Três fronteiras

Então, de repente, do nada, o professor, ou a professora – ai essa chatice de ter que esquecer que a riqueza da Língua Portuguesa permite o uso de uma única forma para os dois gêneros vocabulares… chatice! Não vou dar asas à cobra aqui!– vira-se para os alunos e pergunta na lata, apontando para a mesa onde está um livro: o que está sobre a mesa? E todos respondem: um livro. Ele pergunta de novo: de quem é o livro? E a resposta: da professora. Então, ele muda o livro de lugar e continua com uma série de perguntas sobre o livro e sua posição. Um dos alunos pergunta para que aquilo tudo. E o professor, pachorrentamente, responde que aquilo tem a ver com a ideia de posição. Ou seja, não importa onde o livro esteja, como ele esteja sobre a mesa. O fato de ele estar sobre a mesa continua o mesmo. Em outras palavras a sua posição não interfere no fato de estar sobre a mesa. Então outro aluno pergunta, mas o que isso tem a ver com a “matéria”? O professor, mais pachorrentamente, responde que está fazendo um aquecimento para explicar a importância da ordem dos elementos na frase e algumas de suas consequências. Então, de promptu, ele escreve na lousa – ui, que antigo! Sim, sou desse tempo! – dois versos: “Ouviram, do Ipiranga, as margens plácidas / do povo heroico, o brado retumbante”. E lascou a pergunta: qual o sujeito desta oração? Mas isso é o hino nacional, disse alguém. E uma gritaria se alastrou. Sim, disse o professor (ainda pachorrentamente), mas é uma oração. Uma oração em forma de verso. Então. Qual o sujeito. Silêncio sepulcral. Um dos alunos mais ousados e debochados disse que não havia sujeito. O professor perguntou por quê. O aluno disse que não havia nada antes do verbo. A professora, com toda a sua pachorra, comentou: prestem atenção no verbo. O que tem ele, perguntaram. Ele está no plural, alguém respondeu. Pois é, disse o pachorrento professor. Isso é um dado importante aqui. Se o verbo está no plural, o sujeito tem que estar no plural, não é? Silêncio sepulcral. Daí a professora pergunta o que foi que “ouviram”. Uma das alunas mais aplicadas respondeu: “o brado retumbante”. E o professor atalhou: logo, essa expressão não pode ser o sujeito da oração. De quem é o brado, arriscou o professor. Ora, disse, outra das alunas aplicadas, “povo heroico”, pois margens não falam. O que é Ipiranga, pergunta a professora. Silêncio sepulcral. O mais engraçadinho murmura: “o posto de gasolina”. Risada geral. Balbúrdia. O professor, já não tão pachorrentamente assim, responde, não, é o nome de um riacho, o local onde Dom Pedro I declarou a Independência do Brasil. Então, insiste, qual é o sujeito. O nerd da turma responde: “As margens do Ipiranga”. Como você chegou a essa conclusão, pergunta a professora: ora. disse o aluno. Se o verbo está no plural, o sujeito também tem que estar no plural. Na oração que está na lousa a única coisa que está no plural é “as margens plácidas”. Logo, este é o sujeito da oração. Ele está deslocado. Alguma vaia, risinhos, quase balbúrdia. O professor assentiu e continuou seu discurso sobre as possibilidades de deslocamento do sujeito numa oração.

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“Saudade dela, aquela mulher imensa. Sempre sentada a fazer crochê. Sempre falando baixo e com um sorriso rasgado, quando não crispava a expressão por conta de alguma indiscrição, ou por condenar alguma palavra mais grosseira. Uma santidade encarnada. Saudade dele, quando, pela manhã, acordava coçando a barriga, solta na frente da blusa desabotoada do pijama. Mastigando a própria língua e lambendo as gengivas, livre das dentaduras ainda no copo d’água, na cabeceira da cama imensa. A calma encarnada. Tudo grande. Família grande de gente imensa, larga. Tanto que um dos filhos foi para o Japão lutar sumô…” (Não sei o porquê de escrever isso aqui. Encontrei anotado numa agenda velha, sem nenhuma referência.)

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Então é assim: um sujeito afirma que vem sendo preso desde 2002. Os delitos são variados assim como as penas por ele sofridas. Seu depoimento é calmo. Ao final, ele afirma que por ter uma filha de dez anos e por ter sido trabalhador antes da sequência de prisões, recebeu da “justiça” quase duzentos mil reais. Não há comentário. Não se sabe se foi indenização. Não se tem notícia se o valor é o somatório da “ajuda” que veio recebendo enquanto encarcerado. De qualquer das maneiras. Isso é inexplicável. E eu ainda tive que aguentar comentário safado, depois que partilhei o vídeo, dizendo que eu deveria procurar a fidedignidade das fontes para não espalhar notícia falsa, dado que, na opinião de quem comentou minha postagem, a situação é plenamente compreensível, viável e, até, justa! Eu posso?

Elogio da chatice

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Culpa, substantivo feminino: responsabilidade por dano, mal, desastre causado a outrem; falta, delito, crime; atitude ou ausência de atitude de que resulta, por ignorância ou descuido, dano, problema ou desastre para outrem; como termo jurídico – no direito civil, falta contra o dever jurídico, cometida por ação ou omissão e proveniente de inadvertência ou descaso; c0m0 termo jurídico, no direito penal, ato voluntário, proveniente de imperícia, imprudência ou negligência, de efeito lesivo ao direito de outrem; fato, acontecimento de que resulta um outro fato ruim, nefasto; consequência, efeito; consciência mais ou menos penosa de ter descumprido uma norma social e/ou um compromisso (afetivo, moral, institucional) assumido livremente; na psicologia – emoção penosa (de autorrejeição e desajuste social) resultante de um conflito (p.ex., entre impulso, desejo ou fantasia e as normas sociais e individuais); na religião – transgressão de caráter religioso e/ou moral; pecado.

Grande, adjetivo de dois gêneros: cujas dimensões são maiores que o normal; corpulento ou alto (diz-se de pessoa ou animal); de longa extensão; comprido, longo; que consiste em muitas pessoas ou coisas; numeroso; que ultrapassa certos limites; excessivo, desmedido; que é intenso; agudo, forte, violento; de extensa repercussão; muito eficaz; que tem muita influência ou poder; importante, poderoso; que já saiu da primeira infância; que já entrou na fase adulta; crescido, adulto; exímio naquilo que faz; notável, eminente; de amplas qualidades morais, intelectuais etc.; que demonstra magnanimidade nos gestos ou atitudes; de qualidade superior; excelente; magnífico, soberbo; fundamental, principal, primordial; que é significativo, marcante, memorável; que tem um caráter de importância nos campos social, político, econômico, intelectual etc.; que consiste em aspectos altamente positivos; excepcional, extraordinário; que é sério, grave ou complexo; diz-se de unidade política ou geográfica tomada em conjunto com sua área imediatamente adjacente, ou com outras que se acham natural ou administrativamente ligadas a ela. Como substantivo masculino: pessoa adulta; indivíduo mais velho, relativamente, que outro; pessoa de influência e poder, por ter condição social ou política elevada.

Aí como advérbio: nesse lugar, em posição próxima da pessoa a quem se fala; lugar perto do ouvinte; esse lugar; no lugar a que se fez referência; lá, ali; nesse aspecto, nesse ponto; nesse momento, nessa ocasião; então; por lugar incerto; por aí; em anexo; em palavras ou expressões que designam quantidade, indica ou reforça ideia de imprecisão; cerca de, mais ou menos; por aqui (Uso específico no Português antigo, depois do verbo haver – no sentido de existir – ou de outros verbos). Como interjeição: Regionalismo – Brasil, uso informal – exprime aprovação, aplauso ou incentivo; denota sentido malicioso ou brincalhão.

Sou um chato, declarado e reconhecido. A postagem de hoje é simples provocação. Tirei os verbetes do dicionário, os exemplos estão lá. A postagem serve para chamar a atenção para quem escuta, sobretudo escuta, culpa em lugar de responsabilidade; maior, quando a ideia não tem a ver com medida, grandiosidade, quantificação e aí, no meio da frase, sem nenhuma função a não ser dar continuidade a um modismo linguístico coloquial, irmão gêmeo do gerundismo que ainda grassa por aí…

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Aurea mediocritas

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Neste exato momento, alguém morreu e mais gente nasceu. Há quem esteja indo dormir e outra gente que está despertando, com um novo dia, chuvoso, ensolarado ou coberto de neve. Há quem esteja fazendo sexo, numa noite de aventura, ou aquele, mais protocolar, quase rotineiro dos pares que já se estabilizaram. Há alguém namorando, alguém pensando em se matar. Há a saudade, que atinge a todos, e sempre tem endereço certo. Cada um sabe de si. Deva haver alguém, fazendo um pedido num restaurante chique, olhando para os lados, a procurar a atenção alheia, como se a celebridade fosse motivo para viver. Noutro ponto do planeta, alguém está a admirar a paisagem do alto de um balcão num navio de luxo e sentindo-se feliz. Quantas mentes iluminadas está gestando ideias mirabolantes e inúteis, em busca da fama. Quantas ideias geniais se perdem por falta de reconhecimento ou de aplicação prática imediata, com lucro garantido e nenhuma implicação com responsabilidade. Há gente, agora, ledo um poema ou um romance. Gente entrando e saindo de centros de compras… vazias. Gente vendo filmes. Gente chorando em velórios. Gente se divertindo à beira-mar ou numa piscina. Há tanta gente! Há tanta coisa.

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Num salto, leio o verbete da infopédia (https://www.infopedia.pt/$aurea-mediocritas):

Aurea Mediocritas é uma designação latina que podemos encontrar numa das Odes (II, 10, 5) de Horácio e que expressa a ideia de que só é feliz e vive tranquilamente quem se contenta com pouco ou com aquilo quem tem sem aspirar a mais. Esta expressão encontra-se fortemente ligada a estes poemas porque de entre a variedade de temas tratados, que vão desde o amor e amizade aos valores morais de Roma, têm especial relevo os que se inspiram no carácter efémero da vida, no prazer, na inconstância da Fortuna e nas formas de resistência. Especificamente nestes assuntos o autor procurou demonstrar a conveniência do seguimento de um ideal de Mediania Sensata (Aurea Mediocritas), extremamente vantajoso para que se possa alcançar a felicidade.

Sem me demorar em falsa erudição – coisa que ainda move boa parte da “humanidade” que acredita ser superior, diferente, melhor que o resto dos mortais – dou outro salto e caio num outro verbete, agora do Dicionário Houaiss:

Mediocridade: substantivo feminino que identifica qualidade, estado ou condição do que é medíocre, mediocrismo; identifica também situação, posição mediana, entre a opulência e a pobreza; modéstia. Quando usado pejorativamente, indica insuficiência de qualidade, valor, mérito; pobreza, banalidade, pequenez. Quando usado no campo da estatística significa pouco usado, a justa medida; moderação. Por fim, em derivação por metonímia indica pessoa ou conjunto de pessoas sem talento, medíocres; mediocreira.

Somos todos medíocres. Ser medíocre não é, necessariamente, ruim. Não por princípio. Como tudo o mais, absolutamente tudo o mais, depende… Somos medíocres.

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Palavras

A língua, qualquer que seja sua “nacionalidade” faz de tudo e mais um pouco para dar expressão a ideias, sentimentos, experiências, fatos, coisas… Não chega a ser vão, este esforço, mas fica próximo. Em certos casos, uma língua consegue criar uma palavra que fica única no universo linguístico da humanidade. Uma palavra que olustra de maneira incontestável é SAUDADE.

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Por outro lado, do alto da minha chatice (e tenho quase absoluta certeza de que não estou sozinho!) há palavras que irritam, incomodam, por conta do que se encerra em seu horizonte de expectativas semânticas. Uma delas é “tolerância”:

n substantivo feminino
1 ato ou efeito de tolerar; indulgência, condescendência
2 qualidade ou condição de tolerante
3 tendência a admitir, nos outros, maneiras de pensar, de agir e de sentir diferentes ou mesmo diametralmente opostas às adotadas por si mesmo
4 isenção de norma, de regra geral; licença, dispensa
Ex.: t. de horário
5 quantidade, para mais ou para menos, permitida pela lei no peso ou no título das moedas
6 diferença ou margem de erro admissível em relação a uma medida ou a um padrão
7 Rubrica: farmácia.
fenômeno caracterizado por uma diminuição dos efeitos sobre o organismo de uma dose fixa de substância química à medida que se repete sua administração
8 Rubrica: toxicologia.
capacidade de o organismo suportar doses de determinada substância sem apresentar sinais de intoxicação

Pois é. Penso que não é equivocado dizer que esta palavra, em sua variada abrangência semântica tem um pressuposto comum: o erro. Explico-me. Na cópia que fiz do Dicionário Houaiss e reproduzo acima, o verbete apresenta as acepções conhecidas da palavra. É fácil perceber o que eud isse acima sobre “erro”. Basta atentar para as acepções 4, 5 e 6. Em outras palavras, “tolerar” é aceitar o que não é aceito, considerado certo, comum. Logo, há que se levar em conta que o que é “tolerado” não entra no âmbito da “normalidade”. Portanto, é exceção. É como se um sujeito fosse condescendente, quase compassivo. O ato de “aceitar” compõe, de maneira tendenciosa, o ato de “tolerar”. Estou como as moscas em torno da lâmpada e há uma razão para isso: minha irritação com certa “militância” que usa essa palavra como “emblema”, sem atentar para nuances semânticas que nela mesma convivem. Todo cuidado é pouco. Paea além, muito além, da língua, há o discurso. Então… Toda atenção é pouca…

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Gratidão

Palavra-chave para a sustentabilidade de certa dose de harmonia na co-existência humana. O acadêmico português, em rápidas palavras apresenta o sentido dos graus do agradecimento sincero. Que seja de bom proveito!

Inesperado

No finalzinho da redação de uma postagem, as linhas vermelhas apareceram embaixo de algumas palavras mal digitadas (Houve um tempo em que dir-se-ia “mal traçadas”, mas esse tempo parece ter passado). Fui corrigindo aqui e ali e noto, estupefato que há um “er” solto. Vou lá, aciono (o onomatopaico verbo me irrita, mais hoje que em outros dias…) a tecla direita do rato (ai, ai, saudades de Portugal) e, mais estupefato ainda, percebo que, na lista de possibilidades corretivas, não aparece o verbo “ler”. Será um sinal dos tempos? Um termômetro da atualidade? Um aviso? Sei não… Depois de ler, por mais uma vez, as palavras mais que lúcidas de um ex-aluno e, agora, vizinho, fiquei pensando em algumas possibilidades hermenêuticas para esse acaso…

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Índice

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Aula de Literatura Portuguesa. Gil Vicente. Estava eu lá a tentar explicar de maneira o mais clara possível a agudeza da contribuição do autor humanista/renascentista em/de terras lusas. Melhor seria dizer terras ibéricas (?). Há sempre uma controvérsia implícita em cada afirmação,sobretudo em certas “áreas do conhecimento” (Sempre que uso esta expressão me vem ao pensamento a imagem de um condomínio fechado com os seus lotes separados por cercas vivas, baixinhas, bem aparadas, verdinhas… Pois bem, Gil Vicente. De repente, diante do olhar baço dos estudantes – sim, baço, sem brilho, desinteressado, acomodado, neutro, sem vida… uma espécie de necrotério do pensamento – afirmo com todas as letras que o teatro profano de Gil Vicente causou verdadeira revolução na cultura ibérica. seus efeitos podem ser sentidos ainda hoje e que, devido a ele, o teatro no Ocidente não foi mesmo. Para completar, mandei uma alegoria: Gil Vicente foi o Sílvio Santos do final da Idade Média, como no programas”Portas da Esperança”. Guardadas as devidas proporções foi isso mesmo. Não no sentido de dar prêmios e/ou realizar sonhos,mas no sentido de desamarrar a arte dramática, de dar vazão a releituras e críticas à sociedade de seu tempo e de oferecer à população “extra muros” daquela época, a oportunidade de fruir de sua arte. Sua linguagem era simplificada, harmônica, musical – os textos de seus Autos e Farsas são rimados! – numa mistura galego-portuguesa que atingia os ouvidos e corações portugueses, fazendo, rir, chorar, pensar, refletir. Teatro “profano”. Não pela temática abusiva e/ou debochada – o que não deixa de estar presente em seus textos – mas pela localização: fora dos palácios, das igrejas; em praça pública, largos e ruas medievais das cidades, já em crise… Uma festa. Uma espécie de FIT – como aconteceu recentemente em belo Horizonte. Um festival. A diferença é que “lá” o espetáculo era constante e não fazia penas parte de um calendário “cultural” com finalidades um tantos esdrúxulas, se vistas sob certa perspectiva… Sei que alguns (não poucos) narizes estarão tortos por conta dessa minha “atitude”. Sei que um risinho sardônico – sempre gostei desta palavra – deve estar sendo esboçado abaixo desses mesmo narizes torcidos, numa sequência gozosa (Alô Lacan!) de desdém: “me importa me lá”. Diria vovó Esther. E eu repito.

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No Rio de Janeiro, sexta-feira pela manhã, num táxi a caminho do hotel, ouvindo a Rádio Tupi (a versão carioca da Rádio Itatiaia – ou vice-versa, dependendo do grau de bairrismo de quem usa a expressão!). Escuto um douto senhor, com aquele sotaque “característico” – a vontade era de usar outro qualificativo, mas a boa educação me impede – a dizer cousas e lousas a respeito da criminalidade na “cidade maravilhosa” (hoje apenas pela geografia, ainda que um tanto degradada), sobretudo aquele que utiliza a motocicleta como seu veículo. A reclamação era de que há pouco espaço para guardar as ditas cujas apreendidas em cenas de crime, segundo a polícia. A douta voz dizia que o crime “recrudesceu” no Rio de Janeiro, sobretudo o que utiliza a motocicleta. Fiquei na dúvida. Recrudesceu? Quer dizer, diminuiu? Comentei com minha mão que opinou o contrário. Fiquei na dúvida. Só hoje recorro ao “pai dos burros” – de onde terá saído esta expressão? – e vejo que o significado é o que minha mãe opusera à minha dúvida. Como verbo intransitivo tem dois significados, tornar-se mais intenso; exacerbar-se, aumentar e reaparecer com sintomas mais fortes e preocupantes (sintoma, doença, epidemia); agravar-se. Nada como um dia depois do outro. Ou seria “após”…

 

O que pode uma língua

Dizem que a língua (idioma) é uma “entidade” viva. Daí se dizer que a Gramática apenas descreve seu funcionamento, mas não o determina. Além disso, a tal de língua não funciona sozinha, por si mesma, autonomamente… Ela depende do sujeito que a utiliza. Também é preciso lembrar sempre de que a língua é um código que pode/deve ser utilizado pelo tal de sujeito, para se comunicar e, assim, ela vai construindo o(s) sentido(s) do que o tal de sujeito quer se expressar/comunicar. Com isto, conclui-se que o sujeito é co-participante na construção do tal de sentido – para não dizer que é ele mesmo que determina esse mesmo sentido, em regime de co-laboração – há o contexto, as referências, os objetivos, as circunstâncias, etc. Isto posto, dizer que isso está certo e aquilo está errado é, como tudo na vida, relativo. Evidentemente, algumas circunstâncias, no universo da comunicação, têm seus protocolos e estes exigem da língua certo comportamento que deve ser operacionalizado pelo sujeito para que o sentido da comunicação não se perca. Complicado né… O texto abaixo ilustra bem essa “complicação”. Ao pensar no que eu disse aqui, de maneira superficial e generalizada, haveria, no mínimo, espaço para discussão sobre o resultado da experiência. Trata-se de uma “prova” aplicada por um “professor” e respondida por um “estudante” que, de acordo com a “correção” feita, não obteve resultado positivo. Em outras palavras, o gajo “tirou” zero na prova. Eu tenho minhas dúvidas se este resultado é “mesmo” acertado… Tudo depende de interpretação…

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TIROU ZERO SEM RESPONDER NADA ERRADO

1. Quando Napoleão Morreu?   “Na última em que ele lutou.”

2. Onde foi assinado o Tratado de Tordesilhas?   “No final da folha.”

3. Em que estado corre o Rio São Francisco?   “Líquido.”

4. Qual a principal razão do divórcio?   “O casamento.”

5. Qual o principal motivo dos erros?   “As provas.”

6. O que nunca se come no café da manhã?   “Almoço e Janta.”

7. Com o que se parece a metade de uma maçã?   “Com a outra metade.”

8. Se você jogar uma pedra vermelha em um lago azul, como ela fica?   “Molhada.”

9. Como um homem consegue ficar 8dias sem dormir?   “Sem problemas, ele dorme à noite.”

10. Como se fazer para levantar um elefante com uma só mão?   “Você nunca encontrará um elefante que só tenha uma mão…”

11. Se você tiver 3 maçãs e 4 laranjas em uma mamão e 4maçãs e 3 laranjas na outra, o que você terá?   “Mãos enormes.”

12. Se 8 homens levam 10 horas pra construir uma parede, quanto tempo levariam 4 homens para construí-la?   “Tempo algum, a parede já foi construída.”

13. Como você faria para derrubar um ovo cru em um piso de concreto, sem quebrá-lo?   “Da maneira que quiser, pisos de concreto são muito difíceis de se quebrar.”

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Estupidez

Para aqueles que ainda acreditam que a “senhora” que diz ouvir as vozes das ruas está certa, vai aí a pá de cal. Ai, ai, que falta faz uma boa hora de leitura… Li no Facebook e, rapidinho, trouxe pra cá…

UTILIDADE PÚBLICA.
COM MUITA ALEGRIA TENHO A GRATA SATISFAÇÃO DE REPASSAR
À PRESIDENTE E A TODOS OS BRASILEIROS, ESSE ESCLARECIMENTO
QUE FOGE AO ALCANCE DE CERTAS PESSOAS LIMITADAS.
ATÉ QUE ENFIM ALGUÉM CORRIGIU ISSO
(aula de português)
Uma belíssima aula de português!
Foi elaborado para acabar de vez com toda e qualquer dúvida se tem presidente ou presidenta.
A presidenta foi estudanta? Existe a palavra: PRESIDENTA?
Que tal colocarmos um “BASTA” no assunto?
Miriam Rita Moro Mine – Universidade Federal do Paraná.
No português existem os particípios ativos como derivativos verbais.
Por exemplo: o particípio ativo do verbo atacar é atacante, de pedir é pedinte, o de cantar é cantante, o de existir é existente, o de mendicar é mendicante…
Qual é o particípio ativo do verbo ser?
O particípio ativo do verbo ser é ente. Aquele que é: o ente. Aquele que tem entidade.
Assim, quando queremos designar alguém com capacidade para exercer a ação que expressa um verbo, há que se adicionar à raiz verbal os sufixos ante, ente ou inte.
Portanto, a pessoa que preside é PRESIDENTE, e não “presidenta”, independentemente do sexo que tenha.
Diz-se: capela ardente, e não capela “ardenta”; se diz estudante, e não “estudanta”; se diz adolescente, e não “adolescenta”; se diz paciente, e não “pacienta”.
Um bom exemplo do erro grosseiro seria:
“A candidata a presidenta se comporta como uma adolescenta pouco pacienta que imagina ter virado eleganta para tentar ser nomeada representanta. Esperamos vê-la algum dia sorridenta numa capela ardenta, pois esta dirigenta política, dentre tantas outras suas atitudes barbarizentas, não tem o direito de violentar o pobre português, só para ficar contenta”.
Por favor, pelo amor à língua portuguesa, repasse essa informação.

DE HOJE EM DIANTE SÓ PUXA SACO IGNORANTE DIRÁ: PRESIDENTA

Perfeição

Mais uma vez, o texto que segue não é meu. Quem me mandou foi a querida amiga, Ângela, que, por sua vez, copiou e colou de um blogue de uma amiga dela, a Marina. Eu gostei e então copiei e colei também. Perfeito!

PAI DOS ESPERTOS

 

Desde que escutei, pela primeira vez, minha primeira professora de português chamar o dicionário de “pai dos burros”, não concordei.

Para os sábios, isso pode até ser uma brincadeira engraçada, pois eles sabem que, quanto mais se estuda, menos se sabe.

Contudo, para uma criança, isso vira uma informação negativa, pois ela entende ser burro quem recorre a uma fonte de saber.

Ademais, cria uma grande dúvida, qual seja, se não devo buscar o conhecimento nos bons livros, como vou aprender?

Talvez aí esteja uma propaganda subliminar da profissão de professor, com a insinuação mercadológica “aprenda comigo e não precisará de outros meios”. Não, não acredito nessa hipótese. Os professores, em geral, são sábios.

Certo é que fui ao encontro do pai dos burros, digo, dos espertos, para esclarecer o verdadeiro significado de uma palavra comum, o vocábulo “perfeito”.

A causa disso foi uma viagem que meu filho fez a uma cidade praiana, por conta de um encontro acadêmico.

Carente de notícias, aqui no interior seco do país, enviei uma mensagem a ele, pelo telefone celular, perguntando: “Tudo bem?”

A resposta demorada chegou curta e significativa: “Tudo. O mar é perfeito”.

A resposta me satisfez, pois refletia sua boa condição física, mental e emocional.

Ensina o dicionário que perfeito é feito até o fim, acabado, bem acabado, incomparável, único, sem-par, excelente, irrepreensível, primoroso, impecável, completo, perficiente.

Normalmente, o verbete qualifica a coisa. Aqui, o mar qualificou a palavra.

Assim, fiz uma comparação entre o mar e um automóvel novo, construído pelo homem obviamente, com material futurístico, espelhado, admiravelmente polido. Como toda modernidade, o carro sairá de moda. O mar, não!

Com um microscópio potente, poderemos observar as imperfeições na superfície do veículo. Com o mesmo aparelho, poderemos observar mais belezas dos componentes dos oceanos, detalhes invisíveis aos olhos nus.

Mais uma vez, entendi que a diferença na obra é feita pelo talento do Autor.

Costuma-se admirar os aparelhos eletrônicos, as vestimentas, as comidas, as obras de arte, sentimentos esses legítimos e compreensíveis. Porém, a perfeição mesmo está na velha goiabeira, na terra granulada e disforme, na chuva criadeira, nos olhos dos bichos, nas células dos insetos, no mistério das estrelas, nos corpos com vida, no infinito da noite, no mar.

E é lamentável saber que se chega ao ponto de uma completa inversão de valores, por conta desses conceitos. Um homem pode matar outro, por conta de um amassado em seu carro, mas não titubeia em derrubar uma árvore centenária com uma moto-serra ou um machado, criados pela sua “genialidade”, sem o menor constrangimento.

Meio atordoado pelo antropocentrismo, fiquei pensando sobre qual obra do homem poderia ser considerada perfeita.

Definitivamente, as obras humanas, as materiais, são imperfeitas. As imateriais, como as boas músicas, as boas poesias, os bons textos, muitas vezes se aproximam bastante da perfeição. E isso já deveria ser satisfatório, mas o homem é um eterno insatisfeito, como dizem, se é que será eterno como o mar.

Tentei galgar uma escala mais agressiva de valores intangíveis e já estava a ponto de desistir, quando uma voz infantil, ingênua, cochichou em meu ouvido uma pequena alteração na frase de meu filho: – Amar é perfeito.

Sérgio Antunes de Freitas

20 de janeiro de 2013