Delírios

Deve haver na Filosofia, na Psicologia, na Química ou na Biologia, juntas ou isoladas, em dupla, trios ou quarteto, um capítulo que se explique a crença de que a solidão é trágica em sua essência. Esse axioma leva à constatação de que solidão é algo ruim, mal, a ser combatido, evitado, superado. Tenho cá minhas dúvidas. Do fundo de minha ignorância, penso que não é bem assim. Sempre, por natureza, preferi o isolamento. Claro está, como qualquer outro adolescente em pindorama, vivi meus momentos de agitação “juvenil”. As turmas, as noitadas, passar a noite fora… conquistas que o tempo ensina – pena que um pouco tarde demais – serem quase inócuas. Só não o são, de fato, porque fazem parte desse exercício inexplicável que é viver. Porque é um exercício. Por que é inexplicável, apesar de tantas explicações ao longo do tempo… Isso me levou, hoje, – e já adianto que não faço a mínima de como e por que me veio a mente essa estranha elucubração, e não vou me esforçar para procurar explicação – a pensar na falta de explicações mais correntes sobre como eram os hábitos dos homens das cavernas, no que diz respeito a tratamento de doenças e intimidade sexual. Os Flinstones alegorizaram isso. Há um filme, Planeta dos macacos, que extrapola as fronteiras da ficção científica e chega perto. Não tenho conhecimento se a História já se debruçou sobre este capítulo. A dúvida me faz pensar na quase impossibilidade de responder às possíveis perguntas que porventura venham a aparecer. Penso ser plausível pensar assim, pois não há evidência que tenha resistido ao tempo e, por outro lado, qualquer coisa que se diga, se constate, se explique, sempre vai ser pautado pelo limite de nossa visão curta e sempre, sempre, inquestionavelmente, limitada pelo próprio tempo. Tudo isso me leva, uma vez mais – e de novo, sem a mínima chance de eu me esforçar para procurar a elaboração concisa e objetiva de uma explicação – a pensar na afirmação de que um trabalho que escrevi pela proposição de “leitura de algo que não existe”. as aspas se referem à alteridade da ideia. De fato, não foi isso literalmente que foi dito. A ideia está aí. O que a provocou é o fato de que as cartas que Alberto de Oliveira (o português!) escreveu para António Nobre, em resposta às que ele dele recebia, não existem mais. A afirmação se sustenta na referência que Guilherme de Castilho faz na edição da correspondência ativa de António Nobre: considerada, até prova em contrário, a mais completa. Há apenas uma carta de Alberto de Oliveira, sintomaticamente a última, a do rompimento da amizade que os unia, que consta do citado volume. No entanto, isso não me impediu de “ler” as cartas de Alberto, por reflexo. Num exercício que os quatro propostos analistas – que, ao fim e ao cabo, não analisaram nada – não foram capazes de alcançar/perceber/notar, crio uma imagem de sujeito que escreve, a partir do que a este sujeito outro escreve. Ou seja, das palavras de António Nobre, vou intuindo/deduzindo o que teria dito Alberto, em respostas, nas cartas que mandou queimar. Dentro do quadrado da academia, em seus protocolos que não permitem individualidades expressas, essa ideia é inconcebível. Foi, no entanto, a única saída para o impasse em que me vi quando comecei com essa história toda… Chega. Cansei. Um princípio de desidratação por força de uma diarreia me tira o ânimo de continuar… Se alguém quiser se rebelar, grite, escreva um tuíte, abra uma lista de assinaturas na avvaz, mas não escrevo mais hoje…

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Oblivium

Foram quatro indivíduos. Dois homens e duas mulheres. Quatro espécimes da raça humanoide. O restante dos indivíduos do mesmo grupo não será atingido aqui, somente estes quatro. Particularmente estes quatro. Neles, a soberba, a mesquinhez, a covardia e o rancor, para além do desdém e da inveja – sim, inveja não confessada, jamais assumida, mas inveja – sobra, pulula, supura. Tudo isso num texto com algumas poucas linhas em que tudo isso se materializa, visão distorcida e tendenciosa destes quatro cavaleiros de um apocalipse insidioso e impossível de se sustentar. Disseram eles que não havia desarticulação entre os capítulos e os argumentos que pretendem sustentar a argumentação. Além disso, constava – na leitura dos “quatro” equívocos em conceitos básicos das teorias acerca da leitura, da recepção, da psicanálise, da teoria da literatura e das inúmeras teorias críticas sem vinculação com o eixo central da mesma argumentação. Complementaram com a afirmação de que havia redução da perspectiva de leitura ao “olhar homoerótico”, sem se aprofundar nas contemporâneas teorias sobre o assunto. Para além disso, afirmaram que  texto pecava pela eleição, como objeto parcial da argumentação, as cartas de Alberto de Oliveira, sem garantir-lhes consistência, seja através da leitura do que não existe, seja através de uma elaboração ficcional dessas cartas. Por fim, vaticinaram que tudo foi fruto de leitura insuficiente das cartas existentes, sem trazer à tona nenhuma teoria consistente acerca do gênero. Encerram – com chave de ouro, ouro de tolo, bem explicado – dizendo tudo transpira negligência cabal no que se refere ao estudo de textos literários dos dois autores, em sua relação com as cartas, embora tenha anunciado repetidamente este propósito. Esses quatro tentaram, com o que acima vai escrito, atrapalhar a vida de um indivíduo. Não conseguiram. O que eles execraram foi aceito, com louvo, em editora estrangeira e publicado. Isso mesmo. Doa a quem doer, foi publicado. Então, os “quatro” vão permanecer no esquecimento, pelo menos, em certo esquecimento que se ri da tentativa frustrada deles… Coitados…

Maus hábitos

Pérolas da ignorância

O administrador municipal insiste em agendar a limpeza pública para o meio da manhã, três vezes por semana, para pode atrapalhar bastante o trânsito e, assim, mostrar serviço.

No início e no fim da manhã, papais e mamães, muito ciosos – isso para não contar com os “abnegados” motoristas de van escolar – param em filas duplas e triplas para deixar/apanhar seus pimpolhos que não fazem ideia do desarranjo que causam em nome de sua própria inocência infantil.

A patuleia enfrenta fila debaixo do sol, compra muitos ingressos pra revender mais caro – como se isso fosse muita esperteza fazer isso – e reserva o seu próprio. Daí, na hora do jogo, fica em pé no estádio vociferando e berrando, esgualepando a voz pelo seu “time do coração”.

Os “chiques” pedem o prato, pagam caro por uma garrafa de vinho, comem fazendo pose olhando para os lados, a ver se estão sendo “notados”, tiram fotos dos pratos e depois, acabando o jantar, deixam comida no prato em nome de certa “elegância”.

Há mais, mas confesso que meu estômago começou a ficar embrulhado com tanta pobreza de espírito. Fico por aqui…

Vergonha

Então é assim. Você consegue um emprego e começa a contribuir para a seguridade social. Boa parte de seu salário é corroída por esta contribuição, sustentada pela promessa de um “ressarcimento justo” com a aposentadoria. Daí, a partir de certa idade, o sujeito que contribui a vida toda é OBRIGADO por lei a se apresentar anualmente na agência bancária em que recebe o “benefício” – a sordidez é tanta que ainda se mantém essa aberração lexicográfica e semântica a sustentar discurso canalha. A obrigatoriedade é pretensamente justificada sob a alegação que o “sistema” tem que verificar a efetiva existência do sujeito “beneficiado”. É a famigerada “prova de vida”. Ontem foi noticiada a morte de um senhor de 90 anos, debilitado e acamado por conta de uma epidemia, que teve que ser levado ao banco nos braços do filho para fazer a tal “prova”. A alegação é a de que o “gerente” do banco disse que poderia sair da agência para fazer a “prova”. Pois é. Depois que o homem morreu, o banco disse que isso não pode ter acontecido porque ninguém pode sair da agência para tal fim. O inss tenta tirar o dele da reta dizendo que disponibiliza funcionário para fazer a maldita prova em domicílio, sob requisição do usuário. O banco se negou a depositar a aposentadoria do homem que morreu porque ele não fez a prova de vida e… e… e… A minha indignação é tamanha que nem sei. Não sei como é que funciona isso em outras plagas. Aqui em pindorama é essa iniquidade, essa vergonha, essa indecência. Enquanto isso, um bando de descerebrados correm atrás de uma bola – ganhando milhões pra fazer isso – em nome de representa a nação brasileira. Outra catrefa de igualmente descerebrados vocifera e gasta mais dinheiro ainda para brindar a própria ignomínia, ignorância, deslealdade e falta de vergonha na cara. E a patuleia acredita que existe uma saída. Que vergonha, meu Deus, que vergonha eu estou sentindo…

Impertinência(?)

Que eu saiba, Aristóteles não raspava a cabeça à navalha, nem cultivava uma barba grisalha, nem fala com o sotaque um pouco daqui, um pouco dali. Ele não era uma celebridade que viajava de norte a sul, leste a oeste, falando sobre todo e qualquer coisa. Ele falava, e muito, é fato. Das notas que fazia para suas aulas surgiu um livro que é primacial para os estudos literários no/do Ocidente: Arte poética. Da sua cabeça, saíram suas ideias. Não me consta que, a seu tempo, havia oficinas de escrita criativa. Logo, pode-se supor que Aristóteles escrevia e falava sobre o que lhe vinha à cabeça. Tudo era fruto de observação e estudo, é claro. No entanto, não me consta que ele tinha que apresentar revisão bibliográfica do que escrevia, nem defender publicamente, diante de uma banca, o fruto de suas elucubrações. Além disso, também não me consta que tinha que publicar regularmente em revistas indexadas, consideradas, da mesma forma, a seu tempo de qualidade superior, A ou B. Pois é. Ainda assim, leio numa publicação sobre Literatura, uma entrevista em que um professor, do alto de seus quase ou mais de trinta anos de experiência, diz que nos dias que correm, o que mais se procura é a profissionalização da escrita. Ele mantém, numa universidade, um curso de escrita “criativa”. E eu me pergunto: como é que fica o sentido do adjetivo “criativa”? As leituras devem ser determinadas pelo professor, a seleção de trechos e a orientação dos comentários e análises, da mesma forma. Os exercícios, por suposto, devem buscar a inventividade de quem “faz” o curso. No entanto, o espantoso é que tudo isso tem que atender aos parâmetros de um tal de “mercado”. Parecem dois graus de pós-graduação para o sucesso editorial e de “mercado”: o mestrado é a frequência a uma oficina de escrita “criativa”, o doutorado, a premiação – e só serve se for e, primeiro lugar – em qualquer concurso “oficial” que dê “visibilidade” à obra ganhadora. Rios, não tão caudalosos assim, de dinheiro correm aqui e ali e a patuleia continua acreditando que só o que sai desse funil é que presta. Isso é prosa de ressentido? Não! Definitivamente não!” Na Grécia, a Acrópole é sinal de um abalo positivo nas ideias, no comportamento na cultura, a Arte poética acompanha o mesmo caminho. Em pindorama, Brasília e a ponte Rio-Niterói – pra ficar apenas no âmbito do século XX – podem ser exemplos do mesmo impacto. E há ainda quem queira me convencer de que oficina de escrita criativa forma escritores??? Machado de Assis, gago, epilético – até prova em contrário –, filho da classe trabalhadora do Rio de Janeiro finissecular, escreveu o que escreveu depois de fazer uma oficina desta natureza? Não. Não as havia, é óbvio! Ganhou algum prêmio literário para obter projeção nacional e internacional? Não. Não que eu saiba. Guimarães Rosa segue a mesma trilha. O que dizer então de Clarice Lispector??? Todos escreveram como as ideias lhes vinha à mente. Seguiram seus instintos, alimentando-os com sua sensibilidade. Claro que leram outros autores, claro que observaram. No entanto, não se submeteram, que eu saiba, a ditames empresariais de casas editoriais que buscavam o lucro no âmbito mercadológico. Isso é “conversa pra boi dormir”. Calo-me e recolho-me à minha insignificância. É sexta-feira e, por isso mesmo, cubro-me – já que o frio começou a mostrar as suas garras – com o manto da chatice. E feliz, tranquilo, com saúde, aposentado. Feliz. Punto i basta!

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Palavras…

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Alienado. Uma palavra simples, de sonoridade agradável. Sua prosódia não é problemática. Já houve momentos, na História da Língua Portuguesa, que seu uso foi mais politizado, no sentido mais espesso e rico deste adjetivo. Há outros momentos em que esta consistência se perdeu, em nome de outras expressões, mais condizentes com o circuito cultural da sociedade. Como tudo o mais, os sentidos são voláteis, não aprisionáveis e ricos, muito ricos, na miríade de nuances discursivas passíveis de construção com seu uso. No dicionário, sua “classe” é dupla. Por natureza, é adjetivo, mas pode ser utilizado como substantivo. São quatro, as acepções do termo. Cada uma, na sequência, acrescenta um detalhe, uma nuance, que faz da palavra um termo muito interessante. Seu uso, portanto, deve ser orientado por cuidado e sensibilidade para não se perder a riqueza semântica de dada um desses detalhes. São quatro, as acepções, como eu disse. A primeira diz que alienado é qualidade de algo que foi transferido; cedido, vendido. Nada de muito problemático. Quando alguém gosta de um anel ou de uma écharpe que porventura eu esteja usando, estando eu em um bom dia, tiro o anel do dedo ou a écharpe do pescoço e do para quem está a admirar. Pronto, alienei o anel ou a écharpe! A segunda acepção diz que alienado é aquele que sofre de alienação mental; louco, maluco, doido. Aqui, percebe-se um traço semântico mais espesso: a patologia do termo ou, no mínimo, de seu uso. A ausência de “razão”, ou melhor, de racionalidade nas atitudes, pensamentos e palavras pode sustentar a alcunha e alienado. Uma forma elegante, delicada, de tratar aqueles que já foram motivo de chacota, pena, medo e até raiva. Aquelas pessoas que eram retiradas do convívio social para serem “tratadas”. Foucault já tratou dessas idiossincrasias. Assim, alienação, nesta acepção, é coisa de doido, de hospital, de manicômio. Numa terceira camada semântica, o termo recebe a acepção daquele sujeito que sofre de alienação, que vive sem conhecer ou compreender os fatores sociais, políticos e culturais que o condicionam e os impulsos íntimos que o levam a agir da maneira que age. Aqui, o caráter patológico do sentido do vocábulo ganha espessura mais larga. Não há apenas a redutora referência a um comportamento doentio, mas acrescenta nuances racionais que associam o comportamento alienado. Este comportamento é percebido pelo sujeito que o tem e se transforma em objeto de análise e discussão, de questionamento. Ainda que não necessariamente vinculado à busca de solução dos incômodos causados, o alienado, nesta terceira acepção, é alguém que pensa sobre a própria condição. Ele se questiona sobre como isso teve início, como se manifesta, como se percebe em atos e pensamentos. Para além disso, esse mesmo sujeito busca, mesmo que inconscientemente, uma explicação para entender o que se passa consigo mesmo. Por fim, na quarta acepção, alienado é aquele que, voluntariamente ou não, se mantém distanciado das realidades que o cercam; alheado. Muito longe de ser um sujeito “doente”, o alienado, neste quarto sentido, é um sujeito consciente de seu “estado” e equilibrado o suficiente para perceber que pode fazer uso desta condição como forma de autopreservação. Este alheamento não é, necessariamente, negativo, mórbido, patológico. Antes disso, é um estado de espírito que aponta para certa tranquilidade buscada pelo sujeito que se sente incomodado com o que está à volta. Esta á palavra que tem retumbado em meu pensamento ultimamente. Deve ser fruto da preguiça, da falta de sentido de tudo. A quarta acepção é a que melhor expressa o meu atual estado de espírito. Por uma questão de equilíbrio, de saúde. “Mas esta é só a minha opinião”…

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Por hoje é só

Fantástica a coluna da Cora Ronái hoje no O Globo!

Divulguem!

A caminho do brejo

Cora Ronái

A sociedade dá de ombros, vencida pela inércia

Um país não vai para o brejo de um momento para o outro — como se viesse andando na estradinha, qual vaca, cruzasse uma cancela e, de repente, saísse do barro firme e embrenhasse pela lama. Um país vai para o brejo aos poucos, construindo a sua desgraça ponto por ponto, um tanto de corrupção aqui, um tanto de demagogia ali, safadeza e impunidade de mãos dadas. Há sinais constantes de perigo, há abundantes evidências de crime por toda a parte, mas a sociedade dá de ombros, vencida pela inércia e pela audácia dos canalhas.

Aquelas alegres viagens do então governador Sérgio Cabral, por exemplo, aquele constante ir e vir de helicópteros. Aquela paixão do Lula pelos jatinhos. Aquelas comitivas imensas da Dilma, hospedando-se em hotéis de luxo. Aquele aeroporto do Aécio, tão bem localizado. Aqueles jantares do Cunha. Aqueles planos de saúde, aqueles auxílios moradia, aqueles carros oficiais. Aquelas frotas sempre renovadas, sem que se saiba direito o que acontece com as antigas. Aqueles votos secretos. Aquelas verbas para “exercício do mandato”. Aquelas obras que não acabam nunca. Aqueles estádios da Copa. Aqueles superfaturamentos.

Aquelas residências oficiais. Aquelas ajudas de custo. Aquelas aposentadorias. Aquelas vigas da perimetral. Aquelas diretorias da Petrobras.

A lista não acaba.

Um país vai para o brejo quando políticos lutam por cargos em secretarias e ministérios não porque tenham qualquer relação com a área, mas porque secretarias e ministérios têm verbas — e isso é noticiado como fato corriqueiro da vida pública.

Um país vai para o brejo quando representantes do povo deixam de ser povo assim que são eleitos, quando se criam castas intocáveis no serviço público, quando esses brâmanes acreditam que não precisam prestar contas a ninguém — e isso é aceito como normal por todo mundo.

Um país vai para o brejo quando as suas escolas e os seus hospitais públicos são igualmente ruins, e quando os seus cidadãos perdem a segurança para andar nas ruas, seja por medo de bandido, seja por medo de polícia.

Um país vai para o brejo quando não protege os seus cidadãos, não paga aos seus servidores, esfola quem tem contracheque e dá isenção fiscal a quem não precisa.

Um país vai para o brejo quando os seus poderosos têm direito a foro privilegiado.

Um país vai para o brejo quando se divide, e quando os seus habitantes passam a se odiar uns aos outros; um país vai para o brejo quando despenca nos índices de educação, mas a sua população nem repara porque está muito ocupada se ofendendo mutuamente nas redes sociais. Enquanto isso tem gente nas ruas estourando fogos pelos times de futebol!

https://m.oglobo.globo.com/cultura/a-caminho-do-brejo-20606929

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