Desejo

Pode alguém escrever poesia em prosa? Dizem alguns críticos e outros teóricos e os demais que os seguem, cegamente – perdão, a fonética trai-se às vezes. Dizem que pode. Será que pode mesmo? Em podendo, será que qualquer assunto é passível de ser prosaicamente poetizado? Ou, por outra, poeticamente proseado? Se por prosa se considerar […]

Poema azedo

Hoje foi domingo. Pediu cachimbo. O cachimbo era de ouro e bateu no touro. O touro era valente e bateu na gente. A gente, fraca, caiu no buraco. Buraco fundo. Acabou o mundo. Nostradamus estava certo? O verbo no passado e a pergunta sem resposta. Vi ser sempre assim. Sempre… desde quando? O sujeito abre […]

Fim de tarde

Poema de ocasião   Denegando Carlos, com o espírito de Álvaro Silenciosamente, a água vai ficando lisa, em superfície Espelho mudo que reflete o chumbo refinado céu de chuva apenas anunciada Da memória chegam, então, com o vento um tanto frio, as imagens de Coimbra O correr lento e denso do miasma fluvial que segue, […]

Das cartas

Escrever cartas. Uma prática que pode beirar o inusitado para algumas gerações. Escrever cartas é prática que não encontra mais espaço no horizonte de expectativas de muita gente, sobretudo se se considerar as quatro últimas décadas – isso para ser bastante generoso. Certa feita, em casa de uma amiga, pedi papel de carta e envelope […]

Sem título

Entre uma e outra aula, às vezes, a gente deixa a cabeça voar pelos infinitos campos do pensamento e o espírito plana no planeta palavra. Os astros são poucos, mas os corpos celestes inúmeros, como elas, as palavras. Surpreendentes coisas/entes de utilidade múltipla, de malícia aliciante, cuja abrangência não tem limites, não e pode medir. […]