Delírios

Deve haver na Filosofia, na Psicologia, na Química ou na Biologia, juntas ou isoladas, em dupla, trios ou quarteto, um capítulo que se explique a crença de que a solidão é trágica em sua essência. Esse axioma leva à constatação de que solidão é algo ruim, mal, a ser combatido, evitado, superado. Tenho cá minhas dúvidas. Do fundo de minha ignorância, penso que não é bem assim. Sempre, por natureza, preferi o isolamento. Claro está, como qualquer outro adolescente em pindorama, vivi meus momentos de agitação “juvenil”. As turmas, as noitadas, passar a noite fora… conquistas que o tempo ensina – pena que um pouco tarde demais – serem quase inócuas. Só não o são, de fato, porque fazem parte desse exercício inexplicável que é viver. Porque é um exercício. Por que é inexplicável, apesar de tantas explicações ao longo do tempo… Isso me levou, hoje, – e já adianto que não faço a mínima de como e por que me veio a mente essa estranha elucubração, e não vou me esforçar para procurar explicação – a pensar na falta de explicações mais correntes sobre como eram os hábitos dos homens das cavernas, no que diz respeito a tratamento de doenças e intimidade sexual. Os Flinstones alegorizaram isso. Há um filme, Planeta dos macacos, que extrapola as fronteiras da ficção científica e chega perto. Não tenho conhecimento se a História já se debruçou sobre este capítulo. A dúvida me faz pensar na quase impossibilidade de responder às possíveis perguntas que porventura venham a aparecer. Penso ser plausível pensar assim, pois não há evidência que tenha resistido ao tempo e, por outro lado, qualquer coisa que se diga, se constate, se explique, sempre vai ser pautado pelo limite de nossa visão curta e sempre, sempre, inquestionavelmente, limitada pelo próprio tempo. Tudo isso me leva, uma vez mais – e de novo, sem a mínima chance de eu me esforçar para procurar a elaboração concisa e objetiva de uma explicação – a pensar na afirmação de que um trabalho que escrevi pela proposição de “leitura de algo que não existe”. as aspas se referem à alteridade da ideia. De fato, não foi isso literalmente que foi dito. A ideia está aí. O que a provocou é o fato de que as cartas que Alberto de Oliveira (o português!) escreveu para António Nobre, em resposta às que ele dele recebia, não existem mais. A afirmação se sustenta na referência que Guilherme de Castilho faz na edição da correspondência ativa de António Nobre: considerada, até prova em contrário, a mais completa. Há apenas uma carta de Alberto de Oliveira, sintomaticamente a última, a do rompimento da amizade que os unia, que consta do citado volume. No entanto, isso não me impediu de “ler” as cartas de Alberto, por reflexo. Num exercício que os quatro propostos analistas – que, ao fim e ao cabo, não analisaram nada – não foram capazes de alcançar/perceber/notar, crio uma imagem de sujeito que escreve, a partir do que a este sujeito outro escreve. Ou seja, das palavras de António Nobre, vou intuindo/deduzindo o que teria dito Alberto, em respostas, nas cartas que mandou queimar. Dentro do quadrado da academia, em seus protocolos que não permitem individualidades expressas, essa ideia é inconcebível. Foi, no entanto, a única saída para o impasse em que me vi quando comecei com essa história toda… Chega. Cansei. Um princípio de desidratação por força de uma diarreia me tira o ânimo de continuar… Se alguém quiser se rebelar, grite, escreva um tuíte, abra uma lista de assinaturas na avvaz, mas não escrevo mais hoje…

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Pensando…

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O texto reproduz toda a nossa e nossos políticos contemporâneos! LEIA por favor.Finalmente um pouco de lucidez na esquerda.

De onde surgiu o Bolsonaro? (por Gustavo Bertoche – Dr. em Filosofia )

Desculpem os amigos, mas não é de um “machismo”, de uma “homofobia” ou de um “racismo” do brasileiro. A imensa maioria dos eleitores do candidato do PSL não é machista, racista, homofóbica nem defende a tortura. A maioria deles nem mesmo é bolsonarista.

O Bolsonaro surgiu daqui mesmo, do campo das esquerdas. Surgiu da nossa incapacidade de fazer a necessária autocrítica. Surgiu da recusa em conversar com o outro lado. Surgiu da insistência na ação estratégica em detrimento da ação comunicativa, o que nos levou a demonizar, sem tentar compreender, os que pensam e sentem de modo diferente.

É, inclusive, o que estamos fazendo agora. O meu Facebook e o meu WhatsApp estão cheios de ataques aos “fascistas”, àqueles que têm “mãos cheias de sangue”, que são “machistas”, “homofóbicos”, “racistas”. Só que o eleitor médio do Bolsonaro não é nada disso nem se identifica com essas pechas. As mulheres votaram mais no Bolsonaro do que no Haddad. Os negros votaram mais no Bolsonaro do que no Haddad. Uma quantidade enorme de gays votou no Bolsonaro.

Amigos, estamos errando o alvo. O problema não é o eleitor do Bolsonaro. Somos nós, do grande campo das esquerdas.

O eleitor não votou no Bolsonaro PORQUE ele disse coisas detestáveis. Ele votou no Bolsonaro APESAR disso.

O voto no Bolsonaro, não nos iludamos, não foi o voto na direita: foi o voto anti-esquerda, foi o voto anti-sistema, foi o voto anti-corrupção. Na cabeça de muita gente (aqui e nos EUA, nas últimas eleições), o sistema, a corrupção e a esquerda estão ligados. O voto deles aqui foi o mesmo voto que elegeu o Trump lá. E os pecados da esquerda de lá são os pecados da esquerda daqui.

O Bolsonaro teve os votos que teve porque nós evitamos, a todo custo, olhar para os nossos erros e mudar a forma de fazer política. Ficamos presos a nomes intocáveis, mesmo quando demonstraram sua falibilidade. Adotamos o método mais podre de conquistar maioria no congresso e nas assembleias legislativas, por termos preferido o poder à virtude. Corrompemos a mídia com anúncios de empresas estatais até o ponto em que elas passaram a depender do Estado. E expulsamos, ou levamos ao ostracismo, todas as vozes críticas dentro da esquerda.

O que fizemos com o Cristóvão Buarque?
O que fizemos com o Gabeira?
O que fizemos com a Marina?
O que fizemos com o Hélio Bicudo?
O que fizemos com tantos outros menores do que eles?

Os que não concordavam com a nossa vaca sagrada, os que criticavam os métodos das cúpulas partidárias, foram calados ou tiveram que abandonar a esquerda para continuar tendo voz.

Enquanto isso, enganávamo-nos com os sucessos eleitorais, e nos tornamos um movimento da elite política. Perdemos a capacidade de nos comunicar com o povo, com as classes médias, com o cidadão que trabalha 10h por dia, e passamos a nos iludir com a crença na ideia de que toda mobilização popular deve ser estruturada de cima para baixo.

A própria decisão de lançar o Lula e o Haddad como candidatos mostra que não aprendemos nada com nossos erros – ou, o que é pior, que nem percebemos que estamos errando, e colocamos a culpa nos outros. Onde estão as convenções partidárias lindas dos anos 80? Onde estão as correntes e tendências lançando contra-pré-candidatos? Onde estão os debates internos? Quando foi que o partido passou a ter um dono?

Em suma: as esquerdas envelheceram, enriqueceram e se esqueceram de suas origens.

O que nos restou foi a criação de slogans que repetimos e repetimos até que passamos a acreditar neles. Só que esses slogans não pegam no povo, porque não correspondem ao que o povo vivencia. Não adianta chamar o eleitor do Bolsonaro de racista, quando esse eleitor é negro e decidiu que não vota nunca mais no PT. Não adianta falar que mulher não vota no Bolsonaro para a mulher que decidiu não votar no PT de jeito nenhum.

Não, amigos, o Brasil não tem 47% de machistas, homofóbicos e racistas. Nós chamarmos os eleitores do Bolsonaro disso tudo não vai resolver nada, porque o xingamento não vai pegar. O eleitor médio do cara não é nada disso. Ele só não quer mais que o país seja governado por um partido que tem um dono.

E não, não está havendo uma disputa entre barbárie e civilização. O bárbaro não disputa eleições. (Ah, o Hitler disputou etc. Você já leu o Mein Kampf? Eu já. Está tudo lá, já em 1925. Desculpe, amigo, mas piadas e frases imbecis NÃO SÃO o Mein Kampf. Onde está a sua capacidade hermenêutica?).

Está havendo uma onda Bolsonaro, mas poderia ser uma onda de qualquer outro candidato anti-PT. Eu suspeito que o Bolsonaro só surfa nessa onda sozinho porque é o mais antipetista de todos.

E a culpa dessa onda ter surgido é nossa, exclusivamente nossa. Não somente é nossa, como continuará sendo até que consigamos fazer uma verdadeira autocrítica e trazer de volta para nosso campo (e para os nossos partidos) uma prática verdadeiramente democrática, que é algo que perdemos há mais de vinte anos. Falamos tanto na defesa da democracia, mas não praticamos a democracia em nossa própria casa. Será que nós esquecemos o seu significado e transformamos também a democracia em um mero slogan político, em que o que é nosso é automaticamente democrático e o que é do outro é automaticamente fascista?

É hora de utilizar menos as vísceras e mais o cérebro, amigos. E slogans falam à bile, não à razão.

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O dicionário e suas veredas

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Sobre o que vou escrever hoje? Não sei. Definitivamente, não sei. Se sei, a preguiça apagou qualquer ligação com a memória de um devir que, simultaneamente interessa muito e não faz qualquer falta. Qual não seria a solução desse enigma senão continuar sendo um enigma, ou apenas mais um sofisma? Palavra interessante esta: sofisma. No dicionário Houaiss, ela apresenta em seu verbete quatro acepções:

  1. argumento ou raciocínio concebido com o objetivo de produzir a ilusão da verdade, que, embora simule um acordo com as regras da lógica, apresenta, na realidade, uma estrutura interna inconsistente, incorreta e deliberadamente enganosa;
  2. na rubrica “lógica”: argumentação que aparenta verossimilhança ou veridicidade, mas que comete involuntariamente incorreções lógicas; paralogismo;
  3. derivação por extensão de sentido da primeira acepção: qualquer argumentação capciosa, concebida com a intenção de induzir em erro, o que supõe má-fé por parte daquele que a apresenta; cavilação;
  4. derivação por extensão de sentido em uso informal: mentira ou ato praticado de má-fé para enganar (outrem); enganação, logro, embuste.

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Nas quatro acepções do verbete, uma ideia é recorrente e subjaz como leito de rio perene: enganação, se quisermos um substantivo, ou enganar, se um verbo. O leitor escolhe. Esta é a ideia chave. Em qualquer das acepções, sobretudo na primeira, mais abrangente, esta ideia central, básica, axial (ai como esta palavra me agrada!) – a “estrutura interna inconsistente, incorreta e deliberadamente enganosa” – rescende a pecado, como gosta de dizer meu queridíssimo amigo Vitor Escudero. E esse pecado banalizou-se, ou melhor, foi banalizado por excessiva repetição, por desgaste de uso, por vulgarização discursiva. Todos pecados igualmente veniais. Os pecados veniais, no meu tempo de catecismo, eram os menos graves. Os que pediam contrição mais simples e penitência leve. Ao contrário dos mortais… Nos dias que correm, quase não há mais este limite, a fronteira que deixava os adolescentes de cabelo em pé. Assim, de pecado em pecado, chegamos ao quadro de horror metonimizado em sofisma. Já não há fonte segura. Intenção (segunda, terceira ou mais funda…) se pulveriza em referências quase marginais que desviam o olhar, ciam cortina de fumaça, desestabiliza convicções. É IMPOSSÍVEL levar em conta, sem deixar os dois pés atrás (salve adagiário!) acreditar de primeira, sem uma segunda (terceira, quarta…) versão para o mesmo fato. Ainda, mesmo munido de todas as provas de que se sente amparado, o leitor não pode afirmar, com certeza, de que o que lê é “fato”, para além de qualquer dúvida racional. Junte-se a isso, a esse tsunami chamado sofisma – porque é disso, ao fim e ao cabo, de que se trata – a má intenção, a maldade, a perversidade, o crime. Uma pena. Uma chatice. Uma canseira. Esse tal de sofisma é mesmo um demônio e, do jeito que vai a procissão, há de infernizar a vida de todo mundo por um tempo. Olhe lá se não for pra sempre…

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Fim de tarde

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Poema de ocasião

 

Denegando Carlos, com o espírito de Álvaro

Silenciosamente, a água vai ficando lisa, em superfície

Espelho mudo que reflete o chumbo refinado céu de chuva apenas anunciada

Da memória chegam, então, com o vento um tanto frio, as imagens de Coimbra

O correr lento e denso do miasma fluvial que segue, no Mondego, a juntada de lágrimas de Inês, ecoando melancólicas na saudade

O tempo que não passa

A nostalgia que se renova

As imagens envoltas em água que no diálogo fraternal traz de volta imagens de um passado nem tão remoto: a certeza das vicissitudes que se esgotam na imagem que se esfuma com o tempo sem perder o risco do afeto

A lágrima, o pó, a nuvem, a fala e mais nada: certo é que não se perde o som, aquele que embala o que ficou pra trás, sem comemoração, sem publicidade; ficou e só

Sem fim, sem começo e no meio o trânsito de nada entre um polo e outro de tudo, variado e misto, múltiplo e ínfimo, a indefinição que desenha e impõe o perímetro do afeto

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Sabedorias(s)

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Antoine Compagnon, em seu livro O demônio da teoria, opõe, em certo sentido, durante um tempo, com objetivos muito claros, o conhecimento científico e a sabedoria popular, no campo dos estudos literários – e detesto dizer isso – em crise. Da leitura de seu livro, inventei uma pequena parábola que utilizei como instrumento de defesa – devo dizer, inutilmente… – numa prova de concurso de títulos e provas numa dada “universidade brasileira. A parábola propunha uma situação muito comum: um médico – veterinário, especializado em felinos – ganha um filhote de gato. Simultaneamante uma pessoa absolutamente analfabeta, sem a menor condição de sobrevivência também ganha. A pergunta é: quem trata melhor o gato? O veterinário que domina o conhecimento científico sobre os felinos? O miserável que não “sabe nada”, mas aceita e se apega ao gato? A minha resposta ao dilema foi: quem pode dizer quem trata melhor o gato é o próprio gato. A metáfora funcionou, quando usei a parábola, como ilustração do que, então, tentava mostrar o que pensava sobre a “Teoria da Literatura”. Já tive meus dias de mais fé no que dizia…

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Hoje, li a parábola que segue, na página de uma amiga no Facebook. Ela fala por si…

Minha avó gostava muito de contar historinhas para os netos. Hoje eu me lembrei de uma delas:

“Um homem ia com o filho levar um burro para vender no mercado.
– O que você tem na cabeça para levar um burro estrada afora sem nada no lombo enquanto você se cansa? – disse um homem que passou por eles.
Ouvindo aquilo, o homem montou o filho no burro, e os três continuaram seu caminho.
– Ô rapazinho preguiçoso, que vergonha deixar o seu pobre pai, um velho, andar à pé enquanto vai montado! – disse outro homem com quem cruzaram.
O homem tirou o filho de cima do burro e montou ele mesmo.
Passaram duas mulheres e uma disse para a outra:
– Olhe só que sujeito egoísta! Vai no burro e o filhinho a pé, coitado…
Ouvindo aquilo, o homem fez o menino montar no burro.
O primeiro viajante que apareceu na estrada perguntou ao homem:
– Esse burro é seu?
O homem disse que sim. O outro continuou:
– Pois não parece, pelo jeito como o senhor trata o bicho. Ora, o senhor é que devia carregar o burro em lugar de fazer com que ele carregasse duas pessoas.
Na mesma hora o homem amarrou as pernas do burro num pau, e lá se foram, pai e filho aos tropeções, carregando o animal para o mercado.
Quando chegaram, todo mundo riu tanto que o homem, enfurecido, jogou o burro no rio, pegou o filho pelo braço e voltou para casa.”

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Contraponto

Hoje, daqui a pouco, eu completo 59 anos, cinco meses e dezessete dias de vida. AO ongo desse tempo, aprendi que ouvir conselhos de mãe pode ser uma coisa bem boa. Fiz isso no que diz respeito aos artigos do Sacha Calmon, publicados no Estado de Minas. Como ela mesmo diz, nem sempre o assunto é atraente, mas o estilo, a classe, a sobriedade e a clareza do articulista valem a leitura. Fiz isso, mais uma vez, hoje ( o artigo dele segue abaixo). Cumpre comentar que, independentemente  da procedências das informações, da consistência dos dados e ou da acuidade do posicionamento, o que Sacha faz hoje é o que venho pensando a tempos. Chega a ser patético o esforço de quem pensa que multando a Samarco (e associados) vai ser resolvido o problema causado pelo rompimento de dois meses atrás. Há muita água rolando dessa ponte e , de fato, ao fim e ao cabo, as responsabilidades não estão sendo devidamente apuradas. Infelizmente constata-se que na terra brasilis impera a “lei de gerson” e o princípio do lucro antes de qualquer coisa e acima de tudo, inclusive, da dignidade. Que espetáculo triste…

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Mineração e histeria ecológica – SACHA CALMON

17/01/2016 10:17

CORREIO BRAZILIENSE – 17/01

Terá ocorrido no Brasil um desastre atômico? O vazamento da barragem da Samarco, 10ª exportadora do Brasil, e seus 4 mil empregos diretos viraram acontecimento megacatastrófico, sem sê-lo, e gerou histeria jurídica punitiva irracional, que bem pode ter efeitos sociais danosos, piores que a passagem da enxurrada dos rejeitos.

A enxurrada jamais foi tóxica nem continha metais pesados perigosos. Para sanar tanta desinformação, é útil explicar que o minério extraído pela Samarco é o itabirito, cuja composição é, grosso modo, a seguinte: 54% ferro, 34% sílica (areia), 1% alumina (terra), 0,5% manganês, 0,2% calcário, 0,2% magnésio e 0,05% fósforo – elementos encontrados no corpo humano, afora outros nada tóxicos. Para separá-los e concentrar o teor do ferro, é preciso um processo industrial chamado flotação, feito, simplesmente, com amido de milho.

Onde a toxidade e os metais pesados? O ferro resultante da flotação (65% + 1% de sílica) afunda e a borra sobe com a ajuda do amido de milho. Os rejeitos nas barragens são compostos aquosos de terra e areia (sílica, alumina, calcário), um pouquinho de fósforo, manganês, ferro dissolvido e magnésio, além de resquícios insignificantes de outros elementos.

Os rejeitos são mais parecidos com as terras marginais desbarrancadas pelas enchentes dos rios do que os rejeitos químicos de dezenas de indústrias (couro, plástico, borracha), arsênico das garimpagens de ouro, de siderúrgicas e de fornos de gusa, que ficam na beira do Rio Doce e afluentes, inclusive indústrias de celulose de alto teor de toxicidade, sem falar nos esgotos não tratados de dezenas de cidades e lugarejos da bacia do Rio Doce, em Minas Gerais e no Espírito Santo.

O dramático da enchente foi o volume grande e denso que varreu a superfície dos rios e as margens até o oceano. Enquanto passava a massa de rejeitos, diminuiu o oxigênio das águas matando peixes e depositou-se nas margens. Mas passou uma vez só como tsunami. A cor barrenta posterior sobe do leito e vem da lavagem pelas águas dos barrancos cheios de lama. Houve mortandade de peixes como na Lagoa Rodrigo de Freitas? Nem de longe. O gado morreu em massa nos bebedouros dos rios? Ninguém relatou tamanha destruição.

A água já está potável e os peixes já são vistos em cardumes na água doce. Pescadores, com caniços lançados no rio (a provar que estariam pescando), se queixam da falta do pescado. No mar, o dano foi mínimo, a mancha, com a cor barrenta de todo rio, não ameaça a vida marinha. Nenhum relatório comprova o desastre. O Rio Amazonas entra no oceano 80 quilômetros adentro com a água barrenta vista a olho nu da estação espacial.

O que precisa acabar são os desatinos jurídicos e o perverso intento de que cabe à Samarco, sozinha, salvar o Rio Doce, que está morrendo há muito tempo. Contra a Samarco e, em certos casos, contra a Vale e a BHP Billinton (acionistas), existem 150 ações individuais e 34 coletivas, verdadeira babel. Um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) já foi assinado com o Ministério Público e depositados, aqui e acolá, R$ 1,8 bilhão, afora as inúmeras ações reparadoras da Samarco: reforço das barragens, reconstrução de pontes, recuperação de bacias hidroelétricas, dinheiro, casas, roupas, remédios, água mineral ou caminhões-pipa para as cidades ribeirinhas, indenizações e reparações e mais um rol de providências, desnecessário enumerá-las, até porque me falta legitimidade para tanto. Falo por minha conta e risco e pelo que me relatam os engenheiros de minas, meus amigos.

Cumpre agora à União e aos estados de Minas e Espírito Santo pensar no emprego das pessoas e conjuntamente ordenar os procedimentos jurídicos indenizatórios, conceder reduções condicionadas de impostos e abrir linhas de crédito para a Vale, a Samarco e outras mineradoras usarem ou venderem os rejeitos como matéria-prima para fazer ecoblocos (construção civil) e camadas de compactação rodoviária. Fazer do limão uma limonada.

Os aviões caem de vez em quando e nem por isso as companhias aéreas são fechadas. Minas possui cerca de 600 barragens e os melhores técnicos barragistas do Brasil. A impressão que se tem é a de que querem acabar com as mineradoras, preservar a natureza e proibir a mineração. Noutras palavras, parece que se quer acabar com Minas Gerais, cujo nome evoca, desde as bateias de ouro e diamantes, o destino natural: minas, ferro, aço, indústrias de transformação que utilizam o minério e as derivações como matéria-prima, sem esquecer o nióbio de Araxá.

Mineração envolve risco. Os prejuízos devem ser sanados; pessoas morreram e bens produtivos foram destruídos bem como casas. Mas que haja ordem e racionalidade e não o festival desconexo de justiciamentos e multas bilionárias.

Leia mais: http://www.josenildomelo.com.br/news/mineracao-e-histeria-ecologica-sacha-calmon/

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Argumentação

O texto desta postagem, eu recebi de uma amiga. Não sei quem é o autor, portanto, não estou a cometer crime por anonimato. fato é que o texto me fez pensar numa coisa coisa que costumo dizer a meus alunos de Literatura. Eles sabem o que eu costumo dizer…

Prova de Química – Olha a resposta! Imperdível !!!

Pergunta feita pelo Professor Fernando, da matéria Termodinâmica, no curso de Engenharia Química da FATEC em sua prova final.
Este Professor é conhecido por fazer perguntas do tipo ‘Por que os aviões voam?’
Nos últimos exames, sua única questão nesta prova para a turma foi:

‘O inferno é exotérmico ou endotérmico? Justifique sua resposta’

Vários alunos justificaram suas opiniões baseados na Lei de Boyle ou em alguma variante da mesma.

(*)
Um aluno, entretanto, escreveu o seguinte:

Primeiramente, postulemos que o inferno exista e que esse é o lugar para onde vão algumas almas.
Agora postulemos que as almas existem; assim elas devem ter alguma massa e ocupam algum volume. Então um conjunto de almas também tem massa e também ocupa um certo volume.
Então, a que taxa as almas estão se movendo para fora e a que taxa elas estão se movendo para dentro do inferno?
Podemos assumir seguramente que, uma vez que certa alma entra no inferno ela nunca mais sai de lá. Logo, não há almas saindo.
Para as almas que entram no inferno, vamos dar uma olhada nas diferentes religiões que existem no mundo e no que pregam algumas delas hoje em dia.
Algumas dessas religiões pregam que se você não pertencer a ela, você vai para o inferno….
Se você descumprir algum dos 10 mandamentos ou se desagradar a Deus, você vai para o inferno.
Como há mais de uma religião desse tipo e as pessoas não possuem duas religiões, podemos projetar que todas as almas vão para o inferno.
A experiência mostra que poucos acatam os mandamentos.
Com as taxas de natalidade e mortalidade do jeito que estão, podemos esperar um crescimento exponencial das almas no inferno. Agora vamos olhar a taxa de mudança de volume no inferno.
A Lei de Boyle diz que para a temperatura e a pressão no inferno serem as mesmas, a
relação entre a massa das almas e o volume do inferno deve ser constante.
Existem, então, duas opções:
1) Se o inferno se expandir numa taxa menor do que a taxa com que as almas entram, então a temperatura e a pressão no inferno vão aumentar até ele explodir, portanto EXOTÉRMICO.
2) Se o inferno estiver se expandindo numa taxa maior do que a entrada de almas, então a temperatura e a pressão irão baixar até que o inferno se congele, portanto ENDOTÉRMICO.
Se nós aceitarmos o que a menina mais gostosa da FATEC me disse no primeiro ano: ‘Só irei pra cama com você no dia que o inferno congelar’ e, levando-se em conta que AINDA NÃO obtive sucesso na tentativa de ter relações amorosas com ela, então a opção 2 não é verdadeira. Por isso, o inferno é exotérmico.’

(*) O aluno Thiago Faria Lima tirou o único 10 da turma.
CONCLUSÕES:
1) ‘A mente que se abre a uma nova ideia jamais volta ao seu tamanho original.’  (Albert Einstein)
2) ‘A imaginação é muito mais importante que o conhecimento.’ (Albert Einstein)
3) ‘Um raciocínio lógico leva você de A a B. Imaginação leva você a qualquer lugar que você quiser.’ 
(Albert. Einstein)