Maus hábitos

Pérolas da ignorância

O administrador municipal insiste em agendar a limpeza pública para o meio da manhã, três vezes por semana, para pode atrapalhar bastante o trânsito e, assim, mostrar serviço.

No início e no fim da manhã, papais e mamães, muito ciosos – isso para não contar com os “abnegados” motoristas de van escolar – param em filas duplas e triplas para deixar/apanhar seus pimpolhos que não fazem ideia do desarranjo que causam em nome de sua própria inocência infantil.

A patuleia enfrenta fila debaixo do sol, compra muitos ingressos pra revender mais caro – como se isso fosse muita esperteza fazer isso – e reserva o seu próprio. Daí, na hora do jogo, fica em pé no estádio vociferando e berrando, esgualepando a voz pelo seu “time do coração”.

Os “chiques” pedem o prato, pagam caro por uma garrafa de vinho, comem fazendo pose olhando para os lados, a ver se estão sendo “notados”, tiram fotos dos pratos e depois, acabando o jantar, deixam comida no prato em nome de certa “elegância”.

Há mais, mas confesso que meu estômago começou a ficar embrulhado com tanta pobreza de espírito. Fico por aqui…

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Palavras…

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Alienado. Uma palavra simples, de sonoridade agradável. Sua prosódia não é problemática. Já houve momentos, na História da Língua Portuguesa, que seu uso foi mais politizado, no sentido mais espesso e rico deste adjetivo. Há outros momentos em que esta consistência se perdeu, em nome de outras expressões, mais condizentes com o circuito cultural da sociedade. Como tudo o mais, os sentidos são voláteis, não aprisionáveis e ricos, muito ricos, na miríade de nuances discursivas passíveis de construção com seu uso. No dicionário, sua “classe” é dupla. Por natureza, é adjetivo, mas pode ser utilizado como substantivo. São quatro, as acepções do termo. Cada uma, na sequência, acrescenta um detalhe, uma nuance, que faz da palavra um termo muito interessante. Seu uso, portanto, deve ser orientado por cuidado e sensibilidade para não se perder a riqueza semântica de dada um desses detalhes. São quatro, as acepções, como eu disse. A primeira diz que alienado é qualidade de algo que foi transferido; cedido, vendido. Nada de muito problemático. Quando alguém gosta de um anel ou de uma écharpe que porventura eu esteja usando, estando eu em um bom dia, tiro o anel do dedo ou a écharpe do pescoço e do para quem está a admirar. Pronto, alienei o anel ou a écharpe! A segunda acepção diz que alienado é aquele que sofre de alienação mental; louco, maluco, doido. Aqui, percebe-se um traço semântico mais espesso: a patologia do termo ou, no mínimo, de seu uso. A ausência de “razão”, ou melhor, de racionalidade nas atitudes, pensamentos e palavras pode sustentar a alcunha e alienado. Uma forma elegante, delicada, de tratar aqueles que já foram motivo de chacota, pena, medo e até raiva. Aquelas pessoas que eram retiradas do convívio social para serem “tratadas”. Foucault já tratou dessas idiossincrasias. Assim, alienação, nesta acepção, é coisa de doido, de hospital, de manicômio. Numa terceira camada semântica, o termo recebe a acepção daquele sujeito que sofre de alienação, que vive sem conhecer ou compreender os fatores sociais, políticos e culturais que o condicionam e os impulsos íntimos que o levam a agir da maneira que age. Aqui, o caráter patológico do sentido do vocábulo ganha espessura mais larga. Não há apenas a redutora referência a um comportamento doentio, mas acrescenta nuances racionais que associam o comportamento alienado. Este comportamento é percebido pelo sujeito que o tem e se transforma em objeto de análise e discussão, de questionamento. Ainda que não necessariamente vinculado à busca de solução dos incômodos causados, o alienado, nesta terceira acepção, é alguém que pensa sobre a própria condição. Ele se questiona sobre como isso teve início, como se manifesta, como se percebe em atos e pensamentos. Para além disso, esse mesmo sujeito busca, mesmo que inconscientemente, uma explicação para entender o que se passa consigo mesmo. Por fim, na quarta acepção, alienado é aquele que, voluntariamente ou não, se mantém distanciado das realidades que o cercam; alheado. Muito longe de ser um sujeito “doente”, o alienado, neste quarto sentido, é um sujeito consciente de seu “estado” e equilibrado o suficiente para perceber que pode fazer uso desta condição como forma de autopreservação. Este alheamento não é, necessariamente, negativo, mórbido, patológico. Antes disso, é um estado de espírito que aponta para certa tranquilidade buscada pelo sujeito que se sente incomodado com o que está à volta. Esta á palavra que tem retumbado em meu pensamento ultimamente. Deve ser fruto da preguiça, da falta de sentido de tudo. A quarta acepção é a que melhor expressa o meu atual estado de espírito. Por uma questão de equilíbrio, de saúde. “Mas esta é só a minha opinião”…

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É o que temos para hoje

O texto não é meu. A fonte está indicada ao final.

Um problema comum de muitos brasileiros no exterior é isso que chamo de choque da seriedade: acostumados com a “bagunça“ no Brasil e com o jeitinho brasileiro de resolver as coisas, as pessoas se veem chocadas quando chegam em outro país e se cobra delas que ajam com seriedade, com compromisso e dentro das regras.

Para ilustrar melhor o que quero dizer com este texto, gostaria de começar contando a história de uma brasileira de 30 anos (ou seja, uma mulher adulta) que chegou a Berlim, achou uma moradia provisória e buscava algo definitivo. Ela procurava uma quitinete ou um quarto e viu o anúncio de uma família alemã que estava alugando um cômodo em sua casa.

A brasileira foi, viu o quarto, gostou, se entendeu bem com a família, quis ficar e fechou negócio com o locador. Havia outras pessoas interessadas, mas o locador, agindo corretamente, dispensou as demais, já que o quarto já havia sido alugado. Todo o acerto foi de boca e o contrato deveria ser assinado depois, quando ela viesse de mudança.

A nova inquilina deveria entrar em três semanas, mas, um dia antes da data marcada, a brasileira nem sequer se deu o trabalho de ligar para o locador para conversar. Ela simplesmente enviou uma mensagem via WhatsApp dizendo que havia achado outro lugar para morar e que não viria mais. O locador, com toda razão, ficou chateado, principalmente pela falta de respeito de desfazer algo acertado dessa forma infantil, egoísta e covarde de quem cuida dos próprios interesses sem querer saber das consequências para a outra parte envolvida. Ela não considerou que a família estava alugando o quarto a uma pessoa estranha por precisar do dinheiro e não por mera diversão.

O locador ligou para a mulher e cobrou um mês de aluguel, já que ele tinha tido prejuízo. Ele poderia ter alugado a outra pessoa se ela tivesse avisado mais cedo, mas agora ele tinha que começar a busca de novo. Só  que a mulher não estava nem aí, riu da cara dele, alegando que não havia assinado nada e que por isso não iria pagar coisa nenhuma, mesmo porque ela teria avisado a tempo (lembrando:  um dia antes de mudar!).

Aqui vemos claramente o choque de seriedade: algo que no Brasil provavelmente ficaria por aí mesmo, sem maiores consequências, gerou um processo na justiça, com a brasileira tendo que pagar não somente um, mas três meses de aluguel (o prazo para rescisão de contrato de locação de imóveis), além de todas as despesas do processo. O que ela não sabia: em uma sociedade séria, não é preciso assinar nada para que um acordo valha. O que foi acertado de boca tem validade de contrato e tem que ser cumprido assim mesmo, contanto que se possa comprovar o acerto, o que não foi nenhum problema para o locador, já que ele não estava sozinho no dia que a brasileira tinha ido ver o quarto e, assim, tinha testemunhas do negócio fechado.

Se engana quem pensa que o absurdo acabou aí: a brasileira, ao invés de perceber seu erro e aprender a lição, saiu foi reclamando do locador alemão, que teria sido „escroto” (a palavra usada por ela) e se aproveitado da situação para arrancar dinheiro dela. Ou seja, a mulher se via como vítima, não achou nada demais em seu comportamento e, desse jeito, vai ser só uma questão de tempo até ela ter outro conflito por causa de sua falta de seriedade (e maturidade).

O choque da seriedade

Muitos que saem do Brasil para viver fora falam do choque cultural que sofrem, uns admirados com as diferenças, outros reclamando delas. Realmente, o choque pode ser grande quando se vê confrontado com uma outra cultura e os problemas podem ser bastante variados.

Tenho observado que um problema bastante comum, pelo menos aqui na Alemanha/na Europa, é o que chamo de choque da seriedade: acostumados com a “bagunça“ no Brasil e com o jeitinho brasileiro de resolver as coisas, as pessoas se veem chocadas quando chegam aqui e se cobra delas uma postura mais séria, que ajam com compromisso e dentro das regras.

Percebo que muita gente está saindo do Brasil e vindo para cá atrás de uma vida melhor e tem quem traga consigo a ideia de que também aqui dá para sair enrolando, chegando atrasado ou não honrando compromissos, acertando coisas e não cumprindo, dando a palavra, mas mostrando em seguida que ela de nada vale e muitas coisas desse tipo.

A falta de seriedade dessa gente é problema pré-programado, já que isso não é bem visto e não é aceito em sociedades onde (ainda) se dá valor a um comportamento correto. Marcar algo e não cumprir pode ser visto pelos nativos como sinal de irresponsabilidade, desrespeito e imaturidade ou, no pior das hipóteses, como mau-caratismo mesmo.

Não, não digo que isso seja válido para todos os brasileiros que emigram, pois não é. Muitos são corretos (uns já eram antes, outros se adaptaram inteligentemente à realidade local), são pessoas honradas, que cumprem o acertado. Mas, infelizmente, há muita gente torta em nosso país e algumas estão vindo para cá.

Nem é meu objetivo criticar essas pessoas, já que, verdade seja dita, sabemos que elas vivem de acordo com o que conheceram em sua terra natal. Sabemos que a realidade social brasileira é complicada, onde o honesto e correto é tido como besta e sucesso, não raramente, depende de jogo de cintura, contato com as pessoas “certas” e até de pilantragem. Além disso, tem muita gente que se nega a amadurecer, que só quer as vantagens da vida adulta sem querer suas obrigações, um fenômeno que afeta bastante o Brasil, como trata este artigo de Ana Macarini que li esta semana e que recomendo: A geração dos imaturos para sempre.

O que quero é advertir sobre o problema, que é real, que está aí e só serve para duas coisas: para dificultar a vida de quem se comporta sem seriedade numa terra mais séria e para manchar a imagem de brasileiros no exterior.

Acho que faria bem se todos aprendêssemos desde cedo que na casa dos outros se deve se comportar de acordo com as regras e os costumes da casa. Igualmente bom seria se um dia, também no Brasil, a seriedade e as regras de convivência ganhassem uma importância maior do que elas têm hoje.

Texto de Gustl Rosenkranz
Arte de @cartunistagilmar

Fonte:
https://provocacoesfilosoficas.com/brasileiros-no-exterior-e-o-choque-da-seriedade/?fbclid=IwAR3PJXoyC4paPPhaIZJ2iyn-AyyY7tlIrQULO4AmJdJ7grNQvejb__fX-iM

Guerra e paz

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A primeira vez foi no curso de admissão no colégio Salesiano. Presidi o “conselho de classe”, formado por cinco alunos. Tivemos que escolher um professor para ser o tutor. Os colegas queriam o Carlos Aberto, professor de Português – foi numa de suas aulas que passei pela primeira experiência de assédio e bullying. A consequência do assédio me incomodou, e muito, mas o assédio em si… bem… Escolhi o professor de Matemática, o Milton Nascimento, negro. Foi um escândalo, mas a minha proposta passou. Depois foi no curso técnico, no CEFET, fui da primeira turma que cursou OSPB com outro nome e outro formato. Fui um dos que votou – sim, todos do CEFET davam seus votos para mudanças como esta – para aprovar a nova disciplina. Outro escândalo. A terceira provação veio na graduação, na PUC-MG. Fui da primeira turma da extinta licenciatura Português-Francês que se reduziu a Português puro. Foi uma revolução. No mestrado, em Brasília, fui representante discente do colegiado da pós-graduação e participei ativamente das discussões para implementação de novo fluxo para a iniciação científica e para o “doutorado automático” – preguiça de explicar aqui e agora. Mas, repito: uma barafunda. Depois, em Santa Maria, fui da comissão que procedeu à elaboração do projeto de reformulação curricular que acabou, anos depois, ensejando a criação da licenciatura em Espanhol – um desastre, na minha humilde opinião. No entanto, depois de cinco anos, não cheguei a ver a tal de reformulação, de cuja elaboração de projeto participei, implementada. Já em marilama, como chefe de departamento, implantei sistema de abreviação de tempo de assembleia, evitando a leitura de documentos a serem apenas comunicados. Quase sofri um processo administrativo por cerceamento de palavra e quebra de decoro acadêmico. Alguém pode me explicar do que se trata? Como coordenador do curso, na primeira gestão, fui o responsável pela equiparação de 7 créditos acadêmicos (210 horas/aula) às 200 horas de atividades extracurriculares, proposta oficial para as “novas diretrizes curriculares”. No mesmo âmbito, durante a segunda gestão, presidi os trabalhos de redação, aprovação e apresentação de projeto de matriz curricular – seguindo estritamente o que rezava o estatuto e o regimentos da universidade – e fui levado a me exonerar da função, mesmo sem a competência jurídica do departamento que votou, por unanimidade, pelo impedimento de envio da proposta para a pro reitoria de graduação. Um desgaste desnecessário, dada a imbecilidade dos argumentos que os energúmenos usaram para agir sem amparo legal. Fazer o quê…E assim se passaram os 21 anos de “universidade pública, gratuita e de qualidade”, uma quase completa fraude. Isso me faz pensar no que aconteceu ontem. Um bando de celerados que não têm a mínima competência, sem nenhum interesse a não se locupletar de benesses e ganho$, se colocar em posição de ataque rasteiro e imbecil a uma proposta preparada com competência e conhecimento inquestionável de causa. Não estou advogando a defesa de a ou b. Não estou comungando a ideologia de c ou d. Estou apenas pontuando a abissal distância entre um bando de vociferantes energúmenos que, em nome de uma suposta “liberdade de expressão” ofendem, achincalham, pensam desautorizar alguém que foi convidado para apresentar proposta. Não há a menor dúvida: pindorama está se acabando de vez, sem a menor chance de salvação.

Retornos

Muitos dias sem escrever. Muitos dias afastado do blogue. Muitos dias revisitando memórias bissextas. O retorno à capital bandeirante revelou nuances de minha própria experiência. Nuances que, por um lado, causaram prazer, por outro, uma certa melancolia por perceber que muitas pessoas se deixam dominar por imposições eternas, modismos, falácias, delírios e estereotipias, ainda que isso custasse o preço de afetos conquistados. Isso é triste. Mas sobre isso falo outro hora. Agora quero falar das impressões do retorno. A percepção de que o custo de vida aumentou, e muito. A percepção de que muita coisa melhorou, muita coisa se manteve e muito mais coisas pioraram. A experiência feliz de visitar lugares desconhecidos. A gratificação de voltar a outros lugares conhecidos há tempos. A experiência primeira de contato direto com um evento jurídico em que a “justiça” parece não levar em conta as reais necessidades de pessoas de bem, dando a entender que as idiossincrasias de gente “do mal” podem, aparentemente, prevalecer como critérios de julgamento. Não sou jurista, por isso não me meto, mas não me furto a perguntar, intimamente, o porquê disso. Delícia ter visto Marília Gabriela atuando num palco pequeno, numa releitura de texto clássico do teatro mais realista e tradicional, comme il faut. Devo dizer que minha paciência chegou em baixíssimos níveis alarmantes quanto ao “comportamento” de alguns na plateia, rindo quando não fazia sentido rir e fazendo caras e bocas antes da peça, como se todo o mundo estivesse vendo o que ali se passava. Ai que tenho pouquíssima paciência para estereótipos, cada dia menos… Divertido ver dois filmes, um argentino e outro norte-americano. O primeiro, comédia de costumes, sore um golpe acidental que é dado por um marchand e seu artista preferido, e amigo particular. Divertidíssima trama de equívocos e engamos que acaba bem, comme d’habitude! O segundo, versão ianque de filme originalmente chileno – que quero muito ver. Um drama leve que faz pensar, sem exageros. O senso de tragédia bem dosado entre ironia e melancolia. O pathos teatral à toda prova, sobretudo por conta do desempenho da atriz principal – Juliane Moore. No capítulo da comida, um desagradável momento numa experiência de volta a lugar já conhecido e bem cotado: Sujinho. A inexplicável insistência em não receber pagamento a não ser em espécie, a diminuição do corte de carne e o altíssimo preço cobrado, sem nenhuma coerência entre estes três elementos. A surpresa mais que agradável de conhecer, finalmente, o acervo do MASP, ainda que mesclado de peças de outros museus parceiros, conforme nota explicativa. A revelação que foi a visita ao IMS, com um vídeo contundente sobre o “desenvolvimento” de São Paulo, desde os bandeirantes aos dias atuais. O informe local indica que há cópia integral do vídeo na plataforma do Instituto, com acesso livre. Fiquei boquiaberto com a expansão das linhas de metrô. Chegam a quase 17. Isso porque ainda há algumas em obras. Mas das cinco ou seis que conheci em 2012 para o número atual? A prova cabal de que a capital das alterosas, nesses aspecto continua uma fazenda grande, com mentalidade tacanha. Será que apenas neste aspecto? Enfim, uma experiência que valeu a pena porque eu a quis viver. Punto i basta!

Inexplicável

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Dessas coisas que a lógica mais sofisticada não consegue explicar. Vinte e dois indivíduos que gastam tempo e esforço para correr atrás de uma bola, com o objetivo de coloca-la dentro de um quadrado com uma rede e, ó estupidez, ganham fortunas para tanto. A generalização aqui é permitida, o que não quer dizer que 100% da população que costuma gastar tempo e esforço para correr atrás de uma bola como celerados ganhe fortunas. Claro. A leis de Murph e de Gerson não combinam. De mais a mais, é preciso ressaltar que a estupidez é tamanha que existe o discurso falacioso, obviamente, que insiste em chancelar tal prática, carente de qualquer sentido, de profissionalismo. Como se profissionalismo fosse mesmo uma qualidade, ontologicamente sustentada. A gente sabe que não é… Há quem diga que tais indivíduos são atletas. Tenho minhas dúvidas. Atletas, eu diria, são aqueles que se dedicam ao esporte, pelo esporte, e não pelo sobrepeso de contas bancárias. De novo, a falácia do tal de profissionalismo não cola. Para completar é preciso não esquecer de que se esses 22 celerados quiserem não fazer nada direito, fazem e, para cúmulo do absurdo quem é dispensado é o técnico. Como se ele fosse o responsável – pelo menos o único! – pela derrota do “time…

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No outro lado desta moeda estão os incidentes ocorridos pelas alterosas. Um a mais tempo e outro muito recentemente. Mineradores cavam a terra, exaurem a terra, acumulam dejetos e não cuidam da manutenção. Simples assim. Daí, ocorrem os “acidentes”. Não vou dizer crimes porque vai que aparece um qualquer e me põe um processo de calúnia em cima. O incômodo vai ser meu, só meu, completamente meu. Por isso, fica acidente mesmo. Pois então. O acidente ocorre. Daí não tem mais jeito. Gritaria. Confusão. Sofrimento. Perdas. Mortes. Empobrecimento. Ruína. Parece a prefiguração do inferno. Para além de não assumirem a responsabilidade, as mineradores procrastinam, tanto quanto legalmente possível – e até impossível – para pagar o que deve. Deste momento em diante, qualquer alarme, e fazem desalojar mais gente. Tirar mais famílias de seu domicílio sob pena de ocorrerem mais acidentes. E as “autoridades” cumprem seu “poder”, assinando embaixo. Enquanto isso, as mineradoras continuam trabalhando, “produzindo”, gananciosamente enriquecendo, mais e mais… Durma-se com um barulho desses…

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Sei não, ou estou ficado mais rabugento com a idade, ou as coisas estão mesmo de ponta cabeça…

Mais um…

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Semana conturbada. Clayde em férias. Começou o famigerado horário de verão – uma bobagem. Fui visitar a Glória. Chove há quase três dias e eu não pude fazer a caminhada diária (por conta da visita e da chuva) – minha preguiça agradece. A novela das nove vai acabar, melancolicamente ao que parece. Aconteceu a primeira prova do Enem 2018. E nada disso, creio que absolutamente, tem impacto direto e considerável sobre a harmonia do planeta. Até prova em contrário vai continuar tudo em seu devido lugar, no mesmo ritmo. No mesmo “mesmo”… Por conta do Enem, pensei em escrever alguma coisa sobre uma das questões que, acredito que com certo exagero – como se pudesse ser de outra forma! – causou polêmica por conta de certa expressão circunscrita a limites um tanto estreitos – infelizmente – da sociedade falante da “última flor do Lácio…”. Pensei e logo deduzi que a inutilidade de muito blá, bá, blá se confirmava sem muito esforço. Much ado for nothing – creio que é título de um dos trabalhos do bardo inglês. Fato é que a expressão existe. Inegável. Fato é também que não é de domínio público. Inegável também. A terceira fatalidade é a que diz respeito a discursos implícitos no texto da questão. Uma vez mais, inegável. Acredito piamente, sem querer atacar ou ofender a ninguém, que este terceiro aspecto por mim levantado passou despercebido de boa parte dos leitores da referida questão. Não há como negar que uma das endemias correntes em pindorama é a do analfabetismo funcional, infelizmente. Creio que estou a me repetir demais. Vamos lá. Dando tratos à bola, declino do direito de ficar calado ara comentar apenas o enunciado final ou o núcleo da questão: “Da perspectiva do usuário, o pajubá ganha status de dialeto, caracterizando-se como elemento de patrimônio linguístico, especialmente por:”. Este enunciado pede complemento. Creio que, se não cometo engano, o mais adequado – levando-se em conta o blá, blá, blá inicial, tendencioso, como inferi – é o segundo: “ter palavras diferentes de uma linguagem secreta”. Ainda que caiba outra observação: o complemento não alcança todo o escopo semântico do termo, considerando-se suas definições, inclusive, dicionarizadas. Pois bem. A chatice foi filtrada, meu fígado desopilado e o friozinho desta sexta-feira melancólica de uma Primavera em tudo e por tudo inusitada continua. Querendo ou não a desfaçatez de uns – aqueles que se agremiam sob uma sigla de três letras – vai continuar surrupiando dinheiro alheio, o dos impostos. Quanto a isso, posso muito pouco. Bom final de semana!

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