebrados vocifera e gasta mais dinheiro ainda para brindar a própria ignomínia, ignorância, deslealdade e falta de vergonha na cara. E a patuleia acredita que existe uma saída. Que vergonha, meu Deus, que vergonha eu estou sentindo…

Anúncios

A prova da cobra

Foi assim, da primeira vez. Era uma prova de concurso, 1991. Prova escrita. Cinco horas para fazer. Uma hora de consulta e quatro horas para redação. Uma tortura. No fim, a mão e o braço já não respondem ao impulso do cérebro. A gente fica parecendo um robô com falha elétrica em seu sistema motor. Uma tortura. Mas estava lá eu. O ponto sorteado tinha por nome “A escola de Frankfurt”. E eu pensei comigo: que diabos é isso. Sinceramente, até aquele momento (e que momento!) eu jamais tinha ouvido ou lido tal expressão. Mas estava ali, na minha frente, escrito no quadro-negro (que jamais foi negro, sempre verde, a lousa, ou pedra, como já ouvi dizerem…!). Escola de Frankfurt. Fiquei sem saber por onde começar a pensar no que escrever e, pios, onde pesquisar, no meio dos tantos livros que carreguei para a hora de consulta que a prova nos dava. Nada. Eu tinha que escrever alguma coisa. Daí em me lembrei de Horkheimer, Benjamin e Adorno. Fui me lembrar de que eles, alemães, sempre se reuniam para partilhar ideias, discutir teorias, fixar axiomas para o resto da patuleia que ocupa o planeta e se acha preparada para ler e entender o que eles diziam, assim, sem grande dificuldade. Três de um grupo inumerável de schollars! Pois então. Lembrei deles e de algumas ideias deles. Lembrei da afinidade pensamento e sua relação coma tal de modernidade. Pensando nisso, resolvi argumentar que a prática do encontro frequente entre eles, fazia com que o trabalho de cada encontrasse no trabalho de cada outro certa identificação. No mínimo, os três podiam ser lidos num diapasão de Inter comunicabilidade, um diálogo de ideias e posicionamentos. Ainda que não chegassem a um denominador comum, eliminando diferenças, o pensamento dos três poderia ser considerado sob o apanágio de uma perspectiva epistemológica única comum. Decidi então dar nome a esta perspectiva: Escola de Frankfurt. A justificativa de minha escolha se assentou no fato de que esta cidade alemã era o local aos corriqueiramente escolhido para esses encontros e outros, com outros pensadores. Daí à sustentação da hipótese, o passo foi curto. Deram-me a nota máxima.

A segunda vez foi alguns anos mais tarde, 1996. De novo, prova escrita de concurso. O ponto tinha por título: “Dois aspectos da poética da dor: Alphonsus de Guimarães e António Nobre”. Que diabos era “estética da dor”? Tudo que eu sabia sobre António Nobre era que ele foi um poeta português importante. Do ouro, mineiro, conheci no colégio um soneto: “A catedral”. Mais nada. Isso era tudo o que eu tinha de informação. Tinha estudado alguma coisa sobre os dois poetas para preparação do concurso. Mas na hora agá, veio a dúvida: o que fazer com o que eu tinha estudado? O que diabos era a tal de “poética da dor”? Sabia que o mineiro escrevera poesia muito melancólica, um tanto sombria e fantasmagórica até. Bem ao gosto das brumas marianenses de seu tempo. M sofrimento calado, perdido na noite, gemido em responsos e sonetos de gosto simbolista apurado. É o que dizem. Já o português representou certa revolução na península. De formação romântica, ultrapassou as amaras simbolistas e decadentistas propondo obra que, em utilizando os recursos vigentes, projeta poética que ultrapassa limites e, em alguma medida, alarga caminhos para as portas já abertas para o Modernismo lusitano na Literatura. Havia melancolia também, mas de outro diapasão: mais atormentado, mais simbolista ainda, algo mais empírico. Foi pensando assim que resolvi nomear de “poética da dor” o exercício de expressão poética – ou exercício poético de expressão, o leitor escolhe! – da tal de dor. Estava identificada a tal poética. Acrescentei alguns comentários sobre alguns versos e voilá! Estava escrita a prova. Outra nota máxima! Ao final do concurso, com os envelopes lacrados e assinados, senti-me à vontade para perguntar à presidente da banca como foi que me deram a nota máxima para uma prova tão “montada”. E ela, com um sorrisinho matreiro disse que eu sabia me sair muito bem de situações difícil.

Resultado de imagem para prova escrita

É por essas e por outras que sempre falei que, esgotadas todas as saídas possíveis, a carta na manga pode ser a “prova da cobra”. Trata-se de uma historinha ouvida não sei quando, contada não me lembro por quem, sem ideia de onde, que narra o que se passou com um estudante do ginasial – quem tem mais de 40 anos vai saber do que se trata, o tal de ginasial! – que se preparava ara a prova oral de Zoologia. Ele, ao começar a estudar, tinha convicção absoluta de que ia cair, como ponto de prova, os répteis. Como não tinha dúvida disso, mesmo sem saber se de fato ia acontecer desse modo, estudou o que conseguiu sobre répteis. No dia da prova, ao sortear o seu ponto, saiu mamíferos. O estudante tinha meia hora para dissertar oralmente sobre os mamíferos. Ficou apertado. E começou a falar uma coisinha aqui, outra ali e o tempo não passava, Falou, então, do elefante, mamífero interessante por conta de um apêndice, a tromba. A tromba do elefante parece uma cobra, disse o estudante. Por falar em cobra… e gastou o resto do tempo falando da cobra. Ganhou nota máxima. Foi essa a lição que aprendi e utilizei, a prova da cobra. Fica a ideia!

Desabafo II

Daí alguém vira pra mim e diz:

– Lula fez o povo gozar TODOS os direitos que lhe eram negados pela classe média;

– O Brasil nunca esteve tão feliz como agora (primeiro governo do Lula);

– O governo Dilma foi o mais próspero para as contas brasileiras;

– O impeachment foi um golpe para derrubar a primeira presidenta do Brasil;

– Temer foi um usurpador;

– A prisão do Lula é ilegal;

– O apartamento do Guarujá não sofreu reforma e não é do Lula;

– Bolsonaro quer armar o Brasil para transformar a sociedade em milícia;

– A Lava-jato persegue Lula e lhe nega direitos constitucionais;

– A vazajato mostra a podridão do judiciário brasileiro.

Bem.

Eu sou capaz de ouvir, ler isso tudo. Sou capaz também de aceitar que isso possa (até) ser verdade. Ainda sou capaz de conviver com quem pensa que tudo isso é a expressão da mais pura, cristalina, irrecorrível e inquestionável verdade. No entanto, não sou capaz de ser obrigado a aceitar tudo isso como a expressão da mais pura, cristalina, irrecorrível e inquestionável verdade. Não sou capaz de aceitar que esse alguém venha me chamar de coxinha, isento, direitista, fascista, alienado e vendido por não aceitar repetir que tudo isso é a expressão da mais pura, cristalina, irrecorrível e inquestionável verdade. Não posso aceitar que amizades – já perdi algumas – sejam desfeitas pela falta de capacidade alheia de aceitar que eu POSSO pensar diferente disso tudo, sem, necessariamente, estar a defender o contrário. As coisas, simplesmente, não são assim…

Horror

PERDÃO RHUAN!

Por Fabrício Carpinejar

O diabo não precisa existir, gente perversa já realiza o seu trabalho.

O homicídio do menino Rhuan, de 9 anos, pela sua mãe, Rosana, 27 anos, na última sexta-feira (31/5), em Samambaia (DF), é de uma violência demoníaca.

A criança acabou morta pela mãe e pela companheira dela para aliviar gastos financeiros. Seu fim significou, de acordo com a alegação absurda das assassinas, um enxugamento doméstico: uma boca a menos para alimentar.

Ele não teve como se defender. Nenhum menino teria como se defender. Como pode se defender alguém com o tamanho dele, com a idade dele, com a inocência dele, com o olhar dele assustado, sem entender o castigo que nunca terminava?

Rhuan devia se perguntar por dentro: o que eu fiz de errado para merecer isso?

É aquele momento em que o gênero humano perde a salvação como um todo.

Elas esfaquearam o pequeno enquanto dormia, esquartejaram e tentaram queimar. O escândalo de fumaça mudou o plano do descarte e as duas o colocaram em sua mochila de escola. Imagine: a sua mochila da aula (proibido de frequentar) tornou-se o seu caixão.

Há mães que não poderiam ter filhos. Ela, muito além, não poderia ter nascido.

O menino unicamente sofreu, unicamente viveu para sofrer. Suas dores gritarão pelas paredes por uma porta durante muito tempo ainda.

Não contou com nenhum motivo para sorrir. Não conhecia sequer o respeito, muito menos passou perto do amor.

Ficou nas mãos de torturadoras que se fingiam de família para receber pensão enquanto os parentes do Acre – pai e avós – cobravam notícias.

Serviu de cobaia para maus-tratos intermitentes e inexplicáveis. Viu o seu pênis ser cortado há cerca de um ano em um procedimento caseiro. Jamais foi levado ao médico. Era forçado a se vestir de menina. Era forçado a deixar os cabelos compridos. Era forçado a manter relações sexuais com a irmã de criação, de 8 anos. Era odiado. Era humilhado. Era escravizado. Estava isolado há meia década, longe de qualquer olhar e apoio para soletrar socorro.

Sua agonia aconteceu rápida demais diante da lentidão da Justiça.

Rhuan é sinônimo de perdão. Rhuan perdão, perdão Rhuan. É o que penso sem parar. É o que peço sem parar.

*Fabrício Carpinejar é um escritor, poeta, cronista e jornalista brasileiro.

Impertinência(?)

Que eu saiba, Aristóteles não raspava a cabeça à navalha, nem cultivava uma barba grisalha, nem fala com o sotaque um pouco daqui, um pouco dali. Ele não era uma celebridade que viajava de norte a sul, leste a oeste, falando sobre todo e qualquer coisa. Ele falava, e muito, é fato. Das notas que fazia para suas aulas surgiu um livro que é primacial para os estudos literários no/do Ocidente: Arte poética. Da sua cabeça, saíram suas ideias. Não me consta que, a seu tempo, havia oficinas de escrita criativa. Logo, pode-se supor que Aristóteles escrevia e falava sobre o que lhe vinha à cabeça. Tudo era fruto de observação e estudo, é claro. No entanto, não me consta que ele tinha que apresentar revisão bibliográfica do que escrevia, nem defender publicamente, diante de uma banca, o fruto de suas elucubrações. Além disso, também não me consta que tinha que publicar regularmente em revistas indexadas, consideradas, da mesma forma, a seu tempo de qualidade superior, A ou B. Pois é. Ainda assim, leio numa publicação sobre Literatura, uma entrevista em que um professor, do alto de seus quase ou mais de trinta anos de experiência, diz que nos dias que correm, o que mais se procura é a profissionalização da escrita. Ele mantém, numa universidade, um curso de escrita “criativa”. E eu me pergunto: como é que fica o sentido do adjetivo “criativa”? As leituras devem ser determinadas pelo professor, a seleção de trechos e a orientação dos comentários e análises, da mesma forma. Os exercícios, por suposto, devem buscar a inventividade de quem “faz” o curso. No entanto, o espantoso é que tudo isso tem que atender aos parâmetros de um tal de “mercado”. Parecem dois graus de pós-graduação para o sucesso editorial e de “mercado”: o mestrado é a frequência a uma oficina de escrita “criativa”, o doutorado, a premiação – e só serve se for e, primeiro lugar – em qualquer concurso “oficial” que dê “visibilidade” à obra ganhadora. Rios, não tão caudalosos assim, de dinheiro correm aqui e ali e a patuleia continua acreditando que só o que sai desse funil é que presta. Isso é prosa de ressentido? Não! Definitivamente não!” Na Grécia, a Acrópole é sinal de um abalo positivo nas ideias, no comportamento na cultura, a Arte poética acompanha o mesmo caminho. Em pindorama, Brasília e a ponte Rio-Niterói – pra ficar apenas no âmbito do século XX – podem ser exemplos do mesmo impacto. E há ainda quem queira me convencer de que oficina de escrita criativa forma escritores??? Machado de Assis, gago, epilético – até prova em contrário –, filho da classe trabalhadora do Rio de Janeiro finissecular, escreveu o que escreveu depois de fazer uma oficina desta natureza? Não. Não as havia, é óbvio! Ganhou algum prêmio literário para obter projeção nacional e internacional? Não. Não que eu saiba. Guimarães Rosa segue a mesma trilha. O que dizer então de Clarice Lispector??? Todos escreveram como as ideias lhes vinha à mente. Seguiram seus instintos, alimentando-os com sua sensibilidade. Claro que leram outros autores, claro que observaram. No entanto, não se submeteram, que eu saiba, a ditames empresariais de casas editoriais que buscavam o lucro no âmbito mercadológico. Isso é “conversa pra boi dormir”. Calo-me e recolho-me à minha insignificância. É sexta-feira e, por isso mesmo, cubro-me – já que o frio começou a mostrar as suas garras – com o manto da chatice. E feliz, tranquilo, com saúde, aposentado. Feliz. Punto i basta!

Resultado de imagem para chatice

Histórias…

Era uma vez um homem. Um homem que veio do interior pra cidade grande à procura de trabalho. A mulher desse homem fazia doces deliciosos. O homem começou a vender os doces na porta de uma escola de um bairro da cidade. Nesse temo, era possível fazer isso, pois o vendedor era honesto e a doceira fazia os doces com ingredientes bons e com carinho. Durante anos o homem vendeu esses doces na porta da escola. Com o passar do tempo, além dos doces, começou a vender pipocas, balas e água de coco. Desde que começou a trabalhar na porta desta escola, havia um menino que, ao chegar à escola, saindo do carro de seu pai, passava pelo vendedor e dava bom dia, dando um tapinha cabeça dele. Anos e anos do mesmo jeito. Um bom dia seguido de um tapinha na cabeça. Muito tempo se passou, o menino cresceu e o homem continuava a vender seus produtos. Era querido por todos. A direção da escola gostava dele. Os guardas de trânsito – hoje inexistentes! – gostavam dele. O menino cresceu e continuou com o bom dia e o tapinha, agora, seguido de “gracinhas”, piadinhas e até pequenas observações ofensivas. Muito tempo passou. Um dia, depois de escutar o bom dia, levar o tapinha na cabeça e aguentar, um dia a mais, de piadinhas de mau gosto, o homem sacou uma arma e atou o jovem com dois tiros. O homem foi preso. Todos na escola ficaram assustados. Os guardas de trânsito comentavam. Os familiares do garoto assassinado vociferavam impropérios e exigiam justiça e vociferavam mais na televisão, no jornal, no rádio. Uma balbúrdia. Comoção nacional. Denúncia. Advogados. Processo. Reportagens escrita, falada e televisada. Chega o dia do júri popular. Depois da exposição final da promotoria, o juiz chama o advogado de defesa. Nome renomado na cidade, no Estado. Começa a exposição. Logo de início, o advogado para a exposição e começa a elogiar o juiz. Tece loas. Elogia exagera. Retoma a defesa e, mais adiante, torna a elogias o juiz, com a mesma insistência. Retoma uma vez mais e repete a mesma atitude por umas três ou quatro vezes. Tudo isso se passa em questão de minutos, alguns minutos apenas. De repente, irritadíssimo, o juiz despenca uma chiadeira de xingamentos, reclama do advogado, chama-lhe a atenção, esbraveja e exige do advogado de defesa a conclusão de sua exposição. Ele, calmamente, vira-se para o júri e comenta: se o juiz, por conta de três ou quatro assertiva minhas se irritou, e olha que eu estava a elogiar-lhe, imagina o homem que matou o jovem. E continuou nessa toada. Resumo da ópera: o homem foi absolvido. Não me perguntem sobre a literalidade da sentença e sua justificativa. Não o sei. O fato é que essa história não é ficção, aconteceu literalmente assim. Fica aqui pra pensar um pouco…

Direito Comportamento
Cultura
Sociedade
Crítica

Paradoxos

Resultado de imagem para paradoxo

Há pessoas que se prestam a desempenhar papéis tão rasos, tão pequenos, tão rasteiros, que a gente devia deixar de lado e desdenhar, desdenhar e desdenhar. É o caso dos quatro indivíduos que assinam o “documento” abaixo. Por uma questão de polidez e respeito, retirei os nomes dos mesmos, bem como todas as referências “documentais”. Como se trata de processo institucional… Trata-se de um “documento” que expressa a “opinião” dos quatro signatários sobre tese que escrevi, na tentativa de progredir à classe de titular. Depois da tentativa, frustrada pelo recalque e rancor dos signatários – sim, trata-se, na verdade, disso, mas declino do direito de expor as pessoas e os fatos, pois não quero me rebaixar ao nível dos envolvidos –, tive de tomar providências para alcançar meu intento, o que acabou por acontecer, apesar da tentativa de boicote, como se pode ler abaixo. O segundo texto é o parecer anônimo da Imprensa Universitária da Universidade de Coimbra que aceitou para publicação o livro oriundo da tese que os “quatro” disseram que era lixo. Em palavras, melifluamente estudadas, em fórmulas protocolarmente “adequadas”, os “quatro” foram vencidos e de maneira contundente, como se pode ler. Faz tempo queria escrever aqui sobre este assunto, de maneira mais extensa. Aí está. Depois disso, não quero mais falar sobre este assunto. Pelo menos, aqui!

………………………………………………………………………………………………………………

A comissão designada para avaliação do pedido de progressão para a Classe E com denominação Titular da carreira do Magistério Superior do docente José Luiz Foureaux de Souza Júnior, solicita dispensa da designação, por considerar a tese indefensável pelas razões abaixo enunciadas:

– desarticulação entre os capítulos e os argumentos que pretendem sustentar a tese;

 –equívocos em conceitos básicos das teorias acerca da leitura, da recepção, da psicanálise, da teoria da literatura e das inúmeras teorias críticas sem vinculação com o eixo central da tese;

– redução da perspectiva de leitura ao “olhar homoerótico”, sem se aprofundar nas contemporâneas teorias sobre o assunto;

– eleição, como objeto parcial da tese, das cartas de Alberto de Oliveira, sem garantir-lhes consistência, seja através da leitura do que não existe, seja através de uma elaboração ficcional dessas cartas;

– leitura insuficiente das cartas existentes, sem trazer à tona nenhuma teoria consistente acerca do gênero;

– negligência cabal no que se refere ao estudo de textos literários dos dois autores, em sua relação com as cartas, embora tenha anunciado repetidamente este propósito.

………………………………………………………………………………………………………………

Livro: As cartas não mentem: da amizade entre António Nobre e Alberto de Oliveira

Autor: José Luiz Foureaux de Souza Júnior

Resumo : O livro de José Luiz Fourreaux se interessa pela amizade dos poetas António Nobre e Alberto de Oliveira, tendo por base o homoerotismo, a partir da análise das cartas existentes e do conto do escritor Mario Cláudio, o qual trata sobre a amizade dos dois poetas.

Análise : O texto é de uma erudição rara, apresentando de forma bastante acadêmica a questão, seu embasamento teórico, e discutindo os conceitos propostos a fundo. Vale destacar a importância dada ao homoerotimso como ferramenta teórica, e o debate que o autor produz contrapondo este conceito à Teoria literária. Nesse sentido, o texto funciona como um marco teórico tão importante quanto a defesa dos estudos sobre homoerotismo e literatura feita por José Carlos Barcellos em 1999, algo que não se faz há bastante tempo, pois os estudos sobre homoerotismo voltaram-se para a praticidade do termo nas análisers literárias. O trabalho de Fourreaux é importante por defender e refletir sobre o conceito especificamente. Se os autores analisados podem não possuir muito interesse para o público brasileiro, o livro ainda assim é de muito interesse para os estudiosos de gênero, literatura e sexualidade. É necessário fazer uma revisão muito aguçada, pois existem muitas repetições, problemas de pontuação, assim como de referências bibliográficas, muitas das quais estão anotadas no manuscrito que nos foi enviado pela editora.

Parecer : Diante do exposto, sou favorável à publicação do material, caso seja do interesse da editora.

Resultado de imagem para paradoxo