Dias

sao jose

Hoje é dia de São José. Não sou santo, mas sou José. Na verdade, José Luiz, mas José. Posso, então, considerar hoje o meu dia. Pretensão… Sei não… Pode ser… E se for… Há que se sentir culpado? Há que ficar fazendo discurso de modéstia e humildade? Há que me vangloriar. Sei não… O que sei é que metade do meu nome ´José. A outra metade, Luiz. Escrevi cinco linhas e disse muito pouco. Há que vá me julgar…

ronaldo

Li ontem, no Estado de Minas (minha mãe resiste à ideia de ter um tablete pra ler o jornal e eu ter que acabar essa irritação com os atrasos do entregador do jornal em papel. Uma chatice. Se bem que jornal velho, às vezes, é muito útil. E chega. Não vou escrever outras cinco linhas dizendo nada). Li no Jornal ontem, na página do Editorial, da Opinião, das cartas dos leitores (Os Diários Associados” ainda não acabaram com esta página, como já fizeram com outras tantas de utilidade indiscutível). Pois bem. Li na tal página um “artigo” (?) de Ronaldo Mota, identificado como reitor da Universidade Estácio de Sá. Conheci o gajo nos idos de 90, do século passado (isso soa tão antigo…), em Santa Maria da boca do monte, lá mesmo, no Rio Grande do Sul, no ponto geodésico zero do Estado. Vivi cinco anos por lá. O gajo era professor de física, tudo e havido como um homem bonito. Bem casado – o que causava alegre e descompromissado ciúme do grupo de mulheres amigo do casal que recebia muito bem. Pois… O atual reitor da Universidade Estácio de Sá escreve, logo no primeiro parágrafo de seu “artigo” (?) o que segue:

“Como pensar o papel do docente nos tempos atuais, em que o aluno é diferente do que ele era há poucas décadas atrás? Ou seja, os educandos já não são os mesmos e tampouco o mundo nos quais os estudantes estão imersos é parecido com antes. Há poucas alternativas ao educador, a não ser se reconfigurar para não se tornar inócuo ou mesmo deixar de existir.”

Antes de continuar, devo advertir a quem me lê que minha preguiça impede que eu continue a comentar o que vou comentar em relação a todo o “artigo” (?) do professor. Para além disso, é necessário acrescentar a este introito o seguinte: sou um chato. Pois bem. Vamos adiante. A primeira pergunta que faço é: apenas o aluno “é diferente do que ele era há poucas décadas atrás”? Penso que a diferença se espraia por campo muito vasto que o restrito escol discente a que se refere o autor. Causa-me espécie qualquer raciocínio que, com tal restrição, eleve esse “corpo” (o discente) à altura de foco e núcleo , absoluto e irrecorrível, de qualquer conjuntura que se construa no campo da educação. O aluno não existe por si só. Ele não é o único envolvido. O corpo discente é concorrente (no sentido de articulação) ao docente. Punto i bata“! A segunda pergunta é: Se a tal “diferença” (implícita, ideológica e tendenciosamente positiva) dos alunos é diferente, um dos motivos desta mesma diferença assenta-se no fato óbvio de que o tempo corre, que as coisas mudam e que as configurações que se apresentam em miríades de possibilidades – todas elas adstritas ao imponderável – também seguem o mesmo fluxo.  Chamo a atenção para um problema de concordância, antes de passar à terceira e derradeira pergunta. O correto, do ponto de vista sintático é: “… e tampouco o mundo no qual os estudantes serão imersos…”. O sujeito é “o mundo” não “os estudantes”. O deslize não chega a ser grave, mas o jornal é mediação pública de leitura. E quem escreve é um “doutor”. Logo… Vamos à terceira pergunta: Existem mesmo “poucas alternativas ao educador, a não ser se reconfigurar”? Ora… “reconfigurar” é verbo que remete à ideia de um mundo digitalizado, algo que toca as ideias de softwares, aplicativos e configuração de sistemas. Para a minha chatice é inapropriado. Ademais, só o professor deve ceder à exigência de novas reconfigurações? Por quê? Não vou me estender e concluo dizendo o seguinte: ninguém aprende sozinho. A experiência pessoa é rica e profícua, mas não determina o cerne do conhecido que EXIGE estudo, leitura, reflexão. Por fim, os estudantes carecem de algo que, no meu tempo (ai que antigo!) se aprendia em casa: respeito, ideia, obediência, limite, possibilidade e responsabilidade, para terminar a lista aqui e deixar a provocação fazer seu efeito…

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2 respostas para “Dias”

  1. Feliz dia, Sr. José, também pai!
    Trazes outra semelhança entre Portugal e o Brasil neste teu artigo. Indo além, uma das minhas dificuldades em interiorizar parte do acordo ortográfico, sobretudo no que concerne à acentuação das palavras, prende-se com a disparidade de “alternativas” que encontro nos artigos publicados nos jornais, revistas, livros,… Já para não falar que há quem se recuse a usá-lo. É relativamente difícil encontrar uma boa escrita, assertiva e com correção gramatical. Parece que a utilização das palavras menos comuns, ainda que cuidadas, são as que enriquecem um artigo. 😑

    • Pois… obrigado. De fato, não sou pai, por óbvio, mas os cumprimentos foram aceitos, afinal, como eu disse, pela metade ontem foi o meu dia! O acordo é uma grande salada que, em alguns aspectos, complicou mais o que já era complicado, como o uso do hífen por exemplo. A gente acaba por aprender a conviver com desvarios e falta de qualquer coisa. Abraço e ao semana!

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