Diário Coimbrão 6

Ainda não vi engarrafamento de trânsito em Coimbra. Claro está que a certa hora do dia – mais ou menos entre as quatro e meia e as seis da tarde, o tráfego fica mais carregado. No bairro em que moro e por conta de uma escola infantil que manda pra casa as crianças depois das quatro da tarde. Elas chegam de manhã cedo. Ao contrário da universidade, onde, ao que parece, as aulas não começam antes das nove, até onde eu sei…

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Hoje, na volta pra casa, assando pelo mesmo lugar, na mesma hora – uma avenida que passa pela porta do hotel em que me hospedei quando aqui fiquei por oito dias em 2000, senti um cheiro conhecido. Era o cheiro de uma árvore que, segundo minha memória, era usada para formar uma cerca verde em torno de uma piscina. Em dois lugares de minha infância/adolescência havia esta árvore, logo, eu sentia esse cheio: no DI, no Prado, hoje conhecido como Clube dos Sargentos e no América, a casa de uns estrangeiros para onde com a família Andreazzi toda, em alguns finais de semana. A lembrança foi tão forte que cheguei a parar de andar para não deixa escapar a sensação de volta no tempo… Para completar o quadro, o céu se limpou um pouco. Livrou-se dos enevoados nimbos cinzentos que teimavam em cobrir o brilho do sol que insistiu, mas não venceu a força das nuvens. O dia estava um tantinho mais quente e continuei andando até em casa, pensando no que escrevi na universidade, enquanto relia algumas páginas de Os mais, exercício que tem feito eu voltar mais rápido para o gabinete depois do almoço…

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“Foi assim, de repente, sem querer, que pensei em Eduardo, como ele achava charmoso o sino tocando no instituto. Aqui, o badalar dos sinos a cada quarto de hora. Nas horas cheias outros toques, cada um marcando as horas. Todos ecoando os séculos. No seu rastro, do eco, as almas atormentadas pela neblina noturna do Outono coimbrão murmuram. A umidade e o vento. A escadaria monumental. A porta férrea e, do outro lado, os dois globos de concreto, ponteando as grossas colunas, bem debaixo das barbas de D. Dinis. Ah… a melancolia desta cidade que fica mais acesa quando o céu se descobre em azul. O azul sempre lavado. As colinas que envolvem o vale em que se deita e rola o Mondego. Ou, por outra, o rasgado vale que o rio banha, levando sempre e constantemente o badalar dos sinos, a neblina, a melancolia.”

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