Retorno

Mais de um mês sem escrever nada aqui… Mas de um mês com ideias e insights para escrever e… nada! Mais de um mês com as habituais decepções e surpresas, risadas e melancólicos momentos, saudades e vontade de desaparecer.., Mais de um mês com tudo que um mês pode trazer… Mas estou de volta. Quase sessentão (faltam nove dias) e algumas defecções já se anunciaram. Há quem ainda não tenha respondido ao chamado: será que receberam meu convite? Há quem não saiba de nada… como sempre! Há tanta coisa e tanta gente e… Há de do e eu vou morrer e não vou ver tudo. Quem vai? Mais um atentado na França. Mais um jogador de futebol deve estar assinando contrato para ganhar milhões de reais para ficar correndo atrás de uma bola e posando de celebridade. Mais um estudantes não lê uma página de nada, ms se gaba de usar a camisa da moda, de ter comprado o tablet mais “irado” e de ter passado uma noite inteira beijando desconhecidos pelo simples prazer de beijar. Prazer??? É tanta coisa. Ainda tenho dúvidas sobre a continuidade disso aqui. O impulso de hoje foi uma observação de Rogério Miranda de Almeida, amigo de longa data, pouca convivência e contato, mas muita afeição e inteligência. Pergunta-me ele se estou a gostar de seu ultimo livro e se ainda mantenho o blogue onde registrei impressões de outros dois que me encantaram… Resolvi voltar. Assim, falo do livro do Rogério, do último romance do Pedro Eiras e quem sabe destilo meu descontentamento com celebrado Proust…

bth

http://arquivopessoa.net/textos/3381

 

Cansado até dos deuses que não são…

Ideais, sonhos… Como o sol é real

E na objectiva coisa universal

Não há o meu coração…

Eu ergo a mão.

 

Olho-a de mim, e o que ela é não sou eu.

Ente mim e o que sou há a escuridão.

Mas o que são a isto a terra e o céu?

 

Houvesse ao menos, visto que a verdade

É falsa, qualquer coisa verdadeira

De outra maneira

Que a impossível certeza ou realidade.

 

Houvesse ao menos, sob o sol do mundo,

Qualquer postiça realidade não

O eterno abismo sem fundo,

Crível talvez, mas tendo coração.

 

Mas não há nada, salvo tudo sem mim.

Crível por fora da razão, mas sem

Que a razão acordasse e visse bem;

Real com coração, inda que […]

                                                                                                 10-7-1920

 Poesias Inéditas (1919-1930). Fernando Pessoa. (Nota prévia de Vitorino Nemésio e notas de Jorge Nemésio.) Lisboa: Ática, 1956 (imp. 1990): 24.

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