Desejos “crônicos”

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A última apresentação de Judy Garland, no Carnegie Hall, em 1961, se não estou enganado.

A open night, no Madison Square Garden, do ultimo show de Barbra Streisand.

Um final de semana em Moeda, na casa da Ângela.

As férias no meio do ano de 1988, em Córdoba (Argentina) com o Paulo e toda troupe do Aquarama on Parade.

Observar o cair da tarde no alto de uma das colinas de Lourmarin, no Sul da França.

A antológica performance de Elis Regina no show Falso brilhante, no Canecão, Rio de Janeiro.

Os “cafezões”, na casa da Cleunice, em Santa Maria-RS. Tantas vezes…

O jantar no “Cinco Oceanos”, em Lisboa, em 2013 ou 2014, com Ana Cristina e Vitor.

Um dos shows de Bette Midler, no início de carreira, numa das saunas gays de Nova Iorque, que não existem mais…

O café colonial em Porto Alegre, com o Luiz e seu companheiro, quando de mina primeira visita ao sul do Brasil.

O final de semana na gélida Viena, em Janeiro de 2010.

O arroz do restaurante em frente ao hotel, em Frederico Westfalen, Rio Grande do Sul, em que fiquei hospedado por duas vezes.

“La madrugá”, em Sevilha, 2015.

A Acrópole vista ao longe, alaranjada, sob o luar primaveril de 2004, na saída do navio.

As andanças de dois dias inteiros pelas vielas labirínticas de Veneza, com Tadeu, no verão italiano de 2008.

A visita ao castelo de Buda (ou será de Pest?), no inverno de 2009, com Luiz Fernando.

O jantar na casa de Ana Paula Ferreira, em Orange County, num ano perdido do século XX.

O jantar de despedida, com Ana Paula Arnaut, num restaurante escondido numa das montanhas do entorno florestal de Coimbra, em 2015.

Coisas que fiz, que não pude fazer, que gostaria de ter feito e que podem ser impossíveis de fazer – por conta do tempo: miríades de facetas do desejo de um turista acidental: eu!

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Diário coimbrão 37

Era pra ter sido na sexta-feira. Será que foi porque foi 13? Sexta-feira 13? Dizem que é dia de má sorte. Que não se deve passar embaixo de escada. Trocar de caminho se cruzar com um gato preto. Essas coisas de crendice popular… Vai saber… A minha sexta-feira treze foi muito boa, reveladora, um encanto. Viagem de retorno no tempo. Andei num piso submerso por mais de três séculos e que há quase cinco foi construído… Ui! Antes do tour começar, descendo pela Coimbra medieval, ou “cidade monumental” como chamam aqui, parei para visitar a torre de Almedina. A única sobrevivente dos mais de 700 anos de idade da cidade. O prédio foi restaurado e conta com uma maquete que vai se iluminando ao sabor da narrativa dos fatos da História da cidade. Não fiz nenhuma foto desta porta, porque basta estar on line para acessar o Google e pronto, já está!

Coimbra vista da torreComo era CoimbraDentro da torreVista da torre de Almedina 1Vista da torre de Almedina 2No alto da torre

Pois foi assim… Depois de ter tentado comer o bacalhau com natas n’O casarão, saí a andar pela cidade, aproveitando o dia luminoso, a temperatura mais que agradável e o céu azul, de um azul que eu ainda não vi igual… O Sr. Carlos, dono do restaurante se negou a fazer o tal bacalhau e ofereceu-me outro: Bacalhau a Brás (é feito com ovo e batas fritas. É gostoso, mas fiquei com gosto de quero mais na boca e na alma! Fui ao mosteiro de Santa Clara, conhecido como Santa Clara-nova. Isso porque a história começa no outro mosteiro que ainda está aqui, também chamado Santa Clara, mas desta feita, Santa Clara-velha. Uma coisa mais que esplendorosa. Dona Mor, uma dama da corte em priscas eras, mandou construir Santa Clara-velha, pois ficara viúva e recolhera-se à vida religiosa. Mais tarde, por conta das constantes inundações, já entre os séculos 15 e 17, manda construir Santa Clara-nova. O antigo mosteiro fica então submerso por mais ou menos três séculos, período após o qual é (re)descoberto por escavações já no/do século 20. Hoje o sítio arqueológico é conservado, explorado e cuidado pela Câmara Municipal de Coimbra e uma espécie de ong que leva o nome do Mosteiro. Paga-se uma ninharia (penso que deveria ser mais!) para entrar e usufruir dos espaços: museu, sala de projeção com um documentário sobre a História do sítio, visita às ruínas e um café mais que charmoso em que trabalha a Imê, uma brasileira de Belo Horizonte, já com acentuado sotaque lusitano…. Uma aula de cultura que os atuais “turistas” nem sonham em fazer… Não sabem eles o que perdem, gastando seu dinheiro nos centros de compras ou quejandos… A Rainha Santa fez um milagre destacado: transformou pães em rosas e foi uma mulher de notável caridade e senso comunitário. Diz a “lenda” que ela acordava suas aias no meio da noite e as mandava iluminar o caminho de entrada no palácio para que o rei, seu marido, voltando das “noitadas” (inclusive com outras mulheres), não se perdesse… Vai vendo… Uma santa!

Atar de Santa Clara-novaCaminho para as ruínas de Santa Clara-velhaClaustro Santa Clara-nova 1Claustro Santa Clara-nova 2Fundo a IgrejaIgreja Santa Clara-velhaMaraviçhado com o tempoMuseu de Santa Clara-velhaO caustroRainha Santa IsabelSanta Clara-velha

Em tempo: li hoje no banheiro da Tasquinha da Paulita: “Não jogue papéis ou outros objectos na sanita (leia-se vaso sanitário, privada). Use os devidos recipientes para o efeito (?). Carregue o autoclismo (dê a descarga)”. Delícia!

Diário coimbrão 35

Voltei à velha Coimbra. Dia lindo. Tarde luminosa. A porcaria da mala já quebrou. Nem inaugurou a primeira viagem de avião. Ai que raiva. Não adianta comprar mala muito cara: os funcionários dos aeroportos a tratam como se fosse pacote de carga… Vou ter que segurar a onda…

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Dias mais que bons em Matosinhos Volta hoje para Coimbra. Temperatura mais que agradável. A mesma carinhosa e divertida recepção de Paulita e Manuel, na tasquinha… Mas o jantar de ontem vai deixar saudades. Não dava quase nada pelo restaurante. Uma casa de comida italiana. Estava com vontade de sair da culinária portuguesa por um dia. Entrei. Fui o primeiro. Fui recebido com um sorriso de orelha a orelha do gajo que lá trabalhava como garçon. Fiz o pedido de uma massa “a la mediterrânea”… Que surpresa! As folhas minúsculas, frescas e delicadas da rúcula, o molho de frutos do mar, os camarões (aqui são gambas) e a massa feita pelo próprio dono do restaurante que estava na cozinha a preparar os pratos: Sergio Crivelli. Uma simpatia. Uma graça. Veio à minha mesa e batemos um papo. Ele é casado com uma brasileira, paulista. Está em Portugal há mais de 35 anos. Uma delícia de pessoa. O vinho da casa era mais que correto. O segundo prato, escalopes… era de comer ajoelhado, rasgar as faces e jogar pimenta. Uma viagem aos céus. Deus… E o tiramisu??? O que é que é aquilo??? Com calda de frutas silvestres… Quase mordi o cotovelo de tão gostoso.

FortePortoPraia

Depois de um passeio pela praia na tarde ensolarada e quente do sábado em Matosinhos, a noite fria convidava para uma experiência assim… inolvidável…

LendaOrigemZimbório 1Zimbório 2

Pra completar, a descoberta de duas lendas locais, uma delas narrando a origem do nome da cidade. Perto da praia, uma construção que mais parece um altar, por detrás de uma fonte. O Zimbório. Diz o texto explicativo que esta construção ficava bem no meio do areal, imponente, causando impacto e que ali aconteceu um milagre… Coisa linda de se ver, o cuidado que essa gente tem com seus “marcos”. Não são perfeitos, mas são bem mais cuidadosos…

Continuo na contagem regressiva… 52.

Diário coimbrão 33

Subtítulo: agradáveis surpresas

Ofélia. Nome shakespeariano. Nome de uma cozinheira famosa de São Paulo, uma das primeiras a ter um programa de televisão só seu (Quem é mesmo ana maria brega?). Também foi o nome de uma personagem de programa humorístico, a mulher do Fernandinho, vivida pela saudosamente querida Sônia Mamede. Ofélia Pinheiro de Castro Rocha Azevedo Brandão. Nome mais que nobre. Quase um nome de rainha. Que mulher interessante! Que mulher inteligente! Que mulher simpática e generosa! Ela vai ter um agradecimento especial no meu trabalho de conclusão do pós-doutoramento, da tese que vou escrever para passar a titular e do livro que pretendo publicar. Ah… vai sim! Com toda a paciência do mundo, conseguiu-me duas caixas de papéis registradas sob a rubrica “correspondência”  no acervo da Biblioteca Pública Municipal Florbela Espanca de Matosinhos. Um prédio moderníssimo, construído sobre um espelho d’água, em linhas retas e revestimento liso e claro, quase branco, no meio de uma esplanada imensa, bem atrás da Câmara Municipal de Matosinhos. Ajudou-me a calçar as luvas cirúrgicas que se rasgaram à toa. Ficou de vigia ao lado da mesa em que trabalhei – afinal, como ela mesma disse, “são papéis pessoais originais”. Por isso o meu espanto em ser atendido apenas identificando-me como pós-doutorando da Universidade de Coimbra. Por isso minha gratidão, por ter me acompanhado nas quase três horas em que fiquei de butuca nos tais papéis. Nenhuma novidade. Com emoção, pus minhas retinas cansadas e preguiçosas sobre a carta original de Alberto de Oliveira, escrita quando do rompimento da amizade com António Nobre. Este escreveu uma carta ríspida, quase mal educada, que recebeu resposta polida e carinhosa de Alberto. Foi esta carta que manuseei. Pela primeira vez, em minha vida faço isso: manusear um papel original. Que letra encantadora – só nesta carta, nas demais que compulsei nesses dias a ortografia variava muito, em função, inclusive, da idade do missivista. Mas vi a carta. A tal do rompimento que, até agora, não encontrou explicação plausível e/ou publicável. No meio de tudo, por generosidade de Ofélia, um maço de cartas de um tal de Adolpho (…) Ramires. O sobrenome do meio eu não consegui identificar – não fiz curso de paleografia. Esse sabia das coisas. O maço é composto de cartas endereçadas a António Nobre. Não me lembro de ter visto qualquer referência a ele nas leituras que fiz. Vou verificar. Caso seja mesmo desconhecido, vale o esforço de um projeto para uma bolsa de três meses aqui em Matosinhos… O tal de Adolpho acompanhou de perto as peripécias da amizade entre António Nobre e Alberto de Oliveira. Sucesso!

De quebra, uma (re)visita ao Porto e seus encantos. A descoberta da casa com menos de um metro de largura. Segundo a narração no Yellow bus, ela foi construída por força de antiga legislação eclesiástica que proibia duas igrejas de partilharem a mesma parede… Pode?! Uma das fotos abaixo mostra a danada! Andei de teleférico – coisa que não existia quando aqui estive em 1998. Revisitei a Sé e a Igreja de Santo Ildefonso – onde Alberto de Oliveira foi batizado. Voltei à torre dos clérigos e conheci a Livraria Lello – um deslumbramento. Fiquei observando o velhinho que observava a vida na praça e dei uma moeda e 1 € a um trompetista que tocava solitário para a desatenção geral dos transeuntes em plena Praça da República, no ponto mais baixo da Avenida dos Aliados, coração da cidade do Porto. Não repeti o circuito das caves de vinho do Porto, mas refiz a caminhada da praça da República até Vila Nova de Gaia, passando pela Ribeira e atravessando a ponto Luis I a pé seco… Quando aqui estive era só assim e de carro. Hoje já passa o metro (assim mesmo, sem acento aqui) do Porto. Que cidades encantadoras, mais que encantadoras, charmosíssimas: responsáveis pela maior concentração de álcool por metro quadrado do mundo!

Bem haja!

A casa estreitaA cidade por detrás 1A cidade por detrás 2A SéA torre dos clérigosAi, os azulejosNa LelloNo teleféricoO Douro 1O Douro 2O guardião da SéO melhor café é o da brasileiraO Porto visto de GaiaO trompetistaO velhinhoOcasoSanto IldefonsoVista da Sé 1Vista da Sé 2Vista do teleférico 1Vista do teleférico 2Yellow 1Yellow 2

Em Matosinhos, hoje, fui conhecer a igreja do Senhor de Matosinhos. Ainda sob o impacto do pôr do sol sobre o Atlântico no final da tarde de ontem. Coisa muito parecida com sua similar de Congonhas com algumas diferenças: não está numa colina, mas numa esplanada. Tem um jardim imenso na frente, hoje meio desertificado – estamos no final do Inverno por aqui. Há seis capelas laterias com passagens da Via Crucis, não toda ela. As esculturas deixam muito a desejar em relação às do Aleijadinho, insuperável. O altar principal me impressionou tanto que o fotografei: ouro puro. Muito parecido como da igreja de Santo Antônio, no centro de Recife… Ouro do Brasil.

AtlânticoÉ tudo ouro!Senhor de Matosinhos

Diário coimbrão 30

Por alguns breves momentos, o céu ficou azul e cheguei a escutar canto de passarinho na minha janela, aberta, para renovar os ares do quarto e da sala. Foi por pouco tempo… Na virada do dia, apesar da temperatura em elevação e de um breve movimento de limpeza do céu acinzentado e úmido, a tarde ficou mais branca. Mais branca ainda (são 18:05 aqui) agora, com a chuvinha melequinha, mais parecida com neve rala, coisa rara (oh… uma rima!). Deve ser  a terra portuguesa se despedindo desse brasileiro que já se vai preparando para retornar. Quatro meses já se passaram, assim, como um corisco. Agora faltam dois. Hoje começa a contagem regressiva… 60. Nada melhor, então, que estar com amigos, sobretudo os novos, ainda que voltando a lugares conhecidos como Fátima. Sempre uma renovação de energia, uma dinamização espiritual. Tudo começou na sexta-feira com um jantar mais que simpático. Maria Regina Bettiol, Natália Ferraz e Ricardo, seu filho; Roberto Loureiro,Orquídea e seu marido. O restaurante é o Alfredo. A dona, Márcia, uma simpática portuguesa que tem a paciência de Jó e a afabilidade de uma amiga de longa data.

Jantar sexta 1Jantar sexta 2Jantar sexta 3

Sábado foi a vez de retornar a Fátima. Desta feita, visitando a basílica nova e uma sala de exposições com algumas coisas interessantes a comemorar os 200 nos da aparição de Nossa Senhora de Fátima na cova da Iria, para Francisca, Lúcia e Jacinta. O aniversário é apenas em 2017, mas as comemorações já começaram. O comércio local agradece…

A basília 2A basílica 1Atar basílica novaDe joelhosMaria Regina e euNa basílica novaNatália e Maria ReginaNatália e RicardoOs quatroRicardo e eu

Amanhã começa tudo de novo, como toda segunda-feira, mas tem show de Adriana Calcanhoto à noite. Eu vou. Ouvir o sotaque levemente gaúcho dessa mulher que canta lindamente e tem olhos lindíssimos. Vou ouvi-la como ouvi Caetano, em Lisboa, em 1998, na EXPO98, emocionado. Vou ouvi-la na terra em que a maré não sobe nem desce, fica cheia e vazia. Na mesma terra em que não há cegos ou deficientes visuais, mas invisuais; onde os times não empatam, ficam iguais. Mais uma segunda-feira, mais uma semana, mais um início de mês… todos indelevelmente gravados na memória afetiva de um comum cidadão do mundo… Um final de semana diferente…

Diário coimbrão 23

Voltando aos prélios culturais pelas sendas coimbrãs, aproveitei o intervalo entre nuvens pesadas, acompanhei o sol, brilhante, lavado, exuberante e dei umas voltas depois do almoço, comme d’abitude aos domingos por aqui. Muito frio, muito vento, mas o sol impôs-se, caminhei mais um tanto e descobri um rochedo que me fez pensar em histórias e mais histórias ainda não contadas. É desse tipo de logradouro que “turista” – sobretudo em tempos pós “mudernos” – algum jamais vai por os pezinhos calçados por Lacoste e roçar seu jeans Ralph Laurent pela sebe nativa… Mas o rochedo é lindo…

Rochedo não visitado

Disse, em alguma linha desse diário, bem ao seu início, que havia três ou quatro igrejas pela Rua da Sofia que gostaria de visitar. Numa delas, creio eu, jamais vou pousar minhas “retinas fatigadas” (não é mesmo do Drummond esta expressão?); a Igreja do Carmo está fechada para reforma.

Igreja do Carmo

O outro prédio, que eu julgava ser uma igreja, ao que parece, é um colégio. Pode até ser que a portada e o portão de entrada vão dar numa igreja, a capela do tal colégio. Hoje não pude desfazer esta dúvida. Como nos demais domingos, também hoje – como se deu com as outras duas Igrejas (Santa Justa e uma outra que, creio, seja dedicada a N. Sra. da Conceição) – estavam fechadas. Terei que passar por lá em dia útil. Pode ser que seja abençoado com as portas abertas.

Igreja 1 na Rua da SofiaIgreja 2 na Rua da SofiaSanta Justa

O sol tornou a ser encoberto pelas plúmbeas nuvens carregadas de água e frio. O vento aumentou de novo enquanto eu esperava o 29, que me traria de volta pra casa. Antes disso, aproveitei para gravar outro ângulo desta cidade que me causa surpresas agradáveis a cada momento. Uma visão da UC do ângulo de uma das saídas rodoviárias da cidade, ao fim da avenida Fernão de Magalhães. Mais uma vez, é coisa que “turista” – como os mencionados aí acima – jamais pensarão em conferir. Mas vale a pena o registro. Minha memória afetiva se fortalece…

A torre da UC ao longe

Isso tudo aconteceu depois de uma manhã de sexta-feira inusitada. O dia já anunciava o que ia ser todo o final de semana – e hoje à tardinha, parece, isso se confirma: teremos mais água caindo do céu. Marquei um café com a Nathália Ferraz. Esperava eu por ela, na porta do tal café quando, de repente, me aparece uma moça sorrindo. Cumprimentei-a, “Bom dia, Nathália”. Nos beijamos na face e entramos no café. Ela já começou a procurar por alguma coisa na vitrine interna e eu a procurar uma mesinha para o nosso café. Cheguei a comentar sobre meus dentes quebrados, a prótese, a dificuldade (ainda) de morder com os dentes da frente. E ela a procurar. Finalmente, comprou o que desejava e se despediu de mim. Repeti seu nome: !Que pena Nathália. Então eu telefono para marcarmos outro dia”. Ela correspondeu. Despedimo-nos, de novo, com dois beijinhos. Sentei-me, pedi um galão (=xícara grande) de café com leite e um croissant de alfajor (uma das especialidades da casa…). Começava a tomar o café e o telefone toca. Era a Natháia. Ferraz, de fato, desta vez. Contei-lhe o ocorrido entre irônico e assustado. Ela, muda. Logo, logo, ela chegou e contei mais detalhes. Até agora não sei o que se passou. No entanto, conhecer a Nathália… Ferraz foi uma delícia!

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Diário coimbrão 17

Pode haver algo mais melancólico que andar por uma cidade ainda molhada, com céu cinza, algumas pessoas vagando aqui e ali, subindo ladeiras medievais ao som de um fado que mais parece uma balada romântica, daquelas que fazem chorar? Pois é… Depois de dois dias de chuvas intermitentes, de vento, e uma pequena queda na temperatura (aqui, já se sabe, os termômetros sobem dois ou três graus… é chuva!). No inverno, é batata. Salve Nelson Rodrigues.

Subindo a ladeira monumetal

A camponesa no meio do caminho da Sé velha é minha velha conhecida. Em 1998, quando cá estive por primeira vez, foi bem atrás dela que comi um peixe com batatas ao murro que só encontraria igual em Lisboa. Num restaurante que não mais está na Avenida Liberdade. Subindo esta ladeira, chega-se à Sé Velha. Um prédio localizado bem no meio da cidade monumental, medieval, lavada pelas chuvas invernais, o que faz com a temperatura do claustro fosse quase a “original” e a aparência amarelada de suas paredes deixasse escorrer todas as fantasmagorias que aquelas paredes ancestrais já presenciaram. Como no adagiário popular, se aquelas paredes falassem… Séculos incrustados no mofo, no cimento, na cantaria…

A entradaA fachadaA personalidade do lugarAltar do SantíssimoA camponesa e euAltar morClaustro da Sé velha 1Claustro da Sé velha 2Túmulo de D. Sesnando

A cidade monumental tem cheiro de fado. E logo depois do arco de Almedina, vê-se uma escultura interessante. Uma viola (instrumento genético do fado), transformada em mulher. Alguns versos, a placa indicando a homenagem da Comunidade de Coimbra e o som do fado ao fundo… Como eu disse, numa cidade medieval, lavada pela chuva, varrida pela brisa fria do inverno, debaixo de um céu acinzentado, pálido, quase morto – não fosse a certeza do azul acima, brilhando de sol – é o retrato da melancolia. Do tipo que faz a gente andar sem rumo, pensando, lembrando, sorvendo adocicadamente cada segundo, como se fosse água quente no chuveiro antes de se jogar nos braços de Morfeu.

EsculturaPlacaVersos 1Versos 2

Por fim, uma correção. Faz dias coloquei aqui uma postagem reclamando do funcionário da SMTUC, por conta de não me deixar saltar no meio da subida do elevador para visitar a Torre do Anto. Eu estava enganado. Aquela não era “a” torre. Hoje visite-a. Por fora, bem entendido. Está fechada para restauração e instalação do Museu da viola do fado. Mas fui lá. Desfeito o equívoco, ficou a experiência de passar a mão pelas paredes de um lugar em que viveram os dois “amigos”, António Nobre e Alberto de Oliveira. Repito as aspas que já vi alhures, quando de referência aos dois. Mera repetição. Um lugar mágico… para mim. A vista é deslumbrante, claro, imaginando o cenário sem o casario “muderno” e a geringonça a que dão o nome de Forum Coimbra, um centro de compras… para ser nacionalista e não deixar de ser chato…

A torre do AntoSobre a Torre do AntoVista