Dois anos, exatos

imageFoi numa segunda-feira, à noite, exatamente às 21 horas e 40 minutos (alguém há de dizer que escrevi as horas de maneira errada…). Pois foi nesse dia e nessa hora que vi Sofia, Ivana e Davor, na saída do portão de desembarque do aeroporto de Zagreb. A primeira, leitora do Instituto Camões, uma portuguesa delicada e risonha, educada e simples, generosa e talentosa. A segunda, uma croata que fala português como os portugueses, com uma correção impecável, além de dominar o inglês e o espanhol, funcionária da embaixada do Brasil, em Zagreb. Ele, o motorista da embaixada, sujeito alegre, divertido, espirituoso, que domina o inglês e ensaia seus primeiros passos na língua de Graciliano Ramos e Adonias Filho (a referência vai por conta do meu desejo de reler esses autores!). Uma noite como outra qualquer, para qualquer um, menos para mim. Começava ali uma espécie de saga: o leitorado brasileiro em Zagreb. Mais uma vez era a “primeira vez” comigo, para mim, por mim. Foi assim com a mudança de curso ginasial para extensão de série; introdução de OSPB no curso técinco da CEFET (ainda existe esta disciplina?); primeira vez no Rio Grande do Sul, primeiro lugar no concurso na UFSM, primeira comissão de reforma curricular, primeiro ano do novo mestrado; depois o primeiro leitor brasileiro na capital da terra das gravatas! Dois anos! O tempo passou como um corisco. Cronos parece estar caprichando! Dois anos de experiências novas a cada dia, descobertas e decepções, sustos e preguiças, risadas e um tanto de chateação – que não passam da faixa do normal. Será que é diferente em alguma situação da vida? Penso que não! Pois dois anos se passaram e estou aqui, às voltas com os preparativos do retorno, a escrita de um artigo/relato para a página da embaixada, a preparação para a retomada da “vidinha pouco mais ou menos”, de sempre! Nada de arrependimentos. Nadinha mesmo! Evoé!

image

Anúncios

Teste

No texto abaixo há parênteses vazios. Eles podem ser preenchidos com as palavras (em croata!) que estão na lista que segue o texto. Isto é uma brincadeira: tente preencher os parênteses com a palavra correta e mande para mim, de volta, como comentário. Vamos brincar um pouquinho!

image

Se você quer chegar mais (   ) ao seu (   ), vá de (   ). O trânsito nas (   ) pode fazer com que os (   ) se atrasem. Como você ainda não comprou o seu carro… Da mesma forma, fica mais prático confirmar o seu (   ) com o (   ) usando o telemóvel. Se for esperar para telefonar do seu escritório, a (   ) pode colocar outra pessoa em seu (   ). Na verdade, tudo poderia ser resolvido num (   ). Você tomaria um gostoso café com leite e o seu agente, um chá de limão. Por aqui, tudo se resolve nos (   ). Não vá se esquecer de confirmar a (   ) com o seu (   ), o consultório dele fica bem no caminho da loja de (   ), onde você vai comprar o presente de (   ) de seu quase (   ), o (   ) do (   ) de sua cunhada! No (   ), você encontra todos os (   ) de que precisa. Vá até lá com a receita do médico e leve tudo ao (   ) onde sua (   ) está internada. Ela andou muito (   ) e vai ficar na clínica por mais uns três ou (   ) dias, para fazer (   ) exames. Não deixe de levar alguns (   ): ela gosta de ler, preferencialmente (   ) russa. A biblioteca da (   ) tem uma bela coleção de romancistas russos. Depois de tudo resolvido, você pode pensar no planejamento da (   ) de férias. A reserva no hotel na (   ) que você escolheu tem que ser feito com antecedência: não vá se esquecer, (   ) pensão! Você pode ir de avião ou de (   ), mas eu preferiria ir de carro, você pode parar quando (   ). Bem, eu vou indo que as (   ) de holandês ainda não acabaram e tenho que (   ) muito. Tenha um bom dia!

(1) učiti / (2) sastanak / (3) brže / (4) autobus / (5) ured /          (6) plaži / (7) vlakom / (8) želite / (9) lijekove / (10) igračaka / (11) baka / (12) tajnik / (13) odvjetnikom / (14) konzultacije / (15) mobitel / (16) nećaka / (17) čaj s limunom / (18) bolnicu / (19) kafić / (20) mjesto / (21) ambulante /                                    (22) kava s mlijekom / (23) sin/ (24) više / (25) rođendan /     (26) tramvaj / (27) knjige / (28) književnosti / (29) nastavu /   (30) četiri / (31) pola / (32) stomatologom /                                 (33) putonavje / (34) Sveučilišna / (35) bolestan / (36) kafićima / (37) brat / (38) ulicama

image

Planos

Uma das coisas que pretendo fazer quando voltar para “a terrinha” é comprar uma bandeira do Brasil. Nos feriados nacionais e nas datas “históricas”, vou hasteá-la. Quando estive nos, Estados Unidos, pela primeira vez, constatei in loco o que já havia visto nos filmes: o “nacionalismo” ianque que faz com que praticamente a maioria da população norte-americana tenha uma baneira stars and stripes (ou é o contrário?… Bah!) hasteada em lugar visível – principalmente para quem está de fora ver! Aqui, na terra da gravata, é a mesma coisa. Ontem, dia mundial do trabalho, a cidade estava uma calma só: coisa diferente para esses dias de Primavera, que prenunciam dias ensolarados, para a delícia dos locais. Eu sempre ando à procura de sombra…! Em quase todas as janelas da rua em que moro eu via o escudo e os quadradinhos vermelhos espalhados na simetria azul, vermelha e branca da bandeira croata.

image image

Pois bem… parece até um ataque tradio de nacionalismo. Pode ser… Claro está que ainda não pensei se haveria necessidade de explicação. Deu-me a vontade. se puder satisfaço-a. E pronto!

A lembrança vem a propósito de um papo que tive com uma amiga, irritada com a estreiteza de visão dos croatas. Ela reclamava que, precisando de um pintor para retocar algumas paredes da casa que aluga – dado que vai se mudar para a Alemnha –, teve de ouvir comentários como: “os pintores daqui não gostam de ‘serviços pequenos’”. Ela não entendeu muito bem o porquê de tamanha asneira. Nem eu… Daí dei asas à imaginação – fundada na observação – e soltei o verbo.

Os croatas são um povo sui generis. recentemente alçados à categoria de nação democrática – com presidente e primeiro ministro, uma espécie de república parlamentarista ou parlamentarismo republicano (não consigo perceber os detalhes “teóricos” para a diferença!) –, sentem-se como adolescentes que saem sozinhos pela primeira vez, à noite, com os amigos: não sabem o que fazer, que atitude tomar, onde colocar as mãos, como proceder quando numa paquera i tako dalje (= e daí por diante!) . Eles não sabem o que fazer com a própria autonomia e não conhecem a espessura semântico-comportamental da palavra “liberdade”.  Absolutamente isolados do “mundo moderno”, durante décadas, graças à famigerada “cortina de ferro” (como outros rincões vizinhos d’aquém e d’além Balcãs), a Croácia começou, desde os anos 90 – década da conclusão de uma guerra étnico-religiosa que dividiu a Antiga Iugoslávia, já órfã de seu “grande pai”, o ditador Tito – a “modernizar-se democraticamente. De tradição agrícola e pastoril, com hábitos recatados, recobertos de uma ingenuidade quase religiosa e de índole absolutamente passiva, esse mesmo povo viu-se cercado por avenidas asfaltadas, prédios altos, música eletrônica, apresentação de shows de “divas” (ainda vou falar sobre a birra que tenho dessa palavra, em certos casos!), campeonatos mundiais de handebol, eleições livres e, at last but at least (de novo: será mesmo nessa ordem?), o projeto de entrada na União Europeia – a “zona euro”, jargão do economês desse lado do mundo. Também tenho dúvidas sobre a eficácia de tal “união” (mas sou quase absolutamente analfabeto em matéria de economês!). De um modo ou de outro, “de repente, não mais que de repente” (Evoé, Vinícius!), essa gente começou a viver em “cidades”, começou a adquirir hábitos “urbanos” e “modernos”… Em uma só palavra: ocidentais. Parece nada para quem ainda não saiu da própria toca, mas… a diferença é imensa.

imageAndam de cabeça baixa, enchem as mesas dos cafés para resolver tudo, misturam cores e padronagens nunca imaginadas antes, não penteiam os cabelos, não conseguem caminhar sem ter um celular na mão, morrem de medo de contato físico, sempre fazem cara de “meu Deus que isso?” quando a gente pergunta alguma coisa, por mais banal que seja. Estranham o fato de eu, um homem, parar na rua para observar uma vitrine com roupas feminias, acreditam que a Croácia é o melhor país do mundo e, nele, Zagreb, um paraíso de bem viver. O homem enytra primeiro deixa que a mulher se vire atrás, sempre atrás. As bolsas das moças são enormes. Os sapatos e tênis dos homens são SEMPRE três ou quatro números maiores (por que será?). A simplicidade e possível charme, que advém da ingenuidade de berço, acabam por serem recobertas por um falso verniz que se percebe no acabamento, nos detalhes, na voracidade do consumo de tudo o que significa moderno, fashion, in, chic e, mais uma vez, tako dalje! Não sei dar a necessária e completa versão verbal para o que percebo, mas tento. O resumo da ópera: um povo calorosamente sui generis! Tenho que assinalar que minhas modestas (e quase inúteis opiniões!) são baseadas pela experiência dde viver na capital e pouquíssimo contato com duas cidades vizinhas: Varazdin e Samobor. Não posso estender isso a todo o país, dourada e encantadoramente banhado pelo Adriático: o mar azul, mais azul que minhas retinas já um tanto cansadas viram e pelo qual o coração bateu um pouco mais acelerado. Nesta semana, faz dois anos que cheguei aqui: um lugar absolutamente desconhecido para mim. Fica aqui, ainda que por linhas tortas, a minha homenagem a esta cidade, por esta data, para mim, tão importante!

image

Domingo no parque

A Feira da ladra, em Lisboa; le marhé aux puces, em Paris; a Feira de Acari, no Rio de Janeiro… Em cada parte do mundo tem um nome. Em Zagreb, tem uma assim também, mas não tem nome – pelo menos, que eu saiba. A gente a conhece como a feira dos ciganos! Ela acontece aos domingos e é uma dificuldade para tirar fotos: os “locais” não gostam. Em sua maioria são habitantes de Zagreb e região, mas originários da Sérvia, da Albânia, da Macedônia e ainda guardam muito ressentimento por conta da guerra étnico-religiosa que culminou com a dissolução da Iugoslávia. Numa palavra: “ciganos”. Sem o charme que Hollywood imôs (como sempre o faz!). O Marechal Tito deve se revolver no túmulo quando um estrangeiro como eu diz essas coisas… Mas ele não pode mais fazer nada contra mim, logo…solto a língua!

Vale a pena o esforço. Em domingo friozinho, com direito a uma chuvinha renitentemente fria e ao vento que sopra, como se o inverno se esforçasse em dizer que ainda está presente, já na beira da avenida que dá acesso ao parque de estacionamento mais adiante, nota-se o movimento. Carros indo e vindo e uma euforia esquisita de cores e sacolas e gente falando essa língua quase incompreensível: o croata. Graças ao Croaticum, curso de croata como língua estrangeira, para estrangeiros (!), algumas coisas não me escapam aos ouvidos já acostumados a essa falta de eufonia linguística: ouvidos sul americanos de um leitor perdido no vale ao pé dos Bálcãs…

Nessa feira, vende-se de tudo. Troca-se tudo. A ordem é regatear. Sinto-me deslocado, pois ainda não aprendi, aos 53 anos de idade, a regatear. Uma vergonha, mas fazer o quê? Pois… O único cheiro de que se tem notícia nesse lugar são dois: o do alho que paira no ar, vindo dos transeuntes e a nuvem de odores que vem do čevapi de que já falei aqui. O sabor é uma delícia, mas o cheiro que fica no ar, na roupa, nos cabelos… “Cruzes”, como diria uma amiga minha… Ela sabe que estou falando dela! Pois… Há pequenas vendas de pães, de doces, de refrigerantes, de cerveja – universal ! – e a rakija (lê-se “raquiia”, em croata, o “jota” pronuncia-se como um “i” um pouqinho mais demorado, mas só um pouquinho!). É a cachaça local. Quando bem feita, artesanalmente, é uma delícia… Uma “bomba”, mas uma delícia! Logo na entrada, vendem-se carros, peças, acessórios e pneus. Hoje havia uma promoção: quatro pneus por 100 kunas, algo em torno de R$60,00. Inacreditável! Oferta por conta e risco do freguês. Um dos jornalistas portugueses, com quem fui visitar, a feira comentou que se comprássemos esses pneus, corríamos o risco de não conseguirmos chegar ao posto de gasolina mais próximo para calibrá-los. O vendedor ficou a olhar para nós, com cara de “meu Deus que isso?”. Entenda como quiser!

Há o setor das roupas, dos sapatos, das peças de coleção, das quinquilharias – retratos, miçangas, meias e luvas, chapeus, óculos velhos e/ou de plástico, rádios e antenas de televisão, microfones estragados, bichinhos de plástico, cd’s e parafusos; livros, cadernos usados, coleção de canetas hidrocor e fitas; cordas, faqueiros desfalcados, etc., etc., etc. Vai passando o tempo e as pechinchas começam. Mas há que ter cuidado. Fomos testar a “veracidade” de uma dessas ofertas e caímos no conto do vigário. O vendedor gritava que era tudo por 5 kunas: “Sve za pet kuna! Sve za pet kuna! Sve za pet kuna! Gritava como se brigada militar estivesse chegando com metralhadoras armadas. Peguei um telefone velhíssimo do meio da montanha de bugigangas. Já fui dando uma moeda de cinco kunas – nota de papel, aqui, só de 12, 20, 50, 100, 200, 500 e 1000 kunas; pra baixo… só moeda! (As moedas são de 5, 2 e 1 kunas e 50, 20, 10, 5, 2 e 1 lipas, os “centavos” dos locais!).  Que nada… Fez que não com a cabeça e disse, peremptório: To je deset kuna! Tentando traduzir quase literalmente: “Este é dez kunas“. Vá se entender a “lógica” do cigano. Sim, todos eles parecem ciganos, daqueles que a infância da gente se fartou de imaginar, ajudada pelas ilustrações que hoje eu chamaria de xenófobas. Mas fazer o quê? É domingo. Eu estava à toa. Os jornalistas estavam aqui a filmar o cotidiano de cidadãos portugueses. Eu estava ali de coadjuvante, convidado pela Sofia, leitora do Instituo Camões, minha amiga, a “estrela” do documentário dominical. Um divertimento mais que diferente… instrutivo e engraçado! Valeu apena. Afinal… “tudo vale a pena…”.

Branco

Os croatas não gostam do branco. Pelo menos, os croatas de Zagreb, com quem cruzo todos os dias e que jamais se repetem. Gente que jamais pensei existir e que continua respirando o mesmo oxigênio poluído que eu. Gente com quem, talvez, jamais voltarei a cruzar na face do planeta. Os croatas não gostam de branco.

image Depois de alguns dias esplendidamente ensolarados, com o vento frio do início de primavera, habitual pelas paragens em que se originaram as gravatas, bem ao pé dos Bálcãs, volta a fazer frio hoje. Dia cinzento, chuvinha melequinha, aquela coisa quase irritante, não fossem os efeitos dos exercícios de paciência e tolerância que venho praticando nos últimos anos: pasmado, constato que fazem efeito!

image Os croatas não gostam de branco, apesar dessa cor estar presente em sua bandeira.

image Digo isso porque ao andar pelas ruas hoje fiquei quase incomodado com o modo como as pessoas me olharam assustadas, curiosas, surpresas, com ar de quem ainda não reprova, mas estão a um passo de… Eu usei calças de jogging brancas, mais grossinhas, apropriadas para meia estação e uma blusa de moletom quase branca. Uma amiga (talvez por isso seja mai amiga ainda) comenta que é por causa de minha altura, minha beleza, meu “tipo” que não é balcânico, croata, do Leste… Envaidecido, não acredito muito nisso. Incomodar-me-ia (que chique!) com essa reação… Hoje, eu rio…

image

Neve

Descobri o outro motivo pelo qual os croatas andam olhando para o chão, de cabeça abaixada: a neve! Óbvio? Pode ser… Mas aqui, mesmo sem neve, isso acontece…

strossmayer A diferença é que, com a neve, os tropeços aumentam, o povo escorrega, há “trombadas” entre pessoas por causa de guarda-chuva… Claro, de quem usa guarda-chuva para se proteger. Macho que é macho, em Zagreb, evita. Aliás, macho que é macho, em Zagreb, não coça saco nem cospe de lado. Para mostrar que é macho mesmo, fica parado, com as pernas bem abertas, os pés apontando para fora (tipo dez pras duas ou dez e dez) e mascando chicletes, sempre. Claro, com a boca aberta de preferência. Esta é a carteira de identidaddo macho local. Em grupo, quase quebram vidros com suas vozes empostadas: um bando de tenores imitando baixos e barítonos: nota-se a falsidade, de cara! Luvas, às vezes. Mas com a neve quase não se vê o cabelo. Para quem os têm, há três opções: completamente despenteados (nem sonhe em encostar as mãos, namoros terminam por conta disso,e  alguns casamentos também!), os cabelos arrepiados para cima e/ou para os lados, duros de tanta goma arábica (ui, agora eu me entreguei, de novo!) ou uma perfeita cacatua. Ah, e tem os “emos”… mas esses (ainda) não são “machos” por aqui, podem vir a ser… Há os que raspam tudo, à navalha!!! Maioria…

gal80_10540lis    estilo-cabelo-homemskinheadsqa61212164977 Cada doido com a sua mania!

Bandeirinha

Costumes 3(*)

Não se assuste quando chegar a um restaurante mais central em Zagreb, dos mais simples, por favor! Como em todos os outros, a primeira palavra que você vai escutar é Izvolite!. Não há tradução “literal” que consiga “traduzir” o sentido da expressão. Iz é da classe das preposições, com sentido de origem: Ja sam iz Brazila (Lê-se: “Ia sam is brazila” = “Eu sou do Brasil”). Volite é a segunda pessoa do plural do presente do indicativo do verbo Volim (Querer, amar, ter vontade, gostar, etc.). Viu como não faz sentido!!! Izvolite é como “Fique à vontade!”, “Pois não!”… i tako dalje (Lê-se “i taco dáliê” = e por aí vai)!

Pois! Entrou, sentou-se, prepare-se… Se for meio-dia em ponto, você vai escutar um tiro de canhão. Todo dia é assim, faça chuva ou faça sol. Em priscas eras (Ui! Agora eu me entreguei!), quando essa região era uma guerra só, o tiro servia de alerta para informar a volta do dia. E tome guerra… A tradição permancece, numa torre que é visitada por todo o turista que vem à cidade. Se você vier, enquanto estiver aqui, eu levo você lá!

3974708515_f903fa85c0Entre no restaurante. Assuste-se com o tiro. Ria. Relaxe e peça um Ćevapi ou Ćevapici (Lê-se “tchevapi” ou tchevapitsi”. É um prato muito popular por essas redondezas. Dizer que é “croata” é um problema, pois a região até bem pouco tempo era uma república socialista, dominada, durante um período, pelo famigerado Marechal Tito, vulgarmente conhecido como Josip Broz Tito (Que pena… Josip, em croata, é José!). Veja mais sobre ele na “Wikipedia” – uma delícia de enciclopédia virtual – http://pt.wikipedia.org/wiki/Josip_Broz_Tito). Seguindo… Peça o tal prato de pronúncia esquisita, mas de sabor esplendoroso, principalmente para quem gosta de cebola. Trata-se de pequenos rolos, como croquetes de carne, que pode ser de vaca, de porco ou de carneiro, ou uma mistura de duas a duas, ou das três. O petisco presta-se a diversas receitas que variam na matéria e no tempero utilizados. (Os gourmands locais, mais exigentes, no entanto, sugerem que seja carne de vaca e que esta venha de quatro partes distintas do bicho – Não tive a curiosidade de perguntar quais!). Depois de muito bem picada (três ou quatro vezes), junta-se o tempero e moldam-se rolos do tamanho de um polegar. Pode ser moldado em quadradinhos também. Grelhe numa chapa bem quente. Na mesma chapa, com o excesso da gordura que fica, refoque aos pedaços de cebola, que não foi na água! Isso é fundamental! Corte pelo meio um pão caseiro (daqui, claro né!!!), esquente-o na mesma chapa, deixando tostar um pouquinho, mas só um pouquinho! Coloque a carne e a cebola dentro do pão. E isso em cima de um prato. Pronto. Tem mais simples???!!! Duvido!!! É uma delícia!!!

cevapiO arroz que aparece na foto é “papagaio de pirata”!!!. Tradicionalmente, ele não participa do acepipe! Para acompanhar, claro, uma boa cerveja croata, que não precisa estar “estupidamente gelada”, por aqui! Recomento três:

karlovacko5tj           106px-Tomislav_pivo         13028

Bom apetite!!! Em outro momento falo da minha sobremesa preferida!

(*) Esse post é especial para a Ieda: curto e grosso!!! 😉