Tag: Morte

  • Diário

    Tenho tentado manter um diário. A duras penas, por conta de minha abissal personalidade macunaímica. Neste diário, hoje, registro um fato que me toca, ainda que pouco. A morte de uma escritora. Ficou uma saudade. Nélida Piñon faleceu agora à tarde, em Lisboa. Quisera eu estar vivendo lá, onde ela vivia, ultimamente. Conheci-a em Santa […]

  • Como assim?

    “Uma das coisas que ele sabia era que um dia, sem aviso prévio – mais provavelmente –, ele iria morrer. E durante a tal noite, ele ficou sem saber se o que estava sentindo era o tal de processo de morrer. Uma sensação estranha, incômoda, desagradável. As horas não passavam, o calor, o som das […]

  • José, de novo

    Não sei por que, fui me lembrar de um dia perdido no tempo, em que, terminando de fazer uma conferência, Gerson, o amigo que coordenava a sessão, disse que eu acabara de operar um milagre. Coloquei, lado a lado, dois homens que não “se bicavam”. José Saramago e António Lobo Antunes. Na verdade, a lembrança […]

  • Palavra delicada

    Um dos poemas de Cecília Meireles que muito me impressiona é o que segue: Nós e as sombras E em redor da mesa, nós, viventes, comíamos e falávamos, naquela noite estrangeira, e em nossas sombras pelas paredes moviam-se, aconchegadas como nós, e gesticulavam, sem voz. Éramos duplos, éramos tríplices, éramos trêmulos, à luz dos bicos […]

  • Palavra fazendo arte

          São três livros em seguida. Uma trilogia da qual me dei conta somente na leitura do segundo livro. Os três apresentam uma voz narrativa única: um sujeito de idade, de origem judaica, em estado de emergência, pra não dizer terminal. Um senhor cuja mãe se matou e, por isso, deixou cicatrizes fundas […]

  • Um poema oportuno

    Não conhecia o poema que segue. Conhecia o autor, por referências e poucas leituras. Sei de sua posição na Literatura Portuguesa: Guerra Junqueiro. Mas isso é muito pouco… Assim, de repente, sem a menor sombra de intenção, escutei um vídeo enviado por um amigo pelo WhatsApp. Fiquei boquiaberto. A deputada que o leu, tem minha […]

  • Certo/Incerto

    O susto da morte. Susto? Susto, sim senhor! Ainda lembro-me bem de certa noite, em Belo Horizonte, quando, acompanhando um amigo inesperadamente avisado da morte do pai, fazia a ronda pelas funerárias da cidade, de carro, prestando solidariedade. Numa das paradas, enquanto ele se informava no interior do prédio da Santa Casa de Misericórdia, fiquei caminhando diante […]

  • Tempo

    Hoje faz 30 dias que meu irmão morreu. A gente passa bom tempo da vida pensando em se preparar para a morte, própria e alheia. Um aprendizado aparentemente inócuo. De um lado, o inevitável, que parece desafiar qualquer tentativa de pertinência. Por outro, o imponderável, que dizima outro tanto de esforço por conta do susto. […]

  • Morte

    Em A morte e a morte de Quincas Berro d’água, de Jorge Amado, a morte aparece como palavra passe aos desvarios noturnos pela mítica terra bahiana, no afã de eternizar a amizade que une aqueles que arrastam o cadáver de Quincas, em beberagens e pândegas. Um rito de passagem digno do mais visceral desejo de […]

  • Aniversário

    Ontem, 21 de Dezembro, foi aniversário de morte de Manuel Maria Barbosa du Bocage, poeta português, equivocada e rasteiramente associado a anedotas, quase sempre, de gosto duvidoso e graça escassa: 210 anos. Passou-me despercebida a data. O que me chamou a atenção para ela foi a nota introdutória ao volume que colide a produção do […]